Governo lança Tesouro Reserva com aplicação a partir de R$ 1 e resgate imediato
Novo título público busca atrair pequenos investidores com simplicidade, baixo risco e resgate quase imediato
Imagem: Envato Elements.
O Tesouro Direto lançou oficialmente um novo produto voltado para investidores iniciantes e para quem busca uma alternativa simples de renda fixa com liquidez diária. Chamado de Tesouro Reserva, o título começou a ser oferecido ao público nesta semana com promessa de rendimento superior ao da poupança e aplicação mínima de apenas R$ 1.
O lançamento foi realizado na B3, em São Paulo, e faz parte da estratégia do governo federal para ampliar o acesso da população aos investimentos em títulos públicos.
Novo título busca atrair investidores iniciantes
O Tesouro Reserva foi desenvolvido para simplificar o acesso ao mercado de renda fixa, especialmente entre brasileiros que ainda não possuem hábito de investir.
Segundo dados recentes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), apenas uma pequena parcela da população aplica recursos em produtos financeiros, enquanto grande parte ainda associa investimentos à ideia de algo restrito a pessoas com renda elevada.
Nesse contexto, o novo título surge como uma tentativa de democratizar o acesso ao Tesouro Direto e incentivar educação financeira entre pequenos investidores.
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que o produto pode representar uma mudança importante para quem ainda acredita que não possui dinheiro suficiente para começar a investir.
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Tesouro Reserva terá rendimento ligado à Selic
Assim como o Tesouro Selic, o novo produto terá rentabilidade atrelada à taxa básica de juros da economia brasileira.
Atualmente, a Selic está em 14,50% ao ano, embora o Tesouro Nacional ainda não tenha detalhado oficialmente se o rendimento do Tesouro Reserva acompanhará integralmente o percentual da taxa.
Mesmo assim, especialistas apontam que a rentabilidade tende a superar a da poupança em praticamente todos os cenários atuais de juros elevados.
Isso acontece porque a caderneta de poupança rende apenas 70% da Selic quando a taxa básica permanece acima de 8,5% ao ano.
Produto elimina efeito da marcação a mercado
Um dos principais diferenciais do Tesouro Reserva está na simplificação da experiência para o investidor.
Ao contrário de outros títulos públicos, o novo produto não exibe oscilações negativas provocadas pela chamada marcação a mercado — mecanismo que atualiza diariamente o preço dos papéis conforme as condições do mercado financeiro.
Na prática, isso significa que o saldo visualizado pelo investidor mostrará sempre o valor aplicado acrescido dos rendimentos acumulados até o momento, reduzindo a percepção de volatilidade que costuma gerar insegurança entre iniciantes.
Segundo executivos da B3, a proposta é oferecer uma experiência mais próxima da simplicidade da poupança, mas com retorno potencialmente maior.
Aplicação e resgate poderão ser feitos quase 24 horas por dia
Outra novidade do Tesouro Reserva será a flexibilidade operacional. O sistema permitirá aplicações e resgates praticamente a qualquer hora do dia, inclusive aos finais de semana, utilizando integração com PIX.
A única interrupção prevista ocorrerá diariamente entre meia-noite e 1h da manhã, período reservado para atualização operacional da plataforma.
Segundo Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoas físicas da B3, o lançamento representa uma mudança relevante no acesso aos investimentos públicos no Brasil.
Banco do Brasil iniciou distribuição do produto
Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva já está disponível para clientes do Banco do Brasil, parceiro da iniciativa junto ao Tesouro Nacional. Alguns correntistas participaram da fase inicial de testes antes da liberação completa ao público, iniciada oficialmente na última quinta-feira (7).
Segundo o Ministério da Fazenda, outros bancos poderão oferecer o produto futuramente, dependendo da adesão e implementação tecnológica de cada instituição financeira.
Investimento terá cobrança de IR e IOF
Assim como os demais títulos do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva seguirá sujeito à tributação de renda fixa.
A cobrança do Imposto de Renda ocorre de forma regressiva, começando em 22,5% sobre os rendimentos para aplicações de até 180 dias e chegando a 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos. Também haverá incidência de IOF em resgates realizados nos primeiros 30 dias da aplicação.
Além disso, a B3 cobrará taxa de custódia de 0,20% ao ano. No entanto, aplicações de até R$ 10 mil ficarão isentas da tarifa.
Saiba mais:
Governo aposta em educação financeira e inclusão
O governo federal avalia que o novo produto pode ampliar significativamente o número de brasileiros investindo em títulos públicos.
Além da facilidade operacional, o valor mínimo de R$ 1 foi definido justamente para reduzir barreiras de entrada e aproximar investidores iniciantes do mercado financeiro.
Especialistas apontam que a combinação entre baixo risco, liquidez diária e simplicidade operacional pode tornar o Tesouro Reserva uma alternativa relevante para formação de reserva de emergência e primeiros investimentos em renda fixa.