SLC Agrícola (SLCE3) antecipa dividendos, ajusta capital e reforça estratégia ESG
Companhia antecipou dividendos e bonificou ações para driblar nova tributação, enquanto reforça escala produtiva e estratégia ESG reconhecida internacionalmente.
Imagem: SLC Agrícola/Reprodução
A SLC Agrícola (SLCE3) adotou uma estratégia financeira antecipada no fim de 2025 para mitigar os impactos das mudanças na tributação de dividendos previstas a partir de 2026. A companhia promoveu um aumento de capital com bonificação de ações, utilizou reservas próprias e distribuiu cerca de R$ 400 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), movimento que normalmente ocorreria apenas em maio.
Segundo o diretor financeiro (CFO), Ivo Brum, em entrevista ao Money Times, a decisão buscou proteger o acionista da nova alíquota de 10% que passará a incidir sobre dividendos. Ao antecipar a operação, a empresa evitou a tributação futura e entregou valor diretamente aos investidores.
Bonificação de ações e política de dividendos
A operação resultou na emissão de 55,4 milhões de novas ações ordinárias, com bonificação de 12,5% — o equivalente a uma nova ação para cada oito detidas na data-base. Com isso, a SLC Agrícola encerrou 2025 com dividend yield de 5,6%, posicionando-se entre as principais pagadoras de dividendos do agronegócio brasileiro.
De acordo com o CFO, após essa antecipação, o próximo pagamento de dividendos está previsto apenas para 2027. Ainda assim, a política da companhia permanece inalterada: a distribuição média de 50% do lucro líquido, prática mantida ao longo da última década.
Perfil da SLC Agrícola
A SLC Agrícola é uma companhia brasileira de capital aberto, fundada em 1977 com sede em Porto Alegre (RS). Segundo informações institucionais da própria empresa, sua atuação está concentrada na produção agrícola em larga escala, com foco nas commodities soja, milho e algodão, além de integração lavoura-pecuária e uma operação estruturada no segmento de sementes.
Em síntese, a empresa:
- Atua na produção de soja, milho e algodão em larga escala
- Mantém operações agrícolas em múltiplos estados brasileiros
- Integra tecnologia, pesquisa e práticas sustentáveis ao modelo produtivo
A empresa opera hoje em escala continental, com 23 unidades de produção distribuídas em diferentes estados do país, o que a posiciona entre as maiores produtoras agrícolas do Brasil.
Do ponto de vista institucional, a SLC Agrícola destaca a sustentabilidade como eixo estratégico, com políticas formais de gestão ambiental, uso responsável do solo, da água e de insumos, além de compromissos públicos relacionados a desmatamento zero e transparência ambiental.
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Entrada no IDIV e fortalecimento no mercado de capitais
No início de janeiro, a SLC Agrícola passou a integrar o Índice de Dividendos da B3 (IDIV), que reúne empresas com histórico consistente de remuneração aos acionistas. A inclusão reforça a leitura do mercado sobre a previsibilidade da política de capital da companhia, mesmo em um setor marcado por forte volatilidade de preços, clima e custos.
Em 2024, a empresa registrou receita líquida próxima de R$ 7 bilhões, apesar de um recuo de 4,4% no resultado financeiro em relação a 2023, impactado pela menor produtividade de soja e milho na safra 2023/24.
Sob a liderança de Aurélio Pavinato, que assumiu o comando em 2012, a SLC Agrícola mais do que dobrou sua área plantada. A companhia saiu de pouco mais de 300 mil hectares para cerca de 731,6 mil hectares na safra 2024/25, distribuídos em 23 unidades de produção em oito estados brasileiros.
Hoje, a empresa atua de forma integrada na produção de soja, milho, algodão, sementes e em sistemas de integração lavoura-pecuária, consolidando-se como uma operação de escala continental no agronegócio nacional.
Com informações de Forbes Brasil
ESG e reconhecimento internacional
Além da estratégia financeira, a SLC Agrícola avançou no campo da sustentabilidade. A companhia alcançou nota máxima em Florestas e Segurança Hídrica no CDP, resultado associado a decisões estruturais adotadas ainda antes da consolidação do ESG como critério central de investimento.
Desde 2015, a empresa deixou de adquirir áreas com vegetação nativa e, em 2021, formalizou a política de desmatamento zero para Amazônia e Cerrado. Em fala à Forbes Pavinato, esclarece que trata-se de uma estratégia de longo prazo, e não de uma resposta pontual às demandas do mercado.
O desempenho coloca a SLC em um grupo restrito de companhias brasileiras com alto grau de maturidade ambiental, em um contexto em que dados do CDP são utilizados por centenas de investidores globais para embasar decisões de alocação de capital.
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