Santander (SANB11) frustra no 1T26 com alta da inadimplência e mercado mantém cautela; ação cai

O Santander Brasil reportou um resultado abaixo das expectativas no primeiro trimestre de 2026, com lucro de R$ 3,8 bilhões pressionado pela alta da inadimplência e pela fraqueza na receita.

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Última atualização:  29 de abr, 2026 às 12:34
Loja do banco Santander com logotipo vermelho e branco, destaque para o nome Santander e símbolo de uma folha de bordo estilizada, em ambiente urbano. Foto: Divulgação

O Santander Brasil frustrou no 1T26 com alta da inadimplência e mercado mantém cautela, após divulgar um lucro abaixo das expectativas e evidenciar piora na qualidade dos ativos. O resultado, apresentado nesta quarta-feira (29), levou a uma reação negativa dos investidores e reforçou a percepção de que o banco ainda enfrenta dificuldades para retomar um crescimento mais consistente.

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O principal fator por trás do desempenho mais fraco do Santander Brasil no primeiro trimestre de 2026 foi a deterioração da qualidade da carteira de crédito.

O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,3%, avanço de 20 pontos-base no trimestre e de 50 pontos-base em 12 meses. A piora foi disseminada, atingindo tanto pessoas físicas quanto pequenas e médias empresas (PMEs), com maior intensidade neste último segmento.

Além disso, a formação de novos créditos problemáticos somou R$ 7,2 bilhões no período, enquanto as provisões para perdas chegaram a R$ 6,3 bilhões, elevando o custo do risco para 4,5%. Esse movimento reflete um ambiente ainda desafiador, especialmente para famílias de menor renda e empresas menores, mais sensíveis ao cenário econômico.

Lucro fica abaixo do esperado e ação recua

O lucro líquido recorrente do Santander Brasil foi de R$ 3,8 bilhões no 1T26, resultado que ficou cerca de 6% abaixo do consenso de mercado. Na comparação com o trimestre anterior, houve queda de 7%, enquanto no confronto anual a retração foi de 1,9%.

A decepção com os números impactou diretamente o desempenho das units SANB11, que registraram queda no pregão após a divulgação.

Analistas destacam que, embora o resultado negativo já fosse parcialmente esperado, ele reforça o desempenho inferior do banco em relação a concorrentes como Itaú Unibanco e Bradesco ao longo dos últimos trimestres.

Receita segue pressionada no Santander no 1T26

Outro ponto de atenção no resultado do Santander no 1T26 foi a fraqueza na geração de receitas. A margem financeira líquida (NII) apresentou queda na comparação anual, ainda que tenha mostrado leve recuperação frente ao trimestre anterior.

A margem com mercado, ligada às operações de tesouraria, permaneceu negativa, em cerca de R$ 800 milhões, limitando a recuperação do resultado financeiro. Já a margem com clientes cresceu em relação ao mesmo período do ano anterior, mas recuou na base trimestral, refletindo a compressão dos spreads.

As receitas com tarifas também tiveram desempenho negativo, com queda de 6% no trimestre, influenciadas por fatores sazonais.

Crédito cresce pouco e limita avanço

A carteira de crédito do Santander Brasil apresentou retração de aproximadamente 1% no trimestre e crescimento modesto entre 2% e 3% na comparação anual.

O recuo foi puxado principalmente pela redução nas operações com pessoas físicas, parcialmente compensada pelo avanço no crédito ao consumo. Ainda assim, o ritmo é considerado fraco e insuficiente para impulsionar de forma mais relevante as receitas do banco.

Rentabilidade em queda reforça cautela

A rentabilidade do Santander também recuou no período. O retorno sobre o patrimônio (ROE) caiu para 15,7%, abaixo dos 17,2% registrados no trimestre anterior e dos 17,0% observados um ano antes.

Esse movimento reforça a percepção de menor eficiência na geração de resultados, especialmente em um contexto de maior pressão sobre receitas e aumento do custo do risco.

Controle de custos é destaque positivo

Apesar do cenário mais desafiador, o Santander apresentou disciplina na gestão de despesas. Os custos operacionais permaneceram praticamente estáveis na comparação anual, refletindo iniciativas de eficiência, como redução de agências e otimização da estrutura.

Com isso, o índice de eficiência melhorou para 37,7%, indicando avanço na produtividade e na digitalização das operações.

Capital segue confortável

O índice de capital principal (CET1) recuou para 11,2%, impactado por mudanças regulatórias e aumento dos ativos ponderados pelo risco. Ainda assim, o nível permanece acima das exigências mínimas, sem indicar preocupação imediata com solvência