Le Pen confirma candidatura à Presidência da França em 2027 após decisão da Justiça

Marine Le Pen confirmou que disputará a Presidência da França em 2027 após a Justiça reduzir sua inelegibilidade, apesar de manter sua condenação por uso indevido de recursos públicos.

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Última atualização:  07 de jul, 2026 às 18:14
Fotografia de Marine Le Pen em plano médio, olhando ligeiramente para cima e para a esquerda com um leve sorriso. Ela tem cabelos loiros na altura dos ombros, usa um terno preto sobre uma blusa branca e está com a mão direita espalmada sobre o peito. O fundo é composto por painéis nas cores azul e branca. Foto: REUTERS/Yves Herman

Marine Le Pen confirma candidatura à Presidência da França em 2027 mesmo após ter sua condenação por uso indevido de recursos públicos mantida pela Justiça francesa. O anúncio foi feito nesta terça-feira (7), poucas horas depois da decisão do tribunal de apelação que reduziu o período de inelegibilidade da líder do Reagrupamento Nacional, permitindo que ela permaneça apta a disputar a sucessão do presidente Emmanuel Macron. Ao mesmo tempo, Le Pen informou que recorrerá à mais alta Corte do país para tentar reverter as demais punições impostas no processo.

A decisão judicial praticamente encerra as dúvidas sobre quem representará a principal força da extrema direita francesa nas eleições presidenciais de 2027. Com isso, a campanha eleitoral ganha um novo impulso, em um momento em que as pesquisas de opinião colocam Le Pen entre os nomes mais competitivos da disputa.

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Durante entrevista concedida à emissora francesa TF1, Marine Le Pen afirmou que não pretende recuar da candidatura, apesar da condenação judicial. Segundo ela, o recurso que será apresentado à Corte máxima da França poderá suspender o cumprimento de parte da pena enquanto o caso é analisado.

A decisão do tribunal de apelação manteve a condenação por desvio de recursos públicos relacionados ao período em que Le Pen atuou como deputada do Parlamento Europeu. No entanto, os magistrados reduziram o tempo de inelegibilidade estabelecido na sentença de primeira instância, o que possibilita sua participação na eleição presidencial.

Além disso, a líder do Reagrupamento Nacional deverá cumprir outras medidas determinadas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, embora espere que o recurso adie a execução dessa obrigação.

Entenda a condenação da líder da extrema direita

O processo envolve o suposto uso irregular de aproximadamente 474 mil euros entre 2009 e 2016. Segundo a acusação, recursos destinados ao funcionamento do Parlamento Europeu teriam sido utilizados para remunerar assessores ligados ao partido de Le Pen.

Os investigadores também sustentam que integrantes do Reagrupamento Nacional participaram de um esquema que desviava recursos públicos para reduzir os custos administrativos da legenda.

Marine Le Pen sempre negou irregularidades e afirma que o processo possui motivação política. A defesa pretende contestar a decisão na mais alta instância do Judiciário francês.

Campanha presidencial começa imediatamente

Poucas horas após a divulgação da decisão judicial, Le Pen iniciou oficialmente sua campanha para as eleições de 2027. A candidata publicou seu cartaz eleitoral, lançou o site oficial da campanha e confirmou seus primeiros compromissos públicos.

A agenda começa na região de La Sarthe, onde ela participará de um evento ao lado de Jordan Bardella, atual presidente do Reagrupamento Nacional e considerado seu principal aliado político.

Durante o período em que a candidatura de Le Pen esteve ameaçada pela possibilidade de inelegibilidade, Bardella chegou a ser apontado como provável candidato da legenda. Agora, com a decisão favorável, ele retorna ao papel de principal coordenador político da campanha.

Le Pen também afirmou que, caso seja eleita presidente da França, pretende indicar Bardella para ocupar o cargo de primeiro-ministro.

Especialistas avaliam impacto político da decisão

Analistas franceses entendem que a confirmação da candidatura fortalece o Reagrupamento Nacional na corrida presidencial.

Segundo especialistas, Le Pen continua sendo o principal ativo eleitoral do partido, principalmente por reunir maior experiência em campanhas nacionais do que Jordan Bardella.

Outro ponto destacado por cientistas políticos é que a manutenção da candidatura também representa uma estratégia para manter mobilizada sua base eleitoral enquanto tenta reverter judicialmente a condenação.

Ainda assim, o processo permanece aberto, já que a decisão poderá ser analisada pela mais alta Corte francesa.

Adversários criticam permanência na disputa

A confirmação da candidatura provocou reações entre políticos de diferentes correntes ideológicas.

Lideranças de centro afirmaram que Le Pen deveria explicar aos eleitores por que decidiu disputar a Presidência mesmo após uma condenação judicial. Representantes da esquerda, por sua vez, defenderam que uma candidatura nessas condições levanta questionamentos sobre ética e responsabilidade pública.

Apesar das críticas, a líder da extrema direita afirmou que pretende deixar a decisão final nas mãos dos eleitores franceses.

Reagrupamento Nacional chega fortalecido para 2027

Ao longo dos últimos anos, Marine Le Pen conduziu um processo de reposicionamento do Reagrupamento Nacional. Desde que assumiu o comando da legenda em 2011, promoveu mudanças na imagem do partido, afastando algumas propostas consideradas mais radicais e buscando ampliar seu alcance eleitoral.

Entre as alterações mais relevantes estão o abandono da defesa da saída da França da União Europeia e da zona do euro, além da suavização de algumas posições sobre temas sociais.

Mesmo assim, o partido continua defendendo políticas mais rígidas de imigração e a chamada prioridade nacional, que prevê preferência para cidadãos franceses no acesso a determinados benefícios públicos.

O fortalecimento eleitoral da legenda também pode ser observado no Parlamento francês, onde o partido ampliou sua representação nos últimos anos e consolidou uma posição de destaque no cenário político nacional.

Eleição pode marcar mudança histórica na política francesa

A disputa presidencial de 2027 ocorre em um contexto diferente das eleições anteriores. Emmanuel Macron está impedido constitucionalmente de disputar um terceiro mandato consecutivo, abrindo espaço para uma renovação na liderança do país.

Depois de chegar ao segundo turno nas eleições de 2017 e 2022, Marine Le Pen tentará conquistar a Presidência pela quarta vez. O cenário é considerado por analistas como o mais favorável de sua trajetória política, impulsionado pelo crescimento do Reagrupamento Nacional e pelo desempenho da legenda nas pesquisas de intenção de voto.

Enquanto a batalha judicial continua, a campanha eleitoral já começou, colocando novamente Marine Le Pen no centro do debate político francês e tornando a eleição de 2027 uma das mais acompanhadas da Europa.