Agenda da semana: Copom e Fed devem manter juros estáveis
Decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, além de dados de inflação e emprego, concentram a atenção dos mercados globais
Foto: Al Drago/Bloomberg
A semana entre 26 e 30 de janeiro de 2026 será marcada por decisões relevantes de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além da divulgação de indicadores de inflação, mercado de trabalho e atividade econômica que podem influenciar o comportamento dos mercados financeiros.
O foco principal recai sobre as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed), com expectativa majoritária de manutenção das taxas de juros.
No Brasil, o Banco Central decide o rumo da taxa Selic na quarta-feira (28), enquanto nos Estados Unidos o Fed anuncia sua decisão no mesmo dia, seguido de coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell.
O cenário internacional também inclui dados relevantes da Europa, Japão e China, que ajudam investidores a calibrar as expectativas sobre o crescimento global.
Copom decide Selic com atenção a sinais futuros
A decisão do Copom acontece na quarta-feira (28), após o fechamento do mercado. A projeção predominante é de manutenção da Selic no patamar atual, em meio a um cenário de inflação ainda pressionada e incertezas fiscais.
Apesar da expectativa de juros estáveis, investidores estarão atentos ao comunicado do Banco Central, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Parte do mercado avalia se o BC pode indicar, ainda que de forma cautelosa, a possibilidade de início de um ciclo de cortes a partir de março, caso o comportamento da inflação permita.
Antes da decisão, a agenda doméstica traz indicadores importantes, como o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, e dados sobre confiança do consumidor e mercado de trabalho, que ajudam a medir o ritmo da atividade econômica no início de 2026.
IPCA-15 e dados de emprego no radar
O IPCA-15, divulgado na terça-feira (27), será um dos principais termômetros para o mercado avaliar a trajetória da inflação. O índice pode influenciar diretamente as expectativas para a política monetária, especialmente se vier acima ou abaixo do esperado.
Na sexta-feira (30), o foco se volta para indicadores de emprego e atividade, como a taxa de desemprego, o Caged e o IGP-M, que também impactam projeções econômicas e decisões de investimento.
Além disso, o Relatório Focus, divulgado na segunda-feira (26), deve trazer atualizações das expectativas do mercado para inflação, juros, crescimento do PIB e câmbio.
Fed mantém juros e Powell ganha protagonismo
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) se reúne na quarta-feira (28). A expectativa é de que o Fed mantenha os juros inalterados, em meio a sinais de desaceleração gradual da inflação, mas com o mercado de trabalho ainda resiliente.
Mais do que a decisão em si, investidores acompanham atentamente a coletiva de Jerome Powell, marcada para logo após o anúncio. As falas do presidente do Fed podem oferecer pistas sobre o ritmo e o momento de eventuais cortes de juros ao longo de 2026.
A agenda americana inclui ainda dados de inflação ao produtor (PPI), pedidos semanais de seguro-desemprego e a balança comercial, que ajudam a compor o cenário macroeconômico do país.
Indicadores globais ajudam a medir o crescimento
Fora do eixo Brasil–Estados Unidos, a semana também reserva divulgações relevantes. Na zona do euro, saem indicadores de confiança, PIB e taxa de desemprego, que mostram o ritmo da atividade econômica do bloco.
No Japão, o mercado acompanha a ata da reunião do Banco do Japão (BoJ), além de dados de inflação, produção industrial e vendas no varejo.
Já na China, o destaque fica para o PMI industrial e composto, indicadores que sinalizam a força do setor produtivo da segunda maior economia do mundo.
Esses dados são acompanhados de perto porque influenciam expectativas sobre demanda global, preços de commodities e fluxo de capitais para mercados emergentes, como o Brasil.
Semana decisiva para expectativas de mercado
Com uma agenda intensa e concentrada, a semana tende a ser marcada por maior volatilidade nos mercados financeiros.
A combinação de decisões de juros, dados de inflação e indicadores de atividade pode redefinir apostas sobre o rumo da política monetária ao longo de 2026.
Para investidores, o período exige atenção redobrada não apenas aos números divulgados, mas também ao tom dos comunicados e discursos das autoridades monetárias, que seguem como principais guias para o cenário econômico global.
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