FGC inicia pagamento a investidores do Banco Master hoje (19); veja como receber
Fundo vai ressarcir até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ após liquidação do banco
Foto: Amanda Perobelli/REUTEURS
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou o pagamento dos investidores do Banco Master nesta segunda-feira (19), que foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro, em uma operação que deve ressarcir cerca de 1,6 milhão de credores.
O processo envolve a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, limite de cobertura do fundo, e deve movimentar aproximadamente R$ 41 bilhões, segundo informações oficiais.
O ressarcimento acontece porque o Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, mecanismo acionado quando uma instituição financeira não consegue mais honrar seus compromissos.
Nesses casos, o FGC atua como uma espécie de seguro do sistema financeiro, protegendo investidores de produtos bancários cobertos pela garantia.
Maior operação de ressarcimento já feita pelo FGC
O pagamento aos clientes do Banco Master é considerado o maior da história do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O valor total a ser desembolsado representa cerca de um terço do caixa atual do fundo, estimado em R$ 120 bilhões.
Até então, o maior ressarcimento havia ocorrido na quebra do Banco Bamerindus, em 1997, quando cerca de R$ 20 bilhões foram pagos, em valores atualizados.
A lista de investidores com direito à cobertura já foi encaminhada ao FGC pelo liquidante nomeado para o caso, a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas. O fundo realiza agora uma última checagem cadastral para eliminar inconsistências antes de liberar os depósitos.
Pagamento não é automático e exige cadastro
Apesar de o pagamento já estar em fase final de preparação, o ressarcimento não ocorre de forma automática. Todos os investidores precisam solicitar formalmente o recebimento dos valores.
No caso de pessoas físicas, o pedido deve ser feito por meio do aplicativo oficial do FGC, disponível para download em lojas digitais.
O investidor precisa criar uma senha, informar seus dados pessoais, realizar validação biométrica, enviar documentos solicitados e cadastrar uma conta bancária de mesma titularidade para receber o depósito.
Após concluir essas etapas, o sistema informa o valor disponível para ressarcimento, e o investidor deve assinar digitalmente o termo de solicitação. Somente depois dessa confirmação o pagamento é processado.
Já as pessoas jurídicas devem fazer o pedido pelo Portal do Investidor, no site do FGC. O responsável legal pela empresa precisa apresentar documentos, validar informações e indicar uma conta bancária vinculada ao mesmo CNPJ.
Prazo para pagamento e o que fazer em caso de atraso
Segundo o próprio FGC, após a solicitação ser concluída corretamente, o depósito é feito em até 48 horas úteis diretamente na conta informada. Esse prazo só começa a contar depois que todas as etapas forem finalizadas e validadas.
Se o valor não cair dentro do prazo informado, a orientação é verificar primeiro se:
- o cadastro foi finalizado corretamente;
- o termo de ressarcimento foi assinado;
- os dados bancários não apresentam inconsistências.
Persistindo o problema, o investidor deve entrar em contato com a Central de Ajuda do FGC, disponível dentro do aplicativo, por chatbot, telefone ou e-mail. Divergências cadastrais ou pendências documentais costumam ser os principais motivos de atraso.
Quais produtos são cobertos pelo FGC
O FGC garante valores aplicados em produtos bancários de renda fixa, incluindo:
- depósitos em conta corrente;
- poupança;
- CDBs e RDBs;
- LCI e LCA;
- letras hipotecárias e letras de câmbio.
Os valores pagos correspondem ao montante investido corrigido até a data da liquidação, em 18 de novembro. Não há correção adicional por inflação ou taxa Selic após essa data.
Impacto no sistema financeiro
Especialistas avaliam que, apesar do volume elevado, o pagamento não compromete a solidez do FGC nem do sistema financeiro nacional. O fundo é mantido por contribuições regulares dos próprios bancos e existe justamente para preservar a confiança dos investidores em momentos de crise institucional.
A liquidação do Banco Master reforça a importância da diversificação de aplicações e do respeito aos limites de garantia por instituição.
Para o investidor, a principal recomendação é acompanhar os canais oficiais do FGC e evitar fornecer dados pessoais fora do aplicativo ou site do fundo, reduzindo o risco de golpes durante o processo.
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