FGC inicia pagamento a investidores do Banco Master; veja quem recebe primeiro
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve iniciar nos próximos dias o pagamento aos investidores que possuíam CDBs do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
Foto: Divulgação
O FGC vai começar a pagar investidores do Banco Master nos próximos dias, encerrando uma das etapas mais aguardadas após a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central. O processo envolve milhões de brasileiros que investiram em CDBs do banco e agora aguardam a devolução dos valores garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos.
A liberação dos recursos não seguirá uma fila tradicional nem levará em conta o valor aplicado ou a data do investimento. Na prática, quem recebe primeiro é o investidor que se manifesta antes, desde que todas as etapas operacionais tenham sido concluídas. O pagamento deve começar ainda nesta semana ou, no mais tardar, no início da próxima, segundo informações apuradas pelo Valor Investe.
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O Banco Master foi liquidado em 18 de novembro, por decisão do Banco Central, devido à incapacidade de manter suas operações financeiras. Com isso, os investidores que possuíam CDBs emitidos pela instituição passaram a ter direito ao ressarcimento por meio do FGC, dentro do limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Segundo estimativas do próprio fundo, o pagamento deve alcançar cerca de 1,6 milhão de investidores, com um desembolso total próximo de R$ 41 bilhões. O saldo médio por investidor é de aproximadamente R$ 25 mil, o que demonstra que a maioria dos afetados é composta por pequenos poupadores.
Quem recebe primeiro o pagamento do FGC
Apesar da expectativa dos investidores, o FGC esclarece que não existe prioridade baseada no valor investido nem na data da aplicação. O fator determinante para a ordem dos pagamentos é o cumprimento de um processo operacional dividido em três etapas.
Primeiro, o liquidante do Banco Master, a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas, precisa enviar ao FGC a lista definitiva de credores, contendo os dados dos investidores e os valores a serem ressarcidos. Somente após a validação dessas informações o fundo pode avançar.
Na sequência, ocorre a abertura do sistema do FGC, que permite aos investidores solicitarem formalmente a garantia. Por fim, é necessária a manifestação do investidor, que deve acessar o sistema, conferir os valores e assinar digitalmente o termo de solicitação.
Na prática, isso significa que recebe primeiro quem solicita primeiro, desde que seus dados já constem corretamente na base enviada pelo liquidante.
Como solicitar o pagamento do FGC
Para pessoas físicas, todo o procedimento é realizado por meio do aplicativo oficial do FGC, disponível para download. O investidor pode criar um cadastro básico antecipadamente, mesmo antes da liberação dos pagamentos.
Assim que a lista de credores for carregada no sistema, será possível visualizar o valor a receber. O investidor deverá então assinar digitalmente o termo de solicitação e informar os dados bancários para crédito.
Após a validação, o FGC realiza o depósito em até 48 horas úteis, diretamente na conta do titular.
Já para pessoas jurídicas, o processo ocorre pelo site do FGC, com envio de documentação, análise dos dados e posterior assinatura digital. O prazo para pagamento é o mesmo aplicado às pessoas físicas.
Por que o rendimento do investimento foi afetado
Um ponto sensível para quem investiu nos CDBs do Banco Master é que os rendimentos ficaram congelados a partir da data da liquidação, em 18 de novembro. Isso ocorre porque o FGC paga apenas o principal investido acrescido dos juros acumulados até o momento da intervenção, sem qualquer atualização posterior.
Na prática, quanto maior o tempo de espera pelo pagamento, menor será a rentabilidade efetiva do investimento quando comparada ao CDI do período total. Um CDB que prometia, por exemplo, 120% do CDI pode acabar entregando um retorno equivalente a algo próximo de 100% do CDI, considerando todo o tempo em que o dinheiro ficou aplicado.
Para ilustrar, um investidor que aplicou em janeiro de 2025 terá direito a um retorno de cerca de 11,99% líquidos, correspondente ao rendimento acumulado até novembro. A partir desse ponto, o valor permanece estático, enquanto o tempo segue correndo.
O que muda para o investidor a partir de agora
Com o início dos pagamentos, o principal impacto para o investidor é a recuperação do capital, ainda que com perda relativa de rentabilidade.
O episódio do Banco Master também reacende o debate sobre a relação entre retorno elevado e risco, especialmente em títulos que oferecem percentuais acima da média do mercado.
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