Neon tem seu primeiro trimestre lucrativo, mas ainda fecha 2025 no vermelho

A Neon registrou seu primeiro trimestre lucrativo no quarto trimestre de 2025, impulsionada pela expansão da carteira de crédito e crescimento de 55% na receita, que atingiu R$ 3,5 bilhões.

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14 de abr, 2026 às 16:00
Close-up das mãos de uma pessoa segurando um smartphone que exibe a imagem de um cartão de crédito digital da Neon com a bandeira Visa. Imagem: Divulgação

A Neon alcançou um marco relevante ao registrar seu primeiro trimestre com lucro, mas ainda não conseguiu encerrar 2025 no azul. A fintech brasileira apresentou forte crescimento de receita, expansão da carteira de crédito e melhora expressiva nos resultados, embora o prejuízo anual mostre que a rentabilidade ainda não está totalmente consolidada.

O desempenho foi divulgado com base nos resultados de 2025, período em que a empresa acelerou sua estratégia de crédito e reforçou sua estrutura operacional. O avanço ocorre em um cenário competitivo dominado por grandes players digitais, como Nubank e Banco Inter, além de bancos tradicionais.

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A Neon encerrou 2025 com receita bruta de R$ 3,5 bilhões, o que representa um crescimento de 55% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, a empresa ainda registrou prejuízo de R$ 43 milhões no acumulado do ano, embora tenha reduzido significativamente as perdas frente aos R$ 357 milhões de 2024.

O principal destaque foi o lucro registrado no quarto trimestre, marcando a primeira vez que a fintech conseguiu fechar um período no azul. Esse resultado indica uma inflexão importante na trajetória da companhia, que vinha sinalizando essa possibilidade ao longo do ano, mas ainda sem comprovação nos balanços anteriores.

Expansão do crédito impulsiona resultados

O crescimento da carteira de crédito foi o principal motor por trás do desempenho da Neon. Ao final de 2025, a carteira total atingiu R$ 7,8 bilhões, avanço de 33% na comparação anual.

O cartão de crédito seguiu como principal produto, somando R$ 6,1 bilhões, com alta de 30%. Já o crédito consignado privado cresceu 48%, enquanto o empréstimo pessoal foi o grande destaque, com expansão de 172%.

Esse avanço mais intenso ocorreu principalmente no segundo semestre, quando a fintech acelerou sua estratégia de concessão de crédito de forma mais seletiva. Com isso, a Neon conseguiu ampliar receitas sem comprometer, na mesma proporção, a qualidade da carteira.

Controle de risco em cenário adverso

Outro fator relevante para o resultado foi a disciplina na gestão de risco. Mesmo com o aumento da inadimplência no mercado — que, segundo a empresa, subiu mais de 30% —, a Neon conseguiu manter estáveis as despesas com provisões, proporcionalmente ao crescimento da carteira.

Esse controle indica maior eficiência nos modelos de análise de crédito e reforça a capacidade da empresa de crescer de forma sustentável. Em um ambiente de juros elevados e maior risco de calote, esse ponto é considerado estratégico para a consolidação da rentabilidade.

Desafios: lucro ainda não é consistente

Apesar do avanço e do primeiro trimestre lucrativo, a Neon ainda enfrenta obstáculos importantes. O principal deles é o fato de que o lucro ainda não é recorrente, já que o resultado positivo ficou restrito ao último trimestre.

Além disso, a fintech captou R$ 5,3 bilhões em CDBs, o que fortalece sua base de funding, mas também aumenta suas obrigações financeiras. Esse equilíbrio entre crescimento e custo de capital será determinante para os próximos anos.

Outro desafio relevante está na concorrência. A Neon ainda possui menor penetração de marca em comparação a rivais como Nubank e Banco Inter, o que pode limitar sua capacidade de expansão em um mercado já bastante disputado.

Mudanças na gestão e foco estratégico

Para sustentar o crescimento, a empresa também promoveu mudanças importantes em sua liderança ao longo de 2025. Executivos com experiência em instituições financeiras e tecnologia foram incorporados à equipe, reforçando áreas-chave como risco, compliance e tecnologia.

Esse movimento indica que a Neon busca não apenas crescer, mas também fortalecer sua governança e estrutura operacional — fatores essenciais para alcançar lucro consistente.

Perspectivas: monetização da base será decisiva

Com uma base de cerca de 32 milhões de clientes, o principal desafio da Neon para 2026 será ampliar a monetização. Isso significa converter mais usuários em clientes ativos de crédito e aumentar a rentabilidade por cliente.

A continuidade da estratégia de crédito, aliada ao controle de inadimplência e ao equilíbrio no custo de funding, será fundamental para que a fintech consiga transformar o crescimento atual em lucro anual.

Assim, embora a Neon tenha seu primeiro trimestre lucrativo, mas ainda feche 2025 no vermelho, o cenário indica que a empresa está mais próxima de atingir um resultado positivo sustentável — algo que pode se concretizar nos próximos ciclos, caso mantenha o ritmo atual.