IPCA-15 sobe 0,44% em março e fica acima do esperado com pressão de alimentos

O IPCA-15 subiu 0,44% em março de 2026, acima das expectativas do mercado, segundo dados do IBGE.

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Última atualização:  26 de mar, 2026 às 09:20
Uma imagem em close-up mostrando a faixa 'ORDEM E PROGRESSO' da bandeira do Brasil. Sobre a bandeira, estão algumas notas de Real brasileiro e uma caneta preta e prateada, com a ponta apontando para a faixa. Foto: Envato Elements

O IPCA-15 sobe 0,44% em março de 2026, mostrando que a inflação segue pressionada no Brasil, especialmente pelos preços de alimentos e despesas pessoais. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e ficou acima das projeções do mercado.

Segundo levantamento da agência Reuters, a expectativa era de alta de 0,29% no mês e de 3,74% no acumulado de 12 meses. No entanto, o indicador veio mais forte, com avanço anual de 3,90%.

O resultado reforça o cenário de atenção com o custo de vida no país, principalmente diante da aceleração dos preços de itens essenciais dentro de casa.

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IPCA-15 sobe 0,44% em março com alta de alimentos e despesas pessoais

O principal fator por trás do resultado foi o grupo de Alimentação e bebidas, que registrou alta de 0,88% e respondeu pela maior contribuição no índice geral, com impacto de 0,19 ponto percentual.

Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio teve uma mudança relevante de trajetória, saltando de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. Esse movimento foi impulsionado por aumentos expressivos em produtos básicos consumidos diariamente.

Entre os destaques de alta:

  • Açaí: +29,95%
  • Feijão-carioca: +19,69%
  • Ovo de galinha: +7,54%
  • Leite longa vida: +4,46%
  • Carnes: +1,45%

Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter a inflação:

  • Café moído: -1,76%
  • Frutas: -1,31%

Esse comportamento mostra uma inflação heterogênea, com forte impacto concentrado em itens específicos da cesta básica.

Despesas pessoais reforçam pressão inflacionária

Outro grupo que contribuiu de forma significativa foi o de Despesas pessoais, com alta de 0,82% e impacto de 0,09 ponto percentual no índice.

Os principais responsáveis foram:

  • Serviços bancários: +2,12%
  • Empregado doméstico: +0,59%

Esse avanço indica que não apenas os alimentos, mas também os serviços continuam pressionando o orçamento das famílias.

Inflação disseminada atinge todos os grupos

Um ponto de atenção no resultado é que todos os nove grupos analisados pelo IBGE registraram alta em março, indicando uma inflação mais espalhada pela economia.

Entre os demais destaques:

  • Vestuário: +0,47%
  • Saúde e cuidados pessoais: +0,36%
  • Habitação: +0,24%
  • Transportes: +0,21%
  • Comunicação: +0,03%

No grupo de saúde, por exemplo, houve elevação nos preços de planos de saúde e produtos de higiene, reforçando o impacto sobre despesas essenciais.

Energia e tarifas elevam custos de habitação

O grupo Habitação também apresentou aceleração, influenciado principalmente pelos reajustes tarifários.

A energia elétrica residencial subiu 0,29%, refletindo aumentos aplicados por concessionárias, especialmente no Rio de Janeiro. Já a taxa de água e esgoto avançou 0,44%, com reajustes em cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre.

Em contrapartida, o gás encanado registrou queda de 0,99%, após reduções tarifárias em capitais como Curitiba e Rio de Janeiro.

Transportes têm impacto com passagens aéreas

No grupo de Transportes, a alta de 0,21% foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que subiram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no índice.

Outros destaques incluem:

  • Ônibus intermunicipal: alta com reajustes regionais
  • Táxi: +0,56%

Já os combustíveis apresentaram leve queda de 0,03%, com recuo nos preços da gasolina, etanol e gás veicular. O diesel, por outro lado, subiu 3,77%.

Alimentação fora do domicílio desacelera

Apesar da pressão dentro de casa, a alimentação fora do domicílio mostrou desaceleração, passando de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março.

O comportamento foi misto:

  • Refeições: desaceleraram para 0,31%
  • Lanches: aceleraram para 0,50%

Esse resultado sugere uma mudança no ritmo de consumo e reajustes no setor de serviços alimentícios.

Diferenças regionais mostram pressão em Recife

Regionalmente, o IPCA-15 apresentou alta em 10 das 11 áreas pesquisadas.

O maior avanço foi registrado em Recife, com alta de 0,82%, influenciada principalmente pelo aumento do tomate e da gasolina.

Já Curitiba foi a única localidade com deflação, registrando queda de 0,06%, puxada por recuos em itens como frutas, gasolina e taxas relacionadas a veículos.

O que explica a alta do IPCA-15 em março

O resultado acima do esperado pode ser explicado por uma combinação de fatores:

  • Aumento expressivo de alimentos básicos
  • Reajustes em tarifas públicas
  • Pressão de serviços, como bancários e domésticos
  • Alta em passagens aéreas

Esse conjunto mostra que a inflação segue sensível tanto a choques de oferta quanto a ajustes de preços administrados.