Juros futuros sobem com IPCA-15 acima do esperado e pressão do petróleo
Inflação surpreende e guerra no Oriente Médio eleva cautela no mercado
Foto: Envato Elements
As taxas de juros futuros no Brasil fecharam em alta nesta quinta-feira (26), influenciadas pela divulgação do IPCA-15 de março acima do esperado, pela elevação do preço do petróleo e pela cautela dos investidores diante das tensões no Oriente Médio.
O movimento foi observado ao longo de todo o dia na B3, refletindo mudanças nas expectativas para a inflação e para a trajetória da taxa Selic.
Logo na abertura dos negócios, o mercado reagiu aos dados do IBGE, que apontaram alta de 0,44% no IPCA-15 em março.
O resultado veio acima das projeções de economistas, que esperavam avanço menor, e foi suficiente para pressionar a curva de juros, mesmo com sinais de desaceleração em alguns componentes da inflação.
Ao longo do pregão, contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram elevações expressivas, especialmente nos vencimentos mais longos. Esse comportamento indica maior preocupação do mercado com o cenário inflacionário e com a necessidade de uma política monetária mais cautelosa.
Inflação e petróleo no radar
Apesar de indicadores mostrarem alguma moderação em serviços, o dado cheio do IPCA-15 reforçou a percepção de que a inflação ainda exige atenção. Ao mesmo tempo, o cenário internacional contribuiu para ampliar a aversão ao risco.
A alta recente do petróleo, impulsionada pelas incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio, tem impacto direto nas expectativas de inflação global.
Com o barril em patamares elevados, investidores temem repasses de custos que possam pressionar preços no Brasil e em outras economias.
Esse ambiente externo mais desafiador também tem influenciado o comportamento dos juros internacionais, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que acaba refletindo nos ativos brasileiros.
Expectativas para a Selic mudam
Com o avanço das taxas futuras, o mercado passou a revisar suas apostas para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Antes, havia maior expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, mas agora cresce a percepção de que a redução pode ser menor, de 0,25 ponto.
Essa mudança reflete o aumento das incertezas, tanto no cenário doméstico quanto no externo. A combinação de inflação acima do esperado e riscos geopolíticos reforça a necessidade de cautela por parte do Banco Central.
Cenário segue volátil
Além dos dados de inflação, investidores também acompanharam a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central, que manteve projeções de crescimento econômico, mas reconheceu os riscos vindos do ambiente internacional.
Com isso, o mercado deve seguir atento aos próximos indicadores e aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que continuam sendo fatores-chave para o comportamento dos juros, do câmbio e da bolsa nas próximas semanas.
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