Cláudio Castro é alvo da PF por investimentos de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master
Operação mira aplicações feitas com recursos da previdência estadual do RJ
Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga movimentações financeiras envolvendo o Banco Master e recursos do Rioprevidência, fundo responsável pela gestão da previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está o ex-governador Cláudio Castro (PL).
Ao todo, os agentes cumpriram 10 mandados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. As ordens foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura aportes de aproximadamente R$ 3 bilhões feitos pelo Rioprevidência em fundos ligados ao conglomerado financeiro.
As buscas ocorreram na residência de Cláudio Castro, localizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Segundo a defesa do ex-governador, ele acompanhou a ação “com serenidade”. Até o momento, não houve anúncio de prisão relacionado à operação desta terça-feira.
O que a PF investiga
De acordo com a Polícia Federal, os investigadores analisam operações financeiras realizadas entre 2023 e 2024 envolvendo recursos públicos destinados ao sistema previdenciário estadual.
A suspeita é de que os investimentos feitos pelo Rioprevidência em produtos financeiros administrados pelo Banco Master possam ter ocorrido em condições consideradas atípicas ou com possíveis irregularidades.
A nova fase da operação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, iniciada em janeiro deste ano. Na ocasião, a PF identificou cerca de R$ 970 milhões em aplicações realizadas pelo fundo previdenciário estadual no banco entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Agora, a investigação passou a incluir outros aportes que, segundo os investigadores, elevaram o total movimentado para aproximadamente R$ 3 bilhões.
Valores investigados
Segundo informações divulgadas no inquérito e também debatidas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), os investimentos investigados incluem:
- R$ 970 milhões aplicados diretamente no Banco Master;
- Cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição;
- Novos aportes realizados a partir de julho de 2024;
- Recursos oriundos do Rioprevidência, responsável pelos pagamentos de aposentados e pensionistas do estado.
O fundo previdenciário atende cerca de 235 mil beneficiários no Rio de Janeiro.
Relação com outras investigações
Esta é a segunda vez em menos de 15 dias que Cláudio Castro é alvo de buscas da Polícia Federal. Em maio, agentes estiveram na residência do ex-governador durante outra investigação relacionada a supostas fraudes fiscais envolvendo a antiga Refinaria de Manguinhos.
Apesar das ações recentes, a PF informou que os casos possuem objetos diferentes, embora ambos envolvam apurações financeiras.
Outro nome ligado à investigação é Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência. Ele já havia sido preso anteriormente durante desdobramentos da Operação Barco de Papel. Nesta terça-feira, agentes também cumpriram mandados em endereços relacionados ao ex-dirigente.
Caso também avança na Alerj
O tema também passou a ser discutido na Assembleia Legislativa do Rio. Parlamentares da oposição conseguiram assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com foco nos investimentos feitos pelo Rioprevidência no Banco Master.
A proposta ainda depende de instalação formal para iniciar os trabalhos.
Especialistas do mercado acompanham o caso devido ao impacto potencial sobre a gestão de recursos previdenciários estaduais e à necessidade de transparência em investimentos feitos com dinheiro público.
O Banco Master ainda não divulgou posicionamento detalhado sobre a nova fase da operação até a publicação desta reportagem.
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