O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou na última quarta-feira que promoverá uma nova etapa de crédito destinada ao programa governamental que visa tornar mais acessível a compra de carros zero-quilômetro.

Posteriormente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que serão alocados R$ 300 milhões adicionais para a extensão do programa, utilizando recursos provenientes da reoneração do diesel.

Haddad explicou: “Inicialmente, o programa estava previsto para receber R$ 1,5 bilhão, mas agora serão destinados R$ 1,8 bilhão, mantendo minha afirmação inicial de que o valor ficaria abaixo de R$ 2 bilhões. Essa ampliação ocorre devido à reoneração do diesel, motivada pela queda do dólar e do preço do petróleo”.

A estrutura original do programa contemplava a seguinte distribuição de recursos:

  • R$ 500 milhões para automóveis;
  • R$ 700 milhões para caminhões;
  • R$ 300 milhões para vans e ônibus.

Segundo os últimos dados divulgados pelo MDIC, as fabricantes de automóveis já solicitaram R$ 420 milhões em créditos tributários dos R$ 500 milhões disponíveis.

Os benefícios concedidos para veículos de transporte de passageiros totalizaram R$ 140 milhões, enquanto para veículos de transporte de cargas foram destinados R$ 100 milhões.

Programa de carro zero é ampliado com aumento no preço do diesel

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que, como forma de compensação para estender o programa a um total de R$ 1,8 bilhão, o litro do diesel sofrerá uma nova reoneração de R$ 0,03 a partir de outubro. A seguir, veja os detalhes:

Quando o programa foi lançado no início de junho, o governo anunciou que a fonte de recursos seria a reoneração do diesel em R$ 0,11 a partir de setembro.
De acordo com Haddad, essa reoneração a partir de setembro resultaria em uma arrecadação de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 1,5 bilhão seriam inicialmente destinados ao financiamento do programa.

Agora, com a prorrogação do programa, o governo utilizará o excedente de R$ 100 milhões e aumentará ainda mais o valor do litro do diesel por meio da reoneração, arrecadando os outros R$ 200 milhões necessários.
Dessa forma, a partir de outubro, o litro do diesel será reonerado em mais R$ 0,03, atingindo um valor de R$ 0,14 por litro.

Montadoras

Um vídeo capturado pela TV Globo mostrou o pátio da montadora Volkswagen em São Bernardo do Campo repleto de milhares de veículos aguardando para serem comercializados. Essa imagem gerou repercussão e evidenciou o desafio enfrentado pelas montadoras em escoar sua produção.

Diante do acúmulo de estoque, a Volkswagen decidiu interromper temporariamente a produção em suas fábricas devido à “estagnação do mercado”. Em outras palavras, a empresa continua sofrendo com a falta de demanda por veículos novos, o que já havia levado as principais montadoras do país a paralisarem suas atividades no início do ano.

A redução de preços adotada pelas empresas não foi suficiente para impulsionar as vendas, resultando em estoques volumosos e na necessidade de medidas drásticas para ajustar a produção.

Preços-base não vão mudar

Apesar dos pátios abarrotados, os preços dos veículos não serão reduzidos. Segundo especialistas ouvidos pelo g1 em março, o excedente de produção não resultará em condições favoráveis para a comercialização, contrariando a teoria da oferta e demanda na economia. Os analistas argumentam que as montadoras precisam recuperar as perdas enfrentadas durante a pandemia de Covid-19.

As empresas enfrentaram custos de produção elevados devido a problemas logísticos e escassez de matérias-primas nos últimos anos, e agora estão em busca de recuperar o dinheiro perdido. Embora as cadeias logísticas tenham apresentado melhorias em 2022, o conflito na Ucrânia trouxe novos impactos nos preços das commodities essenciais para a indústria.

Um exemplo disso é a escassez de metais usados na fabricação de semicondutores, componentes essenciais para a condução de correntes elétricas. Esses chips são indispensáveis na montagem de automóveis e dispositivos eletrônicos, os quais também tiveram aumento na demanda durante a pandemia.

Além disso, o mercado automotivo enfrenta um momento de alta competitividade, pois as montadoras estão correndo contra o tempo para desenvolver veículos que operem com novas fontes de energia, como a eletrificação. Isso demanda investimentos em pesquisa e eficiência, a fim de garantir que o produto final tenha um preço competitivo dentro do mercado.

Equipe MI

Equipe de redatores do portal Melhor Investimento.