Ações do Santander caem 21% em 2026 e reacendem rumores sobre fechamento de capital
O desempenho discrepante em relação a matriz espanhola, o avanço da inadimplência e o desconto histórico nas ações reacendem debates sobre um eventual fechamento de capital da subsidiária brasileira.
Imagem: Santander/Reprodução
O desempenho do Santander Brasil em 2026 tem chamado a atenção do mercado financeiro. Enquanto a controladora espanhola acumula valorização expressiva de suas ações ao longo do ano, os papéis negociados na B3 seguem na direção oposta, refletindo um ambiente mais desafiador para a operação brasileira e alimentando especulações sobre possíveis mudanças estratégicas.
Desde o início do ano, as ações do banco acumulam queda de aproximadamente 21%, ao passo que a matriz, sediada na Espanha, registra alta próxima de 24%. A diferença ampliou o desconto entre as duas companhias e levou a relação entre preço de mercado e valor patrimonial da subsidiária brasileira ao maior distanciamento desde sua abertura de capital, em 2009.
Desconto nas ações volta a alimentar rumores
A forte diferença de avaliação reacendeu discussões sobre um eventual fechamento de capital da operação brasileira, hipótese que circula entre analistas desde 2025.
Atualmente, cerca de 10% das ações do Santander Brasil permanecem em circulação no mercado, participação avaliada em aproximadamente R$ 10,6 bilhões. Para parte dos analistas, esse percentual relativamente reduzido poderia tornar uma eventual oferta para aquisição das ações remanescentes financeiramente viável.
Em relatório divulgado no ano passado, o analista Eduardo Nishio, da Genial Investimentos, destacou que os múltiplos descontados, aliados à elevada capacidade de geração de capital do grupo espanhol, favorecem essa possibilidade. Apesar disso, até o momento não há qualquer anúncio oficial da instituição sobre uma operação desse tipo.
Histórico mostra que hipótese não é inédita
Uma eventual retirada da subsidiária brasileira da bolsa não seria uma iniciativa sem precedentes dentro do grupo.
Em 2014, o Santander já tentou fechar o capital da operação brasileira por meio de uma proposta de troca de ações pelos papéis da controladora espanhola. A iniciativa acabou rejeitada por acionistas minoritários, impedindo a conclusão da operação.
Nos últimos anos, o grupo também promoveu reorganizações societárias em outras empresas. Entre elas estão a saída da Getnet da bolsa brasileira em 2022, o fechamento do capital da operação de crédito ao consumidor nos Estados Unidos em 2021 e a incorporação da subsidiária mexicana em 2023.
Mais recentemente, o banco também ampliou sua presença internacional com novas aquisições, incluindo a integração do banco britânico TSB e o anúncio da compra da instituição financeira norte-americana Webster Financial.
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Ambiente econômico pressiona resultados
Além da desvalorização das ações, o Santander Brasil enfrenta um cenário operacional mais complexo. A combinação de juros elevados, inflação persistente e maior cautela dos consumidores elevou os desafios da concessão de crédito, principalmente para pessoas físicas.
Nesse contexto, a taxa de inadimplência da instituição avançou para 3,3% nos últimos doze meses, acima dos 2,8% registrados anteriormente.
O aumento dos atrasos no pagamento de empréstimos ocorre em um momento de maior aversão ao risco por parte dos investidores, o que também contribui para pressionar a avaliação de mercado do banco.
Reestruturação inclui fechamento de agências
Em resposta ao ambiente mais desafiador, o Santander intensificou seu processo de reestruturação operacional.
Nos últimos doze meses, a instituição fechou diversas agências e reduziu seu quadro de funcionários em aproximadamente 6.200 pessoas, o equivalente a cerca de 11% da força de trabalho no Brasil.
Segundo o banco, as medidas buscam elevar a eficiência operacional e adaptar a estrutura física às mudanças no comportamento dos clientes, cada vez mais concentrados nos canais digitais.
Concorrência das fintechs amplia pressão
Outro fator observado pelos analistas é o crescimento das fintechs e dos bancos digitais, que vêm conquistando espaço em segmentos tradicionalmente dominados pelas grandes instituições financeiras.
A maior competição por clientes, somada ao ambiente macroeconômico ainda restritivo, pressiona margens, aumenta a disputa por crédito e exige novos investimentos em tecnologia e inovação.
Embora o mercado continue especulando sobre possíveis movimentos estratégicos envolvendo a subsidiária brasileira, não há confirmação de que o Santander pretenda retirar suas ações da bolsa. Ainda assim, o desempenho dos papéis e o desconto histórico em relação à matriz permanecem no radar dos investidores, que acompanham de perto os próximos passos da instituição.