Vale cai mais de 3% com pressão do minério de ferro e novas incertezas globais
Ações da mineradora devolvem parte dos ganhos recentes em meio à queda da commodity, tensões geopolíticas e proposta de tarifas dos Estados Unidos
Imagem: Vale/Reprodução.
As ações da Vale (VALE3) operaram em forte queda nesta quarta-feira (3), acompanhando o recuo do minério de ferro no mercado internacional e o aumento da cautela dos investidores diante de novas incertezas globais.
Por volta das 13h, os papéis da mineradora recuavam cerca de 3,3%, apagando parte da valorização observada no pregão anterior, quando a companhia havia avançado aproximadamente 4%.
O movimento ocorre em um dia marcado pela combinação de fatores externos que pressionaram os ativos ligados a commodities e reduziram o apetite por risco nos mercados.
Queda do minério pesa sobre a mineradora
O principal fator por trás da desvalorização das ações foi o desempenho do minério de ferro. A commodity registrou queda após sinais de enfraquecimento da demanda por aço na China, principal consumidor mundial da matéria-prima.
Segundo informações divulgadas por entidades do setor siderúrgico chinês, o mercado entrou mais cedo do que o habitual em um período de menor atividade. As chuvas em algumas regiões do país e o início antecipado das altas temperaturas do verão reduziram a demanda por produtos siderúrgicos e pressionaram as margens das usinas.
Com isso, investidores passaram a revisar as expectativas para o curto prazo do minério de ferro, afetando diretamente empresas exportadoras como a Vale.
Tarifas dos EUA aumentam cautela do mercado
Além da pressão vinda da China, os investidores repercutem uma nova proposta apresentada pelo governo dos Estados Unidos. A medida prevê uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil, dentro de uma investigação comercial relacionada ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas.
Embora ainda não haja clareza sobre os setores mais afetados, a notícia contribuiu para aumentar a aversão ao risco entre investidores que acompanham empresas exportadoras brasileiras.
Impasse entre EUA e Irã segue no radar
Outro fator que continua influenciando os mercados é a incerteza sobre a evolução das negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. Apesar das sucessivas declarações sobre possíveis avanços diplomáticos, investidores seguem sem convicção de que um acordo definitivo será alcançado no curto prazo.
A falta de uma solução clara para o conflito mantém elevados os níveis de volatilidade nos mercados globais e influencia diretamente o comportamento das commodities.
Vale continua entre as favoritas para junho
Mesmo com a queda desta quarta-feira, a Vale segue bem posicionada entre as ações preferidas de analistas para o mês de junho.
Levantamento realizado pelo InfoMoney junto às principais corretoras e casas de análise do país mostrou que a mineradora apareceu em todas as carteiras recomendadas consultadas, algo inédito em 2026.
O desempenho recente da companhia ajuda a explicar essa preferência. Enquanto o Ibovespa acumulou forte queda em maio, as ações da Vale conseguiram encerrar o mês no campo positivo, sustentadas pela resiliência dos preços do minério de ferro e por sinais de recuperação da atividade industrial chinesa.
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Analistas seguem otimistas com o cenário da companhia
A visão positiva também encontra respaldo nas projeções para o mercado global de minério de ferro. O Santander estima que a commodity permaneça acima de US$ 100 por tonelada ao longo de 2026, apoiada por uma combinação de oferta restrita e demanda resiliente na China, além do crescimento do consumo em países como Índia e economias do Sudeste Asiático.
Já a Terra Investimentos destaca que a Vale continua negociando a múltiplos considerados atrativos em comparação com seus pares globais.
Segundo a corretora, uma eventual recuperação dos preços do minério pode abrir espaço adicional para valorização das ações da companhia ao longo dos próximos trimestres.
Apesar das turbulências recentes, a percepção predominante entre analistas continua sendo de que a Vale permanece como uma das principais apostas do mercado brasileiro para 2026.