O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rejeitou qualquer alteração na meta de inflação estabelecida para o ano de 2024 durante a próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), marcada para esta quinta-feira. Em uma entrevista à jornalista Miriam Leitão transmitida pela GloboNews, Haddad afirmou que a meta para o próximo ano já está definida e não sofrerá modificações, enfatizando que as discussões se concentram no futuro.

A atual meta de inflação para 2024 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, abrangendo uma faixa que vai de 1,5% a 4,5%. Essa declaração vai de encontro à pressão exercida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu partido, o PT, que defendem uma revisão das metas, alegando que elas são demasiadamente baixas diante do atual cenário econômico brasileiro e mundial.

Desde o início de seu terceiro mandato, Lula tem criticado publicamente as metas atuais e tem solicitado sua revisão. Durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto no início de abril, quando questionado sobre as medidas necessárias para reduzir as taxas de juros, Lula declarou: “Se a meta está errada, muda-se a meta. Vamos ter que encontrar uma maneira de fazer o Banco Central começar a reduzir as taxas de juros.”

No entanto, na entrevista à GloboNews, Haddad deixou claro que não pretende abordar esse assunto durante a reunião de amanhã, onde se reunirá com os outros membros do CMN: a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele enfatizou que as discussões estão voltadas para o futuro e mencionou que a meta de 2026 estará na pauta do encontro.

Revisão do período estabelecido para definir meta de inflação

Apesar disso, Haddad reforçou seu apoio a uma alteração no período estabelecido para cada meta. Atualmente, o Brasil adota o ano-calendário, o que implica que o Banco Central deve encerrar cada ano com a inflação dentro dos limites estabelecidos pelo CMN. Para o ministro da Fazenda, essa abordagem coloca uma pressão desnecessária sobre o Banco Central.

“Somente dois países adotam uma meta de inflação baseada no ano-calendário; a maioria dos países estabelece horizontes de tempo relevantes para acomodar possíveis impactos econômicos”, explicou Haddad. Ele acrescentou que essa é uma área em que o Brasil está atrasado em relação ao resto do mundo no que diz respeito às melhores práticas de política econômica. Haddad afirmou que considera necessário fazer essa atualização para melhorar o funcionamento do sistema.

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Equipe MI

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