PF aponta ligação de grupo com jogo do bicho e milícia em investigação sobre Vorcaro no Rio

A Polícia Federal investiga a suposta existência de um grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.

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Última atualização:  15 de maio, 2026 às 14:05
Fotografia de Daniel Vorcaro em plano médio, falando ao microfone durante um evento. Imagem: Esfera Brasil

A investigação da Polícia Federal que envolve o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de informações constantes em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. O caso, que integra a Operação Compliance Zero, aponta a existência de um grupo estruturado no Rio de Janeiro que teria atuado com intimidação, vigilância e acesso indevido a informações sensíveis.

A apuração levanta suspeitas sobre a atuação de um núcleo apelidado de “A Turma”, que reuniria operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais. Segundo a PF, esse grupo teria sido utilizado para pressionar adversários e reforçar interesses ligados ao ambiente empresarial investigado.

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A investigação descreve que o núcleo ligado a Vorcaro teria uma estrutura hierarquizada, com um comando central e braços operacionais no Rio de Janeiro. Esse grupo, segundo a PF, seria coordenado localmente por Manoel Mendes Rodrigues, apontado como elo entre a liderança e os executores das ações.

Ainda de acordo com os investigadores, o funcionamento desse esquema envolvia:

  • vigilância de pessoas consideradas adversárias
  • intimidação direta e indireta de alvos
  • coleta de informações sigilosas de processos judiciais
  • atuação coordenada sob ordens do núcleo central

A suspeita é de que o grupo atuava de forma organizada para gerar pressão fora dos canais legais, reforçando a linha de investigação.

O que motivou a investigação e quando os fatos ocorreram

A investigação ganhou força após operações anteriores da PF que reuniram materiais apreendidos e mensagens atribuídas a integrantes do grupo. Parte dos episódios citados teria ocorrido ao longo de 2024, com destaque para ações em Angra dos Reis (RJ).

Segundo a PF, em um dos episódios, integrantes do grupo teriam sido acionados para se deslocar até uma marina e, posteriormente, a um hotel, com o objetivo de intimidar pessoas ligadas a conflitos pessoais e empresariais.

Onde ocorreram as ações e como o grupo atuava

As ações descritas na investigação ocorreram principalmente no estado do Rio de Janeiro, especialmente em regiões como Angra dos Reis. A PF aponta que o grupo se mobilizava fisicamente para realizar abordagens diretas às vítimas, com o objetivo de causar medo e constrangimento.

A atuação do núcleo ligado a Vorcaro teria sido marcada por:

  • deslocamentos presenciais para locais de intimidação
  • abordagem direta de vítimas em ambientes públicos e privados
  • uso de mensagens e ordens digitais para coordenar ações
  • possível acesso indevido a dados e informações sigilosas

Esses elementos reforçam a suspeita de uma estrutura organizada voltada à coerção.

Por que o grupo é investigado pela PF

O principal motivo da investigação é a suspeita de que o grupo atuava como uma espécie de braço paralelo de pressão e intimidação, operando fora da legalidade. A PF afirma que há indícios de crimes como organização criminosa, ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

A investigação também busca entender se havia conexão direta entre decisões do núcleo central e as ações executadas no Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, o objetivo desse tipo de estrutura seria influenciar disputas e proteger interesses por meio de coerção, o que agrava a gravidade do caso.

Análise da Operação Compliance Zero

A evolução da Operação Compliance Zero trouxe novas fases da investigação, com mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos em diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A operação atingiu empresários, policiais e outros investigados, ampliando o escopo da apuração sobre suas possíveis ramificações.

O que diz a PF e próximos passos

A Polícia Federal afirma que o material reunido até o momento inclui mensagens, depoimentos e documentos apreendidos em fases anteriores da operação. Esses elementos sustentariam a hipótese de atuação coordenada do grupo “A Turma”.

O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos conforme a análise de provas e o avanço das diligências. Até o momento, não há decisão final sobre responsabilização dos citados, e os envolvidos poderão se manifestar no decorrer do processo.