Grupo Prime recuperação judicial pede reestruturação de R$ 790 milhões no Paraná
O Grupo Prime entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça do Paraná para reestruturar uma dívida de R$ 790,2 milhões.
Foto: REUTERS
O Grupo Prime recuperação judicial entrou com pedido de reestruturação de dívidas na Justiça do Paraná, em um movimento que envolve um passivo total de R$ 790,2 milhões e 11 entidades ligadas ao mesmo grupo econômico e a produtores rurais associados. O caso, protocolado na terça-feira, 16, chama atenção pelo impacto no setor do agronegócio e pela dimensão do endividamento acumulado ao longo dos últimos anos.
A solicitação ocorre em um contexto de pressão financeira crescente no campo, marcado por juros elevados, restrição de crédito e queda no preço de commodities agrícolas. O grupo afirma que enfrenta dificuldades para manter o fluxo de caixa diante da combinação desses fatores e busca reorganizar suas obrigações para garantir a continuidade das operações.
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Grupo Prime recuperação judicial: entenda o pedido e os motivos da crise
O pedido de Grupo Prime recuperação judicial foi apresentado na Justiça do Paraná e envolve empresas e produtores ligados à família Montans Braga. O grupo foi fundado em 2013, na cidade de Toledo (PR), e atua no desenvolvimento de soluções agrícolas, incluindo agricultura sustentável, manejo biológico, regeneração de solo e suporte técnico a produtores rurais em diversas regiões do Brasil.
De acordo com a documentação apresentada no processo, a crise financeira decorre de uma combinação de fatores econômicos e operacionais. Entre os principais pontos destacados estão o aumento do custo do crédito, impulsionado pela alta da Selic e do CDI, a redução da liquidez no mercado e a queda dos preços de culturas como soja e milho.
Além disso, o grupo aponta eventos climáticos adversos e um ciclo de baixa na pecuária como elementos que agravaram a situação financeira. A empresa afirma que parte relevante das dívidas foi contraída durante um período de expansão, quando o ambiente de mercado era mais favorável, mas que o cenário mudou de forma significativa nos últimos anos.
Estrutura da dívida e composição dos credores
O processo de Grupo Prime recuperação judicial detalha que, do total de R$ 790,2 milhões, cerca de R$ 397 milhões são créditos sujeitos à recuperação judicial, enquanto aproximadamente R$ 394 milhões são classificados como extraconcursais.
Entre os créditos sujeitos ao processo, a maior parte está concentrada em credores quirografários, somando R$ 282 milhões distribuídos entre 311 credores. Já os créditos com garantia real totalizam R$ 106,1 milhões e têm o Banco do Brasil como único credor dessa categoria.
Também fazem parte da estrutura:
- R$ 2 milhões em créditos trabalhistas e acidentários
- R$ 6,5 milhões destinados a micro e pequenas empresas
Na parte extraconcursal, aparecem instituições financeiras e estruturas de crédito relevantes no mercado, como Santander, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Itaú Unibanco e Bradesco, além de fundos e operações estruturadas ligadas ao próprio grupo.
Como funciona o pedido de recuperação judicial do Grupo Prime
O pedido de Grupo Prime recuperação judicial inclui a solicitação de consolidação processual e substancial. Na prática, isso significa que todas as empresas e produtores envolvidos poderiam ser tratados dentro de um único processo, com unificação de ativos e passivos.
Essa estratégia permitiria ao grupo apresentar um plano único de recuperação, simplificando a negociação com credores e aumentando a capacidade de reorganização financeira.
Outro ponto destacado no processo é o pedido de reconhecimento de bens considerados essenciais à operação. O grupo argumenta que fazendas, caminhões, equipamentos, estrutura logística e até aeronave são fundamentais para manter o atendimento técnico e comercial nas áreas rurais onde atua.
Se o pedido for aceito pela Justiça, esses bens podem ficar protegidos contra apreensão ou retirada durante o período de recuperação.
Por que a recuperação judicial foi solicitada agora
A decisão pelo pedido de Grupo Prime recuperação judicial é explicada pela empresa como uma resposta à deterioração do ambiente econômico e financeiro. Segundo a defesa, a combinação de juros altos, retração do crédito rural e queda nas margens do agronegócio comprometeu a capacidade de pagamento das dívidas.
O grupo sustenta que não se trata de uma crise operacional, mas sim de uma crise financeira e conjuntural. Ou seja, a atividade produtiva segue funcionando, mas o custo do endividamento e a redução das receitas dificultam a manutenção do equilíbrio financeiro.
Especialistas do setor apontam que casos semelhantes têm se tornado mais frequentes entre empresas ligadas a insumos agrícolas e revendas, especialmente em um cenário de maior volatilidade de preços e restrição de crédito.
Próximos passos da recuperação judicial
O processo de Grupo Prime recuperação judicial ainda está em fase inicial de análise pela Justiça do Paraná. O próximo passo será a verificação da documentação e dos requisitos legais para o processamento do pedido.
Caso seja aceito, o juiz poderá determinar:
- Nomeação de um administrador judicial
- Suspensão de ações e execuções por 180 dias (stay period)
- Abertura de prazo para apresentação do plano de recuperação
- Avaliação sobre a consolidação do processo em um único plano
A decisão inicial será fundamental para definir o ritmo da reestruturação e o grau de proteção jurídica concedido ao grupo durante a negociação com credores.