STF retoma disputa sobre eleição tampão no Rio

O ministro Flávio Dino devolveu ao STF o processo que define como será a eleição tampão no Rio de Janeiro.

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Última atualização:  01 de jul, 2026 às 18:04
Flávio Dino em uma sessão judicial, vestindo toga e gravata, com expressão séria e gesticulando durante o depoimento ou audiência "juiz de direito". Foto: Rosinei Coutinho/STF

O processo que discute a eleição tampão no Rio voltou a avançar no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino devolveu nesta terça-feira (30) a ação que define como será escolhido o governador responsável por concluir o atual mandato no estado. Com a medida, o caso fica apto para retornar à pauta da Corte, que deverá retomar a análise após o recesso do Judiciário, previsto para terminar em agosto.

A decisão é acompanhada de perto por lideranças políticas fluminenses porque o julgamento determinará se a escolha do próximo governador ocorrerá por meio de eleição direta, com participação dos eleitores, ou por eleição indireta, realizada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O tema ganhou relevância após mudanças no comando do Executivo estadual e tem potencial para influenciar diretamente o cenário político do Rio de Janeiro nos próximos meses.

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Flávio Dino libera processo e julgamento volta ao STF

O ministro Flávio Dino havia interrompido o julgamento em abril ao solicitar vista dos autos, mecanismo que concede mais tempo para análise do processo. Com a devolução do caso ao plenário, a ação volta a ficar disponível para votação dos demais ministros.

Agora, caberá ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, definir a data para a retomada da análise. Como o Supremo encerrou suas atividades do primeiro semestre nesta semana, a expectativa é que o tema seja incluído na pauta apenas após o recesso judicial.

A discussão envolve a forma de escolha do governador que assumirá temporariamente o comando do Palácio Guanabara até o fim do mandato em curso.

Eleição tampão no Rio divide entendimento dos ministros

A principal questão analisada pelos ministros é a definição do modelo de sucessão estadual. O STF avalia se a legislação permite a realização de uma eleição direta ou se a escolha deve ficar sob responsabilidade dos deputados estaduais da Alerj.

Antes da interrupção do julgamento, a maioria dos ministros havia se manifestado favoravelmente à eleição indireta. Nesse modelo, os parlamentares estaduais seriam responsáveis por eleger o governador que concluirá o mandato.

Até o momento, quatro ministros votaram pela escolha indireta: Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia.

Por outro lado, o relator do processo, ministro Cristiano Zanin, apresentou entendimento diferente. Em seu voto, defendeu que a escolha seja feita diretamente pela população, por meio de uma nova eleição.

A ação foi proposta pelo diretório estadual do PSD, que sustenta que o voto popular é o mecanismo mais adequado para definir quem comandará o estado durante o período restante do mandato.

Placar parcial favorece eleição indireta

Com o placar de 4 votos a 1, a tendência atual favorece a realização de uma eleição indireta. No entanto, o julgamento ainda não foi concluído e outros ministros precisam apresentar seus votos.

Caso a maioria seja mantida, caberá à Alerj organizar o processo de escolha do novo governador. Se houver mudança no entendimento predominante, o estado poderá realizar uma eleição direta para definir o ocupante do cargo.

Especialistas avaliam que a decisão terá impacto significativo não apenas na administração estadual, mas também na articulação política de partidos e lideranças que já se movimentam para os próximos ciclos eleitorais.

Definição afeta sucessão no governo estadual

A conclusão do julgamento é considerada essencial para encerrar as incertezas sobre a sucessão no governo do Rio de Janeiro.

A discussão ganhou força após a saída de Cláudio Castro do comando do Executivo estadual. Desde então, o estado aguarda uma definição jurídica sobre qual mecanismo deverá ser utilizado para preencher o cargo até o encerramento do mandato.

Além do aspecto institucional, a decisão poderá influenciar alianças partidárias, estratégias eleitorais e a composição das forças políticas no estado.

Por isso, o caso é visto como um dos temas mais relevantes atualmente em análise no Supremo envolvendo a política fluminense.

Ricardo Couto permanece no comando do estado

Enquanto o STF não conclui o julgamento, o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), continua exercendo interinamente a função de governador.

Sua permanência no cargo foi mantida justamente em razão da suspensão do julgamento ocorrida em abril. Dessa forma, o estado segue sob administração provisória até que o Supremo estabeleça definitivamente qual será o modelo de sucessão.

A expectativa agora está voltada para a definição da nova data de julgamento. Quando o caso retornar à pauta, os ministros decidirão se a eleição tampão no Rio será conduzida pelo voto popular ou pela escolha dos deputados estaduais, encerrando um dos principais impasses políticos do estado em 2026.