Copom corta Selic para 14,25% ao ano

O Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, realizando o terceiro corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026.

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Última atualização:  17 de jun, 2026 às 19:20
Vista aérea do edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília, uma torre de arquitetura brutalista cercada por vegetação e céu com nuvens. Foto: Raphael Ribeiro/Divulgação BC

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic para 14,25% ao ano confirmou as expectativas do mercado financeiro e marcou a terceira queda consecutiva da taxa básica de juros em 2026. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29), após reunião do colegiado do Banco Central, que optou por um corte de 0,25 ponto percentual e manteve em aberto os próximos movimentos da política monetária.

A redução ocorre em um momento de desafios para a economia brasileira, que ainda convive com inflação acima da meta, expectativas inflacionárias elevadas e incertezas no cenário internacional. Apesar da continuidade do ciclo de flexibilização monetária, o Banco Central reforçou uma postura cautelosa ao indicar que futuras decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos.

Selic 14,25%: decisão foi unânime e acompanhou projeções do mercado

A definição da Selic 14,25% foi aprovada por unanimidade pelos membros do Copom. O corte já era amplamente esperado por analistas e instituições financeiras, que projetavam uma redução gradual dos juros diante dos sinais de desaceleração da economia e do comportamento da inflação.

O atual ciclo de flexibilização teve início em março deste ano, após a taxa permanecer em 15% ao ano durante todo o segundo semestre de 2025. Desde então, o Banco Central vem promovendo ajustes moderados nos juros, buscando equilibrar o controle da inflação com a necessidade de estimular a atividade econômica.

A decisão anunciada nesta quarta-feira sinaliza que a autoridade monetária continua avaliando cuidadosamente os riscos para o cenário inflacionário antes de acelerar o ritmo dos cortes.

Banco Central deixa próximos passos em aberto

Embora tenha reduzido a taxa básica, o Copom evitou fornecer indicações claras sobre a intensidade ou o momento dos próximos cortes. Segundo o comunicado divulgado após a reunião, o nível atual de restrição monetária permite diferentes trajetórias para os juros sem comprometer a convergência da inflação para a meta estabelecida.

De acordo com o Banco Central, os modelos de projeção apontam que uma manutenção da trajetória inicialmente considerada poderia levar a inflação para níveis abaixo da meta em horizontes futuros. Diante desse cenário, o Comitê passou a considerar alternativas que permitam uma convergência mais equilibrada dos preços, reduzindo oscilações excessivas na atividade econômica.

A avaliação reforça a estratégia de cautela adotada pela autoridade monetária, especialmente em um ambiente marcado por elevada incerteza.

Inflação continua sendo principal preocupação

Apesar da redução dos juros, a inflação segue no centro das atenções do Banco Central. Os dados mais recentes mostram que tanto o índice cheio quanto as medidas subjacentes voltaram a apresentar aceleração, permanecendo acima do limite superior da meta de inflação.

Além disso, as expectativas do mercado continuam desancoradas. Segundo as projeções mais recentes, a inflação esperada para 2026 permanece em 5,30%, enquanto para 2027 a estimativa é de 4,10%, ambos os percentuais acima do objetivo perseguido pela política monetária.

As projeções do próprio Copom também indicam desafios. No cenário de referência, a inflação projetada para o quarto trimestre de 2027 está em 3,7%, acima do centro da meta, evidenciando a necessidade de manter atenção aos riscos inflacionários.

Entre os fatores de preocupação destacados pelo Comitê estão possíveis impactos dos preços do petróleo, efeitos climáticos sobre a produção agrícola, pressão nos custos de energia e uma eventual persistência da inflação de serviços.

Cenário internacional exige prudência

Outro elemento relevante para a decisão foi o ambiente externo. O Banco Central destacou que a economia global continua enfrentando volatilidade devido às incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e seus reflexos sobre os mercados financeiros e os preços das commodities.

Na avaliação da autoridade monetária, países emergentes como o Brasil precisam adotar uma postura prudente diante desse cenário, uma vez que choques externos podem afetar o câmbio, os preços internos e as expectativas dos agentes econômicos.

A instabilidade internacional também pode influenciar o fluxo de capitais e as condições financeiras globais, fatores monitorados de perto pelo Copom em suas decisões.

Atividade econômica mostra resistência em 2026

No mercado doméstico, o Banco Central observou sinais de aceleração da atividade econômica durante o primeiro trimestre do ano. Setores mais sensíveis ao ciclo econômico apresentaram recuperação, enquanto o mercado de trabalho continua demonstrando resiliência.

Mesmo com os juros em patamar elevado, a economia brasileira tem mostrado capacidade de crescimento superior ao esperado em alguns segmentos. Esse comportamento contribui para sustentar a demanda interna, mas também pode gerar pressões adicionais sobre os preços.

Por isso, o Copom avalia que a condução da política monetária deve continuar equilibrando os objetivos de controle inflacionário e estabilidade econômica.

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O que esperar das próximas reuniões do Copom

Com a Selic 14,25%, o Banco Central mantém aberto o debate sobre o ritmo de flexibilização monetária nos próximos meses. A mensagem transmitida pelo Copom sugere que novas reduções poderão ocorrer, mas dependerão da evolução da inflação, das expectativas do mercado, da atividade econômica e do cenário internacional.

A autoridade monetária reafirmou que continuará atuando com serenidade e cautela para garantir a estabilidade dos preços, sem perder de vista os impactos das decisões sobre o crescimento econômico e o mercado de trabalho.

Dessa forma, os próximos indicadores de inflação e atividade serão determinantes para definir os rumos da política monetária brasileira até o início de 2028.