Mercado eleva previsão da Selic para 13% em 2026
O mercado financeiro elevou a projeção da Selic para 13% em 2026, segundo o relatório Focus do Banco Central do Brasil.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agencia Brasil
A projeção da taxa básica de juros voltou a subir: o mercado elevou a previsão da Selic para 13% em 2026, segundo dados mais recentes do relatório Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil. O movimento sinaliza uma mudança nas expectativas após semanas de estabilidade e reforça a percepção de que o cenário econômico segue desafiador.
A revisão ocorre em meio ao aumento das incertezas globais e pressões inflacionárias, especialmente ligadas à alta do petróleo. Esse ambiente tem levado analistas a recalibrar suas projeções para os próximos anos, indicando uma trajetória de juros mais elevada do que se esperava anteriormente.
Selic para 13% em 2026 reflete cenário de pressão inflacionária
O relatório Focus, divulgado semanalmente, mostrou que a mediana das estimativas para a Selic ao fim de 2026 subiu de 12,50% para 13,0%. A mudança acontece após três semanas consecutivas de estabilidade, indicando uma inflexão importante na leitura do mercado.
Considerando apenas as projeções mais recentes — atualizadas nos últimos cinco dias úteis — o número também avançou para 13,0%. Isso demonstra que a revisão não é pontual, mas sim um movimento consistente entre economistas e instituições financeiras.
O principal fator por trás dessa mudança está no ambiente externo. A alta nos preços do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, tem gerado preocupações sobre seus impactos na inflação global e, consequentemente, na economia brasileira. Como o Brasil ainda sofre influência direta de commodities no comportamento dos preços, qualquer choque nesse setor tende a pressionar o custo de vida.
Além disso, há incertezas fiscais e dúvidas sobre o ritmo de crescimento econômico, o que contribui para uma postura mais cautelosa nas projeções.
Revisões também atingem projeções de longo prazo
O ajuste nas expectativas não se limitou a 2026. Para os anos seguintes, o mercado também promoveu revisões:
- Para 2027, a estimativa da Selic subiu de 10,50% para 11,0%, interrompendo um longo período sem փոփոխações
- Em 2028, a projeção foi mantida em 10,0%, indicando relativa estabilidade
- Já para 2029, houve leve alta de 9,75% para 9,88%
Esses números sugerem que o mercado passou a enxergar um ciclo de juros estruturalmente mais alto por mais tempo, refletindo desafios persistentes no controle da inflação.
Contexto: Copom iniciou cortes, mas mantém cautela
Apesar da elevação nas projeções futuras, o cenário atual ainda inclui um ciclo de flexibilização monetária. Em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano — o primeiro corte em quase dois anos.
No entanto, a sinalização da autoridade monetária foi clara: o processo será conduzido com cautela. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou recentemente que o ambiente global incerto exige prudência, principalmente diante da dificuldade de prever os efeitos da alta do petróleo sobre os preços internos.
Esse posicionamento indica que, embora haja espaço para cortes no curto prazo, o ritmo pode ser mais lento do que o inicialmente esperado.
O que esperar da próxima reunião do Copom
A próxima reunião do Copom deve ocorrer nos próximos dias e será decisiva para indicar os rumos da política monetária. O mercado estará atento não apenas à decisão sobre a taxa de juros, mas também ao tom do comunicado.
Entre os pontos de atenção estão:
- A avaliação sobre o impacto do cenário internacional
- A evolução da inflação no Brasil
- O grau de confiança na convergência para a meta
Caso as pressões inflacionárias persistam, o Banco Central pode optar por reduzir o ritmo de cortes ou até interromper o ciclo, reforçando o cenário de juros mais altos por um período prolongado.