Brasil registra déficit em conta corrente de US$ 8,36 bi em janeiro
Resultado divulgado pelo BC supera projeções, apesar de alta no investimento
Foto: Envato Elements
O Banco Central informou nesta terça-feira (24) que o Brasil registrou déficit de US$ 8,36 bilhões nas transações correntes em janeiro, início do ano, resultado acima das expectativas do mercado.
O dado foi divulgado em Brasília e mostra que o saldo negativo superou a projeção de analistas, que estimavam rombo menor.
O resultado reflete principalmente o desempenho da conta de renda primária, mesmo com melhora na balança comercial e entrada forte de investimento direto no país.
Em janeiro do ano passado, o déficit havia sido maior, de US$ 9,8 bilhões. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o saldo negativo das contas externas corresponde a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB).
Investimento direto supera projeções
Apesar do déficit acima do esperado, o investimento direto no país teve desempenho positivo. Em janeiro, a entrada líquida de recursos somou US$ 8,17 bilhões, valor superior às estimativas de mercado.
O número também ficou acima do registrado no mesmo mês do ano anterior. O investimento direto é considerado uma fonte mais estável de financiamento das contas externas, pois envolve aportes produtivos e participação em empresas instaladas no país.
Componentes das contas externas
A conta de renda primária, que inclui remessas de lucros e pagamento de juros ao exterior, apresentou déficit de US$ 8,31 bilhões no mês. Esse resultado foi pior do que o observado em janeiro do ano passado e ajudou a ampliar o rombo total.
Por outro lado, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,51 bilhões, desempenho melhor que o do mesmo período de 2025. Já a conta de serviços teve déficit de US$ 3,97 bilhões, número menor que o registrado um ano antes.
Cenário das contas externas
O resultado das transações correntes é acompanhado de perto por investidores porque indica o grau de dependência do país em relação a recursos externos. Quando o déficit é financiado por investimento direto consistente, o impacto tende a ser menor.
Ainda assim, o cenário internacional, com juros elevados em economias desenvolvidas e volatilidade cambial, pode influenciar o fluxo de capitais para países emergentes como o Brasil.
O desempenho ao longo dos próximos meses será determinante para avaliar a trajetória das contas externas em 2026.
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