Braskem (BRKM5) desaba após prejuízo bilionário no 4T25 e frustra mercado

A Braskem registrou prejuízo de R$ 10,28 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado abaixo das expectativas do mercado e impactado por um cenário global adverso para o setor petroquímico.

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Última atualização:  27 de mar, 2026 às 18:59
Braskem (BRKM5) Foto: Divulgação

A Braskem (BRKM5) desabou na bolsa após divulgar um resultado fraco no quarto trimestre de 2025 (4T25), marcado por um prejuízo bilionário e números abaixo das expectativas. Nesta sexta-feira (27), as ações da petroquímica caíram 10,84%, a R$ 9,05, liderando as perdas do Ibovespa.

O movimento negativo reflete a forte reação do mercado ao desempenho financeiro da companhia, que segue pressionada por um ambiente global adverso para o setor petroquímico. O cenário combina spreads internacionais mais baixos, excesso de oferta e fraqueza sazonal, fatores que continuam limitando a recuperação da empresa.

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Braskem (BRKM5) registra prejuízo bilionário e resultado abaixo do esperado

A Braskem reportou prejuízo líquido de R$ 10,28 bilhões no 4T25, praticamente o dobro da perda registrada no mesmo período de 2024, quando havia reportado R$ 5,65 bilhões negativos. Em dólares, o resultado corresponde a um prejuízo de US$ 1,888 bilhão.

Apesar de um leve avanço operacional, os números ficaram aquém das expectativas do mercado. O Ebitda recorrente somou R$ 589 milhões, alta de 6% na comparação anual, mas abaixo dos R$ 665 milhões projetados por analistas. Já a receita líquida caiu 16%, totalizando R$ 16,1 bilhões, também inferior à estimativa de R$ 16,9 bilhões.

Esse desempenho reforçou a percepção de fragilidade nos resultados da companhia, especialmente diante de um cenário externo ainda desafiador.

Pressão global segue impactando o desempenho da Braskem

O resultado da Braskem foi diretamente afetado pelo ciclo de baixa prolongado da indústria petroquímica global. Entre os principais fatores estão:

  • Spreads internacionais comprimidos
  • Excesso de capacidade produtiva
  • Demanda enfraquecida em diferentes regiões

Analistas do Bradesco BBI destacaram que o ambiente continua muito desafiador, com condições operacionais mais fracas e menor rentabilidade em diversos mercados.

Já o JPMorgan ressaltou que o trimestre foi impactado por fatores sazonais e excesso de oferta, o que pressionou volumes e margens, levando o Ebitda a ficar abaixo das projeções da instituição.

Impactos contábeis ampliam prejuízo da Braskem

Um dos principais fatores por trás do prejuízo elevado da Braskem foi a ocorrência de efeitos contábeis relevantes, sem impacto direto no caixa.

A companhia registrou:

  • Baixa de US$ 1,4 bilhão em ativos fiscais diferidos
  • Impairment de US$ 272 milhões na operação Braskem Idesa, no México

Esses ajustes foram determinantes para o resultado negativo, embora não tenham afetado o Ebitda recorrente reportado.

Desempenho por regiões mostra fraqueza generalizada

O desempenho operacional da Braskem variou entre as regiões, mas mostrou um cenário geral de pressão:

  • Brasil: resultados impactados por paradas de manutenção, menor utilização de capacidade e restrições de matéria-prima
  • Estados Unidos e Europa: Ebitda negativo de US$ 32 milhões, refletindo spreads fracos e menor volume
  • México: apresentou melhora, com maior oferta de etano e melhor taxa de operação, mas ainda pressionado

A distribuição da receita evidencia a dependência do mercado doméstico, com 60% da receita vindo do Brasil, seguido por 22% dos Estados Unidos.

Fluxo de caixa negativo e alavancagem elevada preocupam

Outro ponto de atenção no resultado da Braskem foi a geração de caixa. O Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE) permaneceu negativo em US$ 161 milhões no trimestre.

Apesar de uma melhora em relação ao trimestre anterior, o indicador segue pressionado, refletindo:

  • Geração operacional mais fraca
  • Consumo de capital de giro
  • Ambiente de baixa rentabilidade

Além disso, a alavancagem da companhia segue em níveis elevados. A relação entre dívida líquida e Ebitda recorrente ficou em 14,74 vezes, praticamente estável, mas ainda considerada alta pelo mercado.