Motiva (MOTV3) registra alta de 68,3% no lucro líquido do 4º trimestre com reestruturação de concessões

A Motiva (MOTV3), antiga CCR, encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 606 milhões, crescimento de 68,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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10 de fev, 2026 às 12:00
O trem tem a frente predominantemente preta com uma faixa vertical central em amarelo vibrante. Imagem: Reprodução / Site Motiva

A Motiva (MOTV3), antiga CCR, apresentou um crescimento de 68,3% no lucro líquido ajustado do quarto trimestre de 2025, alcançando R$ 606 milhões, impulsionada principalmente pela reestruturação do portfólio de concessões, ganhos de eficiência operacional e melhora expressiva nas margens. Os números foram divulgados no balanço financeiro publicado na última segunda-feira (9) e superaram as expectativas do mercado.

O resultado reforça o avanço do processo de transformação da companhia, iniciado em 2023, e evidencia os efeitos positivos da revisão estratégica de ativos, que incluiu a saída de operações menos rentáveis e a incorporação de novas concessões rodoviárias. A Motiva atua em diferentes regiões do Brasil, com destaque para São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

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O lucro líquido ajustado da Motiva (MOTV3) no quarto trimestre ficou bem acima das projeções de analistas, que esperavam, em média, um resultado de R$ 501 milhões, segundo dados compilados pela LSEG. O desempenho mais forte reflete, sobretudo, a melhora da rentabilidade operacional após ajustes relevantes no portfólio.

Na avaliação do mercado, o resultado indica maior previsibilidade de caixa e uma estrutura operacional mais eficiente, fatores que tendem a fortalecer a tese de investimento no médio e longo prazo.

Ebitda cresce mais de 25% e margem atinge 62,4%

Outro destaque do balanço foi o avanço do Ebitda ajustado, que somou R$ 2,5 bilhões no período, representando um crescimento de 25,2% na comparação anual. A margem Ebitda subiu 9,2 pontos percentuais, atingindo 62,4%, um dos níveis mais elevados da história recente da companhia.

Segundo a empresa, o desempenho operacional foi beneficiado pela combinação de aumento de eficiência, revisão de contratos e redução de custos associados a operações descontinuadas. A melhora da margem indica maior capacidade de geração de caixa, ponto considerado essencial em empresas intensivas em capital como as concessionárias de infraestrutura.

Reestruturação do portfólio impulsiona resultados da Motiva (MOTV3)

A reestruturação do portfólio foi um dos principais fatores por trás do crescimento do lucro da Motiva (MOTV3). Entre as mudanças mais relevantes estão o encerramento da operação de barcas no Rio de Janeiro e a repactuação de contratos de concessões rodoviárias em São Paulo e no Mato Grosso do Sul.

Além disso, a companhia passou a operar novas concessões, como a PRVias, no Paraná, e a Rota Sorocabana, em São Paulo. Esses ativos apresentam perfil de retorno mais atrativo e contratos considerados mais equilibrados do ponto de vista econômico-financeiro.

A estratégia segue a tendência observada em outras empresas do setor, que vêm priorizando ativos com maior previsibilidade de receita e menor risco regulatório.

Controle de custos e eficiência operacional avançam

No campo operacional, a Motiva alcançou um marco importante ao antecipar em um ano a meta de eficiência de custos. A relação entre custos operacionais e receita líquida ajustada ficou em 37,5%, abaixo do objetivo originalmente traçado de 38%.

Esse indicador reforça o sucesso das medidas de racionalização adotadas pela companhia, que incluem otimização de processos, revisão de contratos com fornecedores e foco em escala operacional nas concessões mais rentáveis.

Alavancagem financeira permanece controlada

Apesar dos investimentos e da entrada de novos ativos, a alavancagem financeira ajustada da Motiva encerrou 2025 em 3,6 vezes, acima das 3,3 vezes registradas no fim de 2024, mas estável em relação ao terceiro trimestre.

Segundo a companhia, o indicador reflete o equilíbrio entre novos investimentos e a contribuição de caixa das concessões recém-incorporadas, além da contínua otimização do portfólio.

Venda dos aeroportos deve fortalecer estrutura de capital

Outro ponto relevante é o processo de venda dos ativos aeroportuários da Motiva para a mexicana Asur, em uma transação avaliada em R$ 11,5 bilhões. A operação, ainda em andamento, é vista pelo mercado como um potencial catalisador para redução da alavancagem e reforço do caixa.

No balanço, o presidente-executivo da companhia, Miguel Setas, afirmou que os resultados de 2025 demonstram a consolidação do processo de transformação da Motiva, destacando o foco em ativos estratégicos e maior disciplina financeira.

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