Petróleo em alta pode levar Banco Central a adiar corte da Selic

Mercado vê risco maior de manutenção dos juros com pressão inflacionária

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Última atualização:  18 de mar, 2026 às 11:35
Bomba de extração com petróleo em alta, cenário que pode adiar o corte de juros da Selic no Brasil. Foto: Envato Elements

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (18) a taxa básica de juros da economia, a Selic, que atualmente está em 15% ao ano.

A expectativa majoritária do mercado ainda é de um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,75%, mas o cenário ficou mais incerto nos últimos dias por causa da alta do petróleo no mercado internacional.

A mudança nas expectativas ocorre após a intensificação de tensões no Oriente Médio, que elevou os preços da commodity e aumentou o risco de novas pressões inflacionárias. Com isso, parte dos investidores passou a considerar a possibilidade de manutenção dos juros no nível atual.

Expectativas do mercado mudam rapidamente

No fim de fevereiro, a maior parte dos agentes apostava em um corte mais forte da Selic, de 0,50 ponto percentual. Esse cenário perdeu força ao longo de março.

Hoje, a expectativa predominante é de uma redução mais moderada, de 0,25 ponto. Ainda assim, cresceu o grupo que vê o Banco Central optando por manter os juros em 15%, refletindo o aumento das incertezas externas.

Esse movimento mostra como o cenário global tem influenciado diretamente as decisões de política monetária no Brasil, especialmente em momentos de maior volatilidade.

Petróleo pressiona inflação e pesa na decisão

A alta do petróleo tem impacto direto na economia brasileira. Mesmo sendo produtor, o país ainda depende de importações para parte do consumo, principalmente de derivados como o diesel.

Com o encarecimento do combustível, aumentam os custos de transporte e produção, o que pode levar à alta de preços em diferentes setores, incluindo alimentos. Esse efeito tende a dificultar o controle da inflação, principal objetivo do Banco Central.

Além disso, reajustes recentes nos preços dos combustíveis já começaram a ser repassados ao consumidor, reforçando o risco inflacionário no curto prazo.

Inflação e credibilidade seguem no radar

Nos últimos meses, a inflação mostrou sinais de desaceleração, o que abriu espaço para discussões sobre o início do ciclo de queda de juros. Ainda assim, o cenário exige cautela.

A combinação de pressões externas, como o petróleo, e fatores internos, como a inflação de serviços, mantém o Banco Central em posição mais conservadora. A autoridade monetária busca garantir que a inflação continue convergindo para a meta antes de iniciar cortes mais consistentes na Selic.

Diante disso, a decisão do Copom deve refletir um equilíbrio entre a melhora recente dos indicadores e os riscos ainda presentes, com possível sinalização de cautela para os próximos meses.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.