Boletim Focus 2026: Selic sobe para 14% e expectativas de inflação voltam a avançar

O Boletim Focus 2026, divulgado pelo Banco Central, mostrou nova alta nas expectativas de juros e inflação no Brasil.

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Última atualização:  22 de jun, 2026 às 09:32
Vista externa do edifício sede do Banco Central do Brasil em Brasília ao entardecer. Imagem: Bloomberg

O Boletim Focus 2026 divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22) trouxe uma nova rodada de revisões nas expectativas do mercado financeiro. O relatório mostra aumento nas projeções da taxa Selic e da inflação, além de ajustes pontuais em outros indicadores macroeconômicos importantes, como PIB, câmbio e índices de preços. As mudanças reforçam um cenário de cautela para a economia brasileira nos próximos anos e ajudam a orientar as expectativas de investidores, empresas e consumidores.

O Boletim Focus 2026 é uma das principais referências do mercado para entender a trajetória esperada da economia, reunindo projeções de instituições financeiras sobre variáveis como juros, inflação e crescimento econômico. Nesta edição, o destaque ficou para a elevação da taxa Selic e a continuidade da pressão inflacionária, especialmente no horizonte de médio prazo.

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Boletim Focus 2026 e a alta da Selic para 14%

A principal informação do Boletim Focus 2026 é a revisão para cima da taxa Selic, que passou de 13,75% para 14,00%. Este movimento marca a terceira semana consecutiva de alta nas expectativas para os juros básicos da economia brasileira.

Para os anos seguintes, o relatório indica uma trajetória gradual de queda, mas ainda em níveis elevados:

  • 2027: 12,00%
  • 2028: 10,25%
  • 2029: 10,00%

A elevação da Selic no Boletim Focus 2026 reflete a percepção do mercado de que o Banco Central pode manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo, como forma de conter pressões inflacionárias persistentes. Juros mais altos tendem a encarecer o crédito e desacelerar o consumo, funcionando como instrumento de controle da inflação.

Inflação segue em alta no Boletim Focus 2026

Outro ponto central do Boletim Focus 2026 é a revisão das expectativas para o IPCA, principal indicador oficial de inflação do país. Para 2026, a projeção subiu de 5,30% para 5,33%, consolidando uma sequência de 15 semanas consecutivas de elevação nas estimativas.

Para os anos seguintes, o cenário também apresenta leve piora:

  • 2027: de 4,10% para 4,15%
  • 2028: de 3,68% para 3,70%
  • 2029: mantido em 3,50%

A persistência dessas revisões no Boletim Focus 2026 indica que o mercado ainda enxerga dificuldades para a convergência da inflação à meta oficial no curto prazo. Entre os fatores que influenciam esse comportamento estão a atividade econômica, o câmbio e os preços administrados.

Crescimento do PIB e cenário de atividade econômica

O Boletim Focus 2026 também trouxe ajustes positivos para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção para 2026 subiu para 1,98%, marcando a quinta alta consecutiva nas estimativas.

Para os demais anos, o cenário permanece relativamente estável:

  • 2027: 1,70%
  • 2028: 2,00%
  • 2029: 2,00%

Apesar da melhora marginal nas projeções, o Boletim Focus 2026 ainda aponta um crescimento moderado da economia brasileira, sem sinais de aceleração mais forte no curto prazo. Esse comportamento está alinhado ao ambiente de juros elevados e inflação ainda pressionada.

Câmbio apresenta estabilidade no Boletim Focus 2026

No mercado de câmbio, o Boletim Focus 2026 indica relativa estabilidade nas expectativas para o dólar. A projeção para 2026 permaneceu em R$ 5,20.

Para os anos seguintes, houve pequenas variações:

  • 2027: de R$ 5,25 para R$ 5,27
  • 2028: R$ 5,30 (estável)
  • 2029: R$ 5,40 (estável após revisão anterior)

Essa estabilidade sugere que o mercado não espera grandes choques cambiais no horizonte projetado, embora o cenário externo e a política monetária dos Estados Unidos ainda sejam fatores de atenção.

IGP-M e preços administrados no Boletim Focus 2026

O Boletim Focus 2026 também trouxe atualizações para outros índices de preços. O IGP-M apresentou leve recuo na projeção para 2026, passando de 6,22% para 6,15%, interrompendo uma sequência de altas.

Já para os preços administrados, que incluem tarifas públicas e serviços regulados, o comportamento foi de estabilidade com pequenas variações:

  • 2026: 5,00% (estável)
  • 2027: leve alta de 3,81% para 3,85%
  • 2028: recuo de 3,60% para 3,50%
  • 2029: estável em 3,50%

Esses dados do Boletim Focus 2026 reforçam a leitura de um cenário de inflação ainda pressionada, mas com sinais mistos entre diferentes componentes de preços.