CPI do INSS vai cobrar explicações de Vorcaro sobre encontros com Toffoli

A CPI do INSS vai ouvir Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre encontros com o ministro do STF Dias Toffoli, ocorridos entre 2023 e 2024.

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19 de fev, 2026 às 21:00
Retrato corporativo de Ricardo Vorcaro. Ele é um homem de pele clara, cabelos escuros penteados para trás e barba bem aparada. Está vestindo um paletó cinza texturizado sobre uma camisa social branca sem gravata. O fundo é neutro em tom cinza claro, transmitindo uma imagem profissional de liderança. Foto: Divulgação

A CPI do INSS vai cobrar explicações de Vorcaro sobre encontros com Toffoli em sessão marcada para a próxima segunda-feira, 23, no Congresso Nacional, em Brasília. O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, será ouvido pelos parlamentares em meio a questionamentos sobre a frequência e a natureza de reuniões mantidas com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, entre 2023 e 2024.

O depoimento ocorre no âmbito da comissão parlamentar que apura suspeitas relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e seus desdobramentos financeiros. A oitiva foi adiada anteriormente a pedido da defesa do banqueiro, mas agora é tratada como um dos momentos centrais da investigação.

CPI do INSS vai cobrar explicações de Vorcaro sobre encontros com Toffoli

O foco principal da sessão será esclarecer os encontros entre Vorcaro e Toffoli. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), informou que apresentará aos membros da CPI reportagens que mencionam mais de dez reuniões presenciais entre o empresário e o ministro.

Esses encontros teriam ocorrido, segundo os relatos, em eventos sociais, jantares e compromissos em Brasília. Como Toffoli foi relator de investigações envolvendo o Banco Master no STF, parlamentares querem entender se havia proximidade que pudesse configurar eventual impedimento legal.

O objetivo da CPI do INSS é apurar se houve conflito de interesses ou falta de isenção em decisões relacionadas ao banco.

Questionamento sobre imparcialidade e possível impedimento

A CPI do INSS vai cobrar explicações de Vorcaro sobre encontros com Toffoli justamente porque parte da oposição sustenta que a relação pode ter impacto institucional.

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que o ponto central não seria a existência de amizade — o que não configura crime por si só —, mas a ausência de declaração de suspeição caso houvesse vínculo pessoal relevante.

Pelo entendimento de parlamentares críticos, se confirmado um grau de proximidade acima do institucional, o ministro deveria ter se declarado impedido em processos que envolvessem interesses ligados ao Banco Master.

Nota oficial de Toffoli e informações societárias

Na semana anterior à sessão, Toffoli divulgou nota afirmando que não mantém relação de amizade com Vorcaro e que jamais recebeu qualquer valor do empresário.

O ministro confirmou, no entanto, que é sócio e recebeu dividendos de empresa que realizou operações com fundo de investimentos vinculado ao banqueiro. Essa informação passou a ser explorada politicamente por integrantes da comissão.

Além disso, mensagens obtidas pela Polícia Federal em aparelho celular de Vorcaro indicariam reclamações sobre cobranças para pagamentos em um resort ligado ao ministro. O conteúdo das conversas faz parte do conjunto de elementos que podem ser abordados na oitiva.

Pressão política e pedido de impeachment

O caso extrapolou os limites da comissão e chegou ao Senado. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) integra grupo que pressiona pela análise de pedido de impeachment contra Toffoli.

O requerimento menciona dispositivos da Lei do Impeachment que tratam de julgamento em situação de suspeição, descumprimento de dever funcional e conduta incompatível com a dignidade do cargo.

A decisão sobre eventual tramitação cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que poderá pautar ou arquivar a iniciativa.

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