Vale (VALE3) multiplica prejuízo no 4T25 por baixas contábeis
A Vale (VALE3) reportou prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no 4T25, quase cinco vezes superior ao registrado um ano antes, impactada por impairments bilionários em ativos de níquel no Canadá e baixas fiscais.
Imagem: Reuters / Washington Alves
A Vale (VALE3) registrou prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no 4T25, quase cinco vezes superior ao prejuízo de US$ 694 milhões apurado no mesmo período do ano anterior.
Segundo a companhia, o resultado foi impactado por:
- US$ 3,5 bilhões em impairments relacionados aos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, após revisão das premissas de preços de longo prazo para o metal;
- US$ 2,8 bilhões em baixa de imposto diferido em subsidiárias;
- Provisões adicionais ligadas à Samarco.
Essas baixas são ajustes contábeis e não representam, necessariamente, saída imediata de caixa. Ainda assim, afetam diretamente o lucro líquido reportado e a percepção do mercado no curto prazo.
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Apesar do prejuízo contábil, a Vale (VALE3) informou que, na modalidade proforma — que exclui efeitos relacionados ao Rompimento da Barragem de Brumadinho, descaracterização de barragens e itens não recorrentes — o lucro líquido teria sido de US$ 1,4 bilhão, alta de 68% na comparação anual.
O número, contudo, ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela LSEG, que projetavam lucro de US$ 2,457 bilhões.
No acumulado de 2025, a companhia reportou lucro de R$ 13,8 bilhões, refletindo um ano operacionalmente consistente.
Ebitda robusto e margem elevada
O Ebitda ajustado da Vale (VALE3) somou US$ 4,5 bilhões no trimestre. Na base proforma, o indicador alcançou US$ 4,8 bilhões, com margem de 44%.
A receita líquida atingiu US$ 11 bilhões, crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 6% na comparação trimestral.
O desempenho operacional foi sustentado por:
- Maiores volumes de venda de minério de ferro, cobre e níquel;
- Preços mais altos do cobre;
- Receitas com subprodutos;
- Melhorias operacionais e maior confiabilidade dos ativos.
As vendas no 4T25 cresceram 5% no minério de ferro, 8% no cobre e 5% no níquel na comparação anual. O preço médio realizado do minério de ferro foi de US$ 95,4 por tonelada, alta de 3% em um ano. Já o cobre registrou valorização de 20% na mesma base de comparação.
Dívida elevada reduz chance de dividendos extraordinários
A dívida líquida expandida da Vale (VALE3) ficou em US$ 15,5 bilhões, queda de 5% em relação ao ano anterior e redução de US$ 1 bilhão na comparação trimestral.
A meta da companhia é manter o indicador entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. No entanto, quanto mais próxima do teto da faixa, menor a probabilidade de pagamento de dividendos extraordinários. Com o endividamento no patamar atual, o mercado tende a descartar proventos adicionais no curto prazo.
Esse ponto é considerado sensível para investidores que acompanham a política de remuneração da companhia, historicamente relevante para o desempenho das ações.
Geração de caixa e investimentos
A geração de Fluxo de Caixa Livre Recorrente foi de US$ 1,6 bilhão, avanço de 107% em relação ao mesmo período de 2024. O crescimento foi impulsionado pelo Ebitda mais forte e menores despesas líquidas.
O capex totalizou US$ 2 bilhões no trimestre. A companhia também destacou capital de giro positivo, influenciado pela entrada de caixa das vendas de minério realizadas no trimestre anterior.
Desempenho operacional e projetos estratégicos
Entre os destaques operacionais, a Vale citou o avanço de projetos como Capanema, Vargem Grande, VBME (Vale Base Metals) e Onça Puma, que contribuíram para elevar a produção.
Segundo o CEO Gustavo Pimenta, 2025 marcou os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018, além de crescimento de dois dígitos na produção de níquel.
A companhia também afirmou ter atingido integralmente seus guidances para o ano.
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