Brasil registra segunda maior saída de dólares da história em 2025, aponta Banco Central

O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares desde o início da série histórica do Banco Central.

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Última atualização:  09 de jan, 2026 às 10:44
Close-up das mãos de duas pessoas segurando um maço de notas de 100 dólares americanos. Imagem: Freepik

A saída de dólares do Brasil atingiu em 2025 o segundo maior nível já registrado desde o início da série histórica do Banco Central, em 1982. Dados preliminares divulgados na última quarta-feira (7) mostram que o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,3 bilhões, refletindo um movimento intenso de remessas financeiras ao exterior, apesar da valorização do real ao longo do ano.

O resultado chama atenção porque ocorre em um contexto de juros elevados no país, saldo comercial positivo e desempenho favorável da moeda brasileira frente ao dólar. Ainda assim, a forte evasão de recursos pelo canal financeiro acabou determinante para o fechamento negativo do fluxo cambial em 2025.

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Segundo o Banco Central, o volume registrado no ano passado só fica atrás do observado em 2019, quando a saída líquida de dólares somou US$ 44,8 bilhões. O dado consolida 2025 como um dos anos de maior pressão sobre o mercado cambial brasileiro, mesmo sem episódios de crise aguda ou choque externo relevante.

O fluxo cambial mede a entrada e saída de moeda estrangeira no país a partir de contratos de câmbio, funcionando como uma prévia do balanço de pagamentos, que é divulgado com defasagem mensal. Por isso, o indicador é amplamente acompanhado por analistas, investidores e formuladores de política econômica.

Canal financeiro responde pela maior parte da evasão de recursos

O principal fator por trás da saída de dólares do Brasil em 2025 foi o desempenho do canal financeiro, que acumulou um saldo negativo de US$ 82,5 bilhões no ano. Trata-se da segunda maior saída da série histórica, superada apenas pelo resultado de 2024.

Esse canal reúne operações como investimentos estrangeiros diretos, aplicações em carteira, pagamento de juros, remessas de lucros e dividendos, além de amortizações de empréstimos externos. A combinação de maior cautela global, reorganização de portfólios e remessas corporativas contribuiu para o movimento de saída.

Entrada comercial não foi suficiente para neutralizar a saída financeira

Na outra ponta, o canal comercial registrou entrada líquida de US$ 49,1 bilhões em 2025. Embora positivo, o resultado ficou abaixo de anos anteriores e não foi suficiente para compensar a forte evasão registrada na conta financeira.

O Banco Central destaca que esse desempenho menor está relacionado ao avanço expressivo das importações, que reduziram o saldo líquido de dólares provenientes do comércio exterior.

Importações atingem segundo maior valor da história

Em 2025, o volume de câmbio contratado para importações chegou a US$ 238 bilhões, o segundo maior patamar da série histórica, atrás apenas do registrado em 2022. O crescimento das compras externas elevou a demanda por dólares e limitou a contribuição positiva do setor comercial.

As exportações, por sua vez, somaram US$ 287,5 bilhões no ano. Apesar do valor elevado, o saldo líquido ficou pressionado pelo nível recorde de importações e por diferenças metodológicas entre balança comercial e fluxo cambial.

Real se valoriza mesmo com forte saída de dólares

Um dos pontos que mais chamaram atenção em 2025 foi o fato de que, apesar da saída de dólares do Brasil, o real apresentou valorização ao longo do ano. Esse movimento foi sustentado principalmente por dois fatores.

O primeiro foi o patamar elevado da taxa de juros no Brasil, que estimulou operações de carry trade e posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos. O segundo foi o enfraquecimento global do dólar, em meio a expectativas de flexibilização monetária em economias centrais.

Banco Central teve atuação pontual no mercado de câmbio

Diante desse cenário, o Banco Central optou por uma atuação limitada no mercado à vista. Ao longo do ano, a autoridade monetária realizou apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, utilizando o mecanismo conhecido como “casadão”.

Nessas operações, o BC vende dólares das reservas internacionais e, simultaneamente, realiza swaps cambiais reversos, comprando dólares no mercado futuro. O objetivo é aliviar a taxa de juros em dólar sem provocar distorções relevantes no câmbio.

Dezembro concentra saída e antecipação de remessas

Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,6 bilhões, resultado de uma saída de US$ 21 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,4 bilhões via comércio exterior.

Tradicionalmente, o último mês do ano concentra remessas de lucros e dividendos ao exterior. Em 2025, esse movimento foi intensificado pela antecipação ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.

Fluxo cambial antecipa números do balanço de pagamentos

O fluxo cambial funciona como uma antecipação do balanço de pagamentos, indicador que mede as relações econômicas e financeiras entre residentes e não residentes no país. Em 2025, os dados reforçam que a fuga de dólares ocorreu majoritariamente pelo canal financeiro, mesmo em um ambiente macroeconômico considerado relativamente estável.

O resultado ajuda a explicar a dinâmica do câmbio no ano e serve como alerta para a sensibilidade do mercado brasileiro a movimentos globais de capital.

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