Sabatina de Jorge Messias ao STF começa com placar apertado e tensão no Senado

A sabatina de Jorge Messias ao STF começou no Senado em meio a forte incerteza e expectativa de placar apertado.

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Última atualização:  29 de abr, 2026 às 16:15
Fotografia de Jorge Rodrigo Araújo Messias, Ministro da Advocacia-Geral da União, durante uma sessão oficial. Imagem: Cristiano Mariz

A sabatina de Jorge Messias ao STF começou nesta quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em Brasília, cercada por incertezas políticas e expectativa de um placar apertado. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o atual advogado-geral da União enfrenta um cenário dividido entre senadores, o que transforma a votação em um teste relevante da base governista.

O processo ocorre em meio a tensões com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e deve influenciar diretamente o ritmo das pautas prioritárias do governo no Congresso ao longo do ano.

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A sabatina de Jorge Messias ao STF é vista por aliados do Palácio do Planalto como um termômetro da governabilidade. Embora a expectativa oficial seja de aprovação, o número elevado de indecisos mantém o cenário aberto.

Levantamentos indicam cerca de 25 votos favoráveis e 22 contrários, enquanto mais de 30 senadores evitam declarar posição. Como são necessários ao menos 41 votos no plenário, o indicado precisa conquistar apoio significativo entre os parlamentares que ainda não se comprometeram publicamente.

A votação secreta tende a favorecer o governo, já que reduz o custo político para adesões de última hora. Ainda assim, há receio de perdas silenciosas — situação semelhante à que ocorreu na aprovação de Flávio Dino, cujo placar final ficou abaixo das projeções iniciais.

Tensão com Alcolumbre amplia incerteza

Um dos principais fatores que tornam a sabatina de Jorge Messias ao STF imprevisível é a postura de Davi Alcolumbre. Apesar de garantir a condução institucional do processo, o senador não declarou apoio público ao indicado nem orientou sua base.

Nos bastidores, o desconforto aumentou após a divulgação de um encontro reservado entre Messias, Alcolumbre e ministros do Supremo Tribunal Federal. O episódio foi interpretado como pressão indevida, o que teria reduzido a disposição do senador em fazer um gesto político favorável.

Sem esse sinal claro, parte dos parlamentares optou por manter posição indefinida, aguardando o desenrolar da votação.

Articulação política e mudanças na CCJ

Para tentar garantir vantagem, o governo promoveu mudanças na composição da CCJ. A substituição de membros considerados indecisos ou críticos fortaleceu a base governista, que passou a contar com maioria mais confortável dentro da comissão.

A oposição também reagiu, alterando seus representantes no colegiado, mas aliados do Planalto avaliam que ainda há margem favorável para aprovação nesta primeira etapa.

Paralelamente, Jorge Messias intensificou a articulação direta com senadores. O indicado tem buscado conversas individuais, adaptando seu discurso conforme as resistências encontradas. Entre os principais pontos defendidos estão a previsibilidade das decisões judiciais e o respeito à autonomia do Legislativo.

Estratégia para reduzir resistências

Na reta final antes da sabatina, Messias adotou um tom mais moderado e institucional. Em temas sensíveis, como aborto, sinalizou que pretende seguir o que já está previsto na legislação, evitando embates com o Congresso.

Além disso, encontros com bancadas e lideranças partidárias foram utilizados para consolidar apoios, especialmente entre senadores de centro, considerados decisivos para o resultado.

Impacto na agenda do governo

O desfecho da sabatina de Jorge Messias ao STF terá efeitos que vão além da indicação. No entorno de Lula, a avaliação é de que o tamanho da vitória — e não apenas a aprovação — indicará o nível de sustentação política do governo no Senado.

Projetos relevantes, como propostas na área de segurança pública e mudanças econômicas, dependem dessa articulação. Um placar apertado pode sinalizar dificuldades futuras na tramitação de matérias prioritárias.

Por outro lado, uma eventual rejeição — considerada improvável — teria impacto histórico, já que seria a primeira vez que o Senado barraria um indicado ao Supremo.

Como funciona a sabatina e votação

O processo de aprovação de um ministro do STF ocorre em duas etapas no Senado:

  • CCJ: o indicado é sabatinado e avaliado pela comissão, precisando de maioria simples para avançar;
  • Plenário: todos os 81 senadores votam de forma secreta, sendo necessários pelo menos 41 votos favoráveis.

Caso aprovado, Jorge Messias será nomeado e tomará posse no Supremo, ocupando uma cadeira estratégica na mais alta Corte do país.