CSN Mineração (CMIN3) deve ter margem pressionada no 2º trimestre

A Genial Investimentos projeta que a CSN Mineração (CMIN3) enfrentará forte compressão das margens no segundo trimestre de 2026 devido ao aumento dos custos com frete marítimo.

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Última atualização:  13 de jul, 2026 às 17:07
Imagem de uma tela de dispositivo móvel exibindo o logo do CSN, uma das maiores empresas de siderurgia e mineração do Brasil, destacando seu branding. Foto: Divulgação

A CSN Mineração (CMIN3) deve apresentar um segundo trimestre de 2026 marcado por queda na rentabilidade, apesar da recuperação operacional observada entre abril e junho. A avaliação é da Genial Investimentos, que divulgou nesta segunda-feira (13) um relatório projetando uma forte compressão das margens da mineradora em razão do aumento dos custos com frete marítimo. Ao mesmo tempo, a instituição acredita que o avanço no volume de vendas, a sólida estrutura financeira e a baixa alavancagem da companhia continuam sustentando uma visão positiva para o longo prazo.

O cenário desenhado pela corretora chama a atenção do mercado porque combina dois movimentos distintos: enquanto os resultados operacionais devem mostrar recuperação após um início de ano prejudicado por fatores climáticos, a lucratividade tende a ser pressionada por custos logísticos mais elevados. Os números oficiais da companhia serão divulgados em 5 de agosto, quando investidores poderão comparar as projeções com o desempenho efetivamente registrado.

CSN Mineração (CMIN3) deve registrar queda na margem operacional

Segundo as estimativas da Genial Investimentos, a CSN Mineração (CMIN3) deverá encerrar o segundo trimestre com Ebitda ajustado de R$ 821 milhões, o que representa uma queda de 42% em relação ao primeiro trimestre de 2026 e uma redução de 35% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Além da retração no lucro operacional, a margem Ebitda também deve apresentar deterioração significativa. A expectativa é de que o indicador recue de 38,3%, registrado entre janeiro e março, para aproximadamente 22% no período de abril a junho.

Para o analista Luca Vello, responsável pelo estudo, o principal fator responsável pela piora dos indicadores é a elevação expressiva dos custos de transporte marítimo, que afetou diretamente as exportações de minério de ferro realizadas pela companhia.

Apesar disso, a corretora destaca que esse impacto não deve ser interpretado como uma mudança estrutural na capacidade de geração de resultados da empresa, mas sim como um fator conjuntural ligado ao mercado internacional de fretes.

Recuperação das vendas compensa parte da pressão sobre os resultados

Mesmo diante da redução esperada na rentabilidade, a CSN Mineração (CMIN3) deve apresentar uma recuperação importante em seus indicadores operacionais.

A projeção aponta para vendas de aproximadamente 11,4 milhões de toneladas de minério de ferro, o que representa um crescimento de 18% frente ao primeiro trimestre.

Essa recuperação ocorre após um começo de ano marcado por chuvas acima da média, que limitaram o ritmo de produção nas operações da empresa.

Segundo a Genial, o segundo trimestre poderia inclusive ter registrado um desempenho histórico caso uma parada programada de manutenção não tivesse ocorrido durante o mês de maio.

A interrupção das atividades, que durou cerca de 15 dias, reduziu parte da capacidade operacional da mineradora. Ainda assim, abril e junho foram apontados como os meses de maior produção e volume de vendas já registrados pela companhia, demonstrando a rápida recuperação da operação.

Estrutura financeira segue como diferencial da companhia

Mesmo com a expectativa de redução na geração de caixa durante o trimestre, a Genial considera que a situação financeira da CSN Mineração (CMIN3) permanece bastante sólida.

O relatório destaca que a empresa possui uma estrutura de capital praticamente desalavancada, característica que reduz riscos financeiros e amplia sua flexibilidade para atravessar períodos de maior volatilidade nos preços do minério ou nos custos logísticos.

Outro ponto ressaltado pelos analistas é o potencial de remuneração aos acionistas.

A estimativa é de que a companhia mantenha um dividend yield próximo de 7% ao ano, percentual considerado competitivo dentro do setor de mineração e superior ao observado em diversas empresas do segmento.

Na avaliação da corretora, essa combinação entre baixo endividamento e capacidade de distribuição de dividendos continua sendo um dos principais pilares da tese de investimento para a empresa.

Mercado reage positivamente às perspectivas da mineradora

Mesmo diante das projeções de queda na margem operacional, o desempenho das ações demonstra que os investidores seguem otimistas com a empresa.

Na tarde desta segunda-feira (13), por volta das 13h50, os papéis da CSN Mineração (CMIN3) registravam alta de 4,21%, sendo negociados a R$ 5,45.

Com esse avanço, as ações acumulavam oito pregões consecutivos de valorização e uma alta de aproximadamente 30% ao longo de julho, refletindo a expectativa de recuperação operacional da companhia e a confiança do mercado em seus fundamentos.

O movimento também mostra que parte dos investidores considera temporário o impacto provocado pelo aumento dos custos com frete marítimo.

Resultados do segundo trimestre serão divulgados em agosto

O mercado agora aguarda a divulgação do balanço da CSN Mineração (CMIN3), marcada para 5 de agosto de 2026.

Os números permitirão avaliar se a recuperação no volume de vendas foi suficiente para compensar parte da pressão exercida pelos custos logísticos e confirmarão o comportamento da margem operacional estimado pelos analistas.

Além disso, investidores acompanharão de perto as perspectivas apresentadas pela administração para os próximos trimestres, especialmente em relação à evolução do mercado internacional de minério de ferro, dos custos de transporte marítimo e da política de distribuição de dividendos.

Caso o cenário de normalização dos fretes se confirme, a expectativa é que a companhia volte a apresentar margens mais robustas, mantendo a combinação de forte geração operacional e baixo nível de endividamento, características que continuam sendo apontadas pelo mercado como alguns dos principais diferenciais da mineradora.