Marisa (AMAR3) registra prejuízo de R$ 70,3 milhões no 4º trimestre de 2025
A Marisa (AMAR3) registrou prejuízo líquido de R$ 70,3 milhões no 4º trimestre de 2025, revertendo o lucro de R$ 5,8 milhões do ano anterior.
Imagem: Renan Dantas / Money Times
A Marisa (AMAR3) prejuízo 4º trimestre chamou atenção do mercado na última terça-feira (31), ao divulgar seu balanço financeiro referente ao último trimestre de 2025. A varejista, que atua principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, apresentou prejuízo líquido de R$ 70,3 milhões, revertendo o lucro de R$ 5,8 milhões registrado no mesmo período de 2024. O resultado refletiu uma queda na receita líquida, ajustes estratégicos e condições climáticas menos favoráveis.
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A receita líquida da Marisa somou R$ 458 milhões, uma redução de 2,2% em comparação ao 4º trimestre de 2024. Segundo o CEO Edson Garcia, a companhia optou por priorizar a rentabilidade em vez de ações promocionais, mesmo sabendo que isso poderia limitar o crescimento das vendas.
No trimestre anterior, a estratégia era diferente: o foco estava no crescimento da receita e do volume de vendas, com promoções mais agressivas que impulsionaram o faturamento. A mudança de abordagem explica, em parte, o resultado negativo do período.
Impacto do clima e localização das lojas
Além da estratégia interna, fatores externos também afetaram o desempenho. Temperaturas mais amenas durante o trimestre impactaram principalmente as regiões Sul e Sudeste, onde 60% das lojas da Marisa estão localizadas. Com menos demanda por roupas de verão, a empresa optou por não acelerar promoções para aumentar vendas, reforçando a decisão de priorizar margens de lucro.
Essa combinação de estratégia de rentabilidade e condições climáticas explica, segundo a própria empresa, a queda da receita líquida, apesar da sólida base de clientes ativos, que soma 7 milhões de pessoas.
Margens e EBITDA mostram retração
Apesar do prejuízo, a empresa registrou avanço na margem bruta, que subiu 1,7 ponto percentual, alcançando 54,4% no período. Por outro lado, o EBITDA caiu 44%, totalizando R$ 67,3 milhões, com margem recuando de 25,7% para 14,7%.
Esses números indicam que, embora a Marisa tenha conseguido manter uma margem bruta saudável, os custos operacionais e a queda do faturamento impactaram diretamente o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Estrutura de lojas e possíveis ajustes
Ao final de 2025, a Marisa contava com 230 lojas, quatro a menos que em 2024, reforçando um processo de otimização da rede física. O CEO afirmou que novos fechamentos não estão descartados, mas acredita que o maior esforço de reestruturação já foi realizado.
A empresa segue mantendo a atenção sobre o desempenho das lojas físicas, enquanto continua investindo em estratégias para melhorar margens e rentabilidade.
Perspectivas para 2026
Mesmo diante de um cenário de juros elevados, com a Selic em 14,75% ao ano, a Marisa se mantém otimista para 2026. O CEO informou que os primeiros três meses do ano estão em linha com o orçamento, o que sugere recuperação gradual e estabilidade na performance da varejista.
A companhia espera que a combinação de uma gestão focada em margens e otimização da rede de lojas ajude a sustentar o desempenho financeiro, mesmo em um ambiente econômico desafiador.