Dívida Pública Federal cai 2,34% em março e recua para R$ 8,633 trilhões

A Dívida Pública Federal caiu 2,34% em março, totalizando R$ 8,633 trilhões, segundo o Tesouro Nacional.

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27 de abr, 2026 às 18:00
Pilha de dinheiro, com notas de Real. Foto: joelfotos/Pixabay

A Dívida Pública Federal registrou queda de 2,34% em março na comparação com fevereiro, encerrando o período em R$ 8,633 trilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Tesouro Nacional e refletem uma combinação de fatores, com destaque para o forte volume de resgates líquidos no mês.

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A redução no estoque da Dívida Pública Federal ocorreu principalmente devido ao resgate líquido de R$ 305,386 bilhões. Esse movimento foi parcialmente compensado pela apropriação positiva de juros, que somou R$ 98,080 bilhões no período.

Na prática, o resultado indica que o governo pagou mais títulos do que emitiu ao longo do mês, contribuindo para a diminuição do total da dívida. Esse comportamento pode estar associado à estratégia de gestão do endividamento público, alinhada ao planejamento previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF).

Composição da dívida: interna cai e externa avança

A Dívida Pública Federal é composta por duas principais frentes: a dívida interna e a externa. Em março, o movimento foi distinto entre essas categorias.

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) apresentou queda de 2,46%, fechando o mês em R$ 8,302 trilhões. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou leve alta de 0,61%, alcançando R$ 331,64 bilhões.

Esse comportamento reforça a predominância do endividamento doméstico na estrutura da dívida brasileira, que continua sendo o principal componente do total.

Perfil dos títulos da Dívida Pública Federal

A composição dos títulos da Dívida Pública Federal também passou por ajustes em março. Os papéis atrelados à taxa Selic tiveram redução na participação, passando de 49,10% em fevereiro para 47,71%. Ainda assim, o percentual permanece dentro do intervalo previsto pelo PAF de 2026, que varia entre 46% e 50%.

Por outro lado, os títulos prefixados avançaram de 21,33% para 21,80%, enquanto os papéis indexados à inflação cresceram de 25,85% para 26,67%. Ambos também seguem dentro das bandas estabelecidas no planejamento do Tesouro.

Os títulos cambiais tiveram leve alta, passando de 3,71% para 3,83%, igualmente dentro do intervalo esperado.

Esse movimento indica uma estratégia de diversificação e equilíbrio na composição da dívida, reduzindo a dependência de indexadores específicos e buscando maior previsibilidade no custo.

Vencimentos e prazo da dívida

Outro ponto relevante foi o aumento da parcela da Dívida Pública Federal com vencimento em até 12 meses. Esse percentual subiu de 16,65% em fevereiro para 19,52% em março, entrando no intervalo previsto pelo PAF, que vai de 18% a 22%.

O prazo médio da dívida também apresentou leve elevação, passando de 4,0 anos para 4,10 anos. O indicador permanece dentro dos limites estabelecidos pelo Tesouro, entre 3,8 e 4,2 anos.

Esses dados mostram que, apesar do aumento nos vencimentos de curto prazo, o governo mantém o controle sobre o perfil da dívida, evitando concentrações excessivas que possam gerar riscos de refinanciamento.

Custo da Dívida Pública Federal sobe em março

Apesar da queda no estoque, o custo da Dívida Pública Federal apresentou alta. O custo médio acumulado em 12 meses subiu de 11,90% ao ano em fevereiro para 12,20% ao ano em março.

Esse avanço está relacionado ao ambiente de juros elevados no Brasil, que impacta diretamente os títulos públicos, especialmente aqueles atrelados à taxa básica.