PF aponta ligação de grupo com jogo do bicho e milícia em investigação sobre Vorcaro no Rio
A Polícia Federal investiga a suposta existência de um grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.
Imagem: Esfera Brasil
A investigação da Polícia Federal que envolve o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de informações constantes em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. O caso, que integra a Operação Compliance Zero, aponta a existência de um grupo estruturado no Rio de Janeiro que teria atuado com intimidação, vigilância e acesso indevido a informações sensíveis.
A apuração levanta suspeitas sobre a atuação de um núcleo apelidado de “A Turma”, que reuniria operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais. Segundo a PF, esse grupo teria sido utilizado para pressionar adversários e reforçar interesses ligados ao ambiente empresarial investigado.
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A investigação descreve que o núcleo ligado a Vorcaro teria uma estrutura hierarquizada, com um comando central e braços operacionais no Rio de Janeiro. Esse grupo, segundo a PF, seria coordenado localmente por Manoel Mendes Rodrigues, apontado como elo entre a liderança e os executores das ações.
Ainda de acordo com os investigadores, o funcionamento desse esquema envolvia:
- vigilância de pessoas consideradas adversárias
- intimidação direta e indireta de alvos
- coleta de informações sigilosas de processos judiciais
- atuação coordenada sob ordens do núcleo central
A suspeita é de que o grupo atuava de forma organizada para gerar pressão fora dos canais legais, reforçando a linha de investigação.
O que motivou a investigação e quando os fatos ocorreram
A investigação ganhou força após operações anteriores da PF que reuniram materiais apreendidos e mensagens atribuídas a integrantes do grupo. Parte dos episódios citados teria ocorrido ao longo de 2024, com destaque para ações em Angra dos Reis (RJ).
Segundo a PF, em um dos episódios, integrantes do grupo teriam sido acionados para se deslocar até uma marina e, posteriormente, a um hotel, com o objetivo de intimidar pessoas ligadas a conflitos pessoais e empresariais.
Onde ocorreram as ações e como o grupo atuava
As ações descritas na investigação ocorreram principalmente no estado do Rio de Janeiro, especialmente em regiões como Angra dos Reis. A PF aponta que o grupo se mobilizava fisicamente para realizar abordagens diretas às vítimas, com o objetivo de causar medo e constrangimento.
A atuação do núcleo ligado a Vorcaro teria sido marcada por:
- deslocamentos presenciais para locais de intimidação
- abordagem direta de vítimas em ambientes públicos e privados
- uso de mensagens e ordens digitais para coordenar ações
- possível acesso indevido a dados e informações sigilosas
Esses elementos reforçam a suspeita de uma estrutura organizada voltada à coerção.
Por que o grupo é investigado pela PF
O principal motivo da investigação é a suspeita de que o grupo atuava como uma espécie de braço paralelo de pressão e intimidação, operando fora da legalidade. A PF afirma que há indícios de crimes como organização criminosa, ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
A investigação também busca entender se havia conexão direta entre decisões do núcleo central e as ações executadas no Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, o objetivo desse tipo de estrutura seria influenciar disputas e proteger interesses por meio de coerção, o que agrava a gravidade do caso.
Análise da Operação Compliance Zero
A evolução da Operação Compliance Zero trouxe novas fases da investigação, com mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos em diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A operação atingiu empresários, policiais e outros investigados, ampliando o escopo da apuração sobre suas possíveis ramificações.
O que diz a PF e próximos passos
A Polícia Federal afirma que o material reunido até o momento inclui mensagens, depoimentos e documentos apreendidos em fases anteriores da operação. Esses elementos sustentariam a hipótese de atuação coordenada do grupo “A Turma”.
O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos conforme a análise de provas e o avanço das diligências. Até o momento, não há decisão final sobre responsabilização dos citados, e os envolvidos poderão se manifestar no decorrer do processo.