Moro denuncia “manobra” na CCJ em meio à disputa por Jorge Messias no STF

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal gerou tensão no Senado após Sergio Moro denunciar uma suposta “manobra” do governo na Comissão de Constituição e Justiça.

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28 de abr, 2026 às 17:30
O ex-juiz e atual senador Sergio Moro é visto de frente, em um plano médio. Imagem: Waldemir Barreto/Ag. Senado

A indicação de Jorge Messias ao STF ganhou novos contornos políticos após o senador Sergio Moro (PL-PR) afirmar que foi retirado da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) às vésperas da sabatina do indicado. Segundo o parlamentar, a mudança seria uma tentativa do governo de facilitar a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O episódio ocorre em um momento decisivo do processo, que envolve articulações intensas no Senado e um placar considerado apertado tanto na comissão quanto no plenário.

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A nomeação de Jorge Messias ao STF é o centro da atual disputa política em Brasília. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o atual advogado-geral da União precisa passar por duas etapas no Senado: a sabatina na CCJ e, posteriormente, a votação no plenário.

Para ser aprovado, Messias precisa do apoio da maioria simples na comissão e, depois, de pelo menos 41 votos entre os 81 senadores. O governo estima contar com cerca de 45 votos favoráveis, mas trabalha para ampliar essa margem para algo próximo de 50, reduzindo riscos de derrota. Esse cenário torna cada voto decisivo e eleva a tensão política em torno da indicação.

Acusação de “manobra” na CCJ

O episódio mais recente envolve a saída de Sergio Moro da CCJ. Em declaração pública, o senador classificou a mudança como uma “manobra” do governo para favorecer a aprovação de Jorge Messias ao STF.

De acordo com Moro, a decisão reflete insegurança do Palácio do Planalto diante de um placar incerto. Mesmo fora da comissão, ele afirmou que continuará atuando contra a indicação e garantiu que votará contra no plenário.

A acusação amplia o tom de confronto entre governo e oposição, que já vinha se intensificando desde o anúncio do nome de Messias para a vaga na Suprema Corte.

Troca de integrantes às vésperas da sabatina

A substituição de Moro ocorreu um dia antes da sabatina na CCJ, etapa considerada fundamental para a aprovação de qualquer indicado ao STF. Segundo o senador, ele foi trocado por Renan Filho (MDB-AL), em uma movimentação estratégica para reorganizar a base governista.

Mudanças na composição de comissões são permitidas pelo regimento, mas, quando ocorrem em momentos decisivos, costumam gerar questionamentos políticos. Nesse caso, a proximidade da sabatina aumentou a repercussão do episódio e reforçou a percepção de disputa voto a voto.

Placar apertado na Comissão de Constituição e Justiça

Nos bastidores, a avaliação é de que o governo enfrenta dificuldades para garantir uma margem confortável na CCJ. O colegiado é composto por 27 senadores, e a aprovação exige maioria simples.

Estimativas indicam que Jorge Messias teria cerca de 13 votos favoráveis — número próximo do mínimo necessário. Isso faz com que qualquer mudança na composição ou posicionamento de senadores tenha impacto direto no resultado.

Esse equilíbrio delicado explica a intensificação das articulações políticas e a sensibilidade em torno de cada movimento dentro da comissão.

Estratégia do governo para ampliar apoio

Diante do cenário apertado, o governo tem adotado uma estratégia ativa de negociação para consolidar apoios. O objetivo não é apenas garantir a aprovação de Jorge Messias ao STF, mas também evitar surpresas durante a votação.

A atuação envolve diálogo com partidos do centro, reforço da base aliada e ajustes na composição de colegiados estratégicos, como a própria CCJ.

Oposição mobilizada e votação sob pressão

Do outro lado, a oposição tem se mobilizado para dificultar a aprovação. A retirada de Moro da CCJ é vista por aliados como um indicativo de que o governo enfrenta resistência relevante.

Mesmo fora da comissão, o senador reafirmou que atuará contra o nome de Jorge Messias ao STF na votação final. Esse posicionamento reforça o ambiente de polarização e indica que o processo será acompanhado de perto até sua conclusão.