Bitcoin pode bater novos recordes em 2026 e encerrar ciclo de preços, diz gestora

Grayscale vê sinais de estabilização após quedas e aposta em nova dinâmica de preço

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Última atualização:  05 de jan, 2026 às 10:53
Moeda de Bitcoin em destaque; Bitcoin pode bater novos recordes com valorização do mercado cripto e expectativa de alta. Foto: Envato Elements

O Bitcoin (BTC) pode entrar em um novo momento a partir de 2026, com chance de renovar recordes históricos e deixar para trás o tradicional ciclo de preço de quatro anos. A avaliação é da gestora de ativos digitais Grayscale, que divulgou um relatório indicando sinais de estabilização após a forte correção registrada ao longo de 2025.

Segundo a empresa, apesar do cenário ainda exigir cautela, há indicadores que apontam para um possível movimento de alta no próximo ano.

A análise foi divulgada no fim de 2025, em meio a um período de volatilidade para a maior criptomoeda do mundo. O Bitcoin encerrou o ano acumulando queda anual de pouco mais de 8%, contrariando projeções otimistas feitas no início do período.

Ainda assim, a gestora entende que o comportamento recente pode marcar o fim de uma fase de ajuste mais profundo.

Queda recente e sinais de estabilização

De acordo com a Grayscale, o Bitcoin chegou a cair cerca de 32% em relação à máxima histórica registrada em outubro, quando o ativo foi negociado próximo de US$ 125 mil.

Desde então, o mercado passou por um movimento de correção influenciado por fatores macroeconômicos, como as incertezas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a redução do apetite a risco dos investidores globais.

Mesmo com esse recuo, a gestora destaca que alguns indicadores técnicos sugerem a formação de um possível fundo de preço. Um deles é o viés das opções de Bitcoin, que ultrapassou o nível de 4, sinalizando que muitos investidores já se protegeram contra novas quedas.

Para a Grayscale, esse comportamento costuma anteceder períodos de maior estabilidade ou retomada gradual dos preços.

ETFs ainda pesam no curto prazo

No curto prazo, porém, a recuperação do Bitcoin tende a ser limitada. O relatório aponta que alguns fatores importantes ainda precisam se ajustar, como o interesse em aberto nos contratos futuros, o comportamento dos investidores de longo prazo e, principalmente, os fluxos dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos.

Esses fundos, que tiveram papel central na valorização da criptomoeda ao longo de 2025, registraram forte pressão de venda em novembro.

Segundo dados da Farside Investors, o mês terminou com saídas líquidas de aproximadamente US$ 3,48 bilhões, um dos piores resultados já observados desde o lançamento desses produtos.

No início de dezembro, no entanto, o cenário começou a mostrar sinais de mudança. Os ETFs à vista voltaram a registrar entradas líquidas por quatro dias consecutivos, indicando uma retomada gradual do interesse dos investidores institucionais após a onda de vendas.

Fim do ciclo de quatro anos?

Um dos principais pontos levantados pela Grayscale é a possibilidade de o Bitcoin romper o chamado ciclo de preço de quatro anos, historicamente associado ao evento do halving, que reduz pela metade a emissão da moeda.

Segundo a gestora, esse padrão pode perder relevância à medida que o mercado amadurece e passa a responder mais a fatores macroeconômicos e institucionais.

Para 2026, a expectativa é que o preço do Bitcoin seja cada vez mais influenciado por fluxos financeiros, decisões de política monetária e movimentos de grandes investidores, e não apenas por eventos programados da rede.

Esse cenário abriria espaço para novas máximas históricas, ainda que com oscilações ao longo do caminho.

Regulação pode impulsionar o mercado

Outro fator considerado relevante para o próximo ciclo é o avanço da regulação nos Estados Unidos. A Grayscale destaca que projetos de lei em discussão no Congresso podem criar um ambiente mais claro e seguro para o mercado de ativos digitais, incentivando a entrada de capital institucional.

A aprovação do chamado Clarity Act na Câmara dos Representantes e a tramitação de propostas mais amplas no Senado sinalizam uma tentativa de estabelecer regras para o funcionamento do setor.

A expectativa de líderes do Congresso é que um marco regulatório mais completo esteja pronto para sanção no início de 2026.

Segundo a gestora, esse avanço regulatório tende a reduzir incertezas, melhorar a governança do mercado e ampliar o interesse de grandes investidores, desde que o tema continue sendo tratado de forma bipartidária.

Perspectivas para 2026

Apesar do otimismo cauteloso, analistas ressaltam que o caminho para novas máximas não deve ser linear. A evolução dos juros nos Estados Unidos, o desempenho da economia global e o comportamento dos ETFs continuarão sendo fatores decisivos para o preço do Bitcoin.

Ainda assim, a Grayscale avalia que o cenário de médio prazo é mais construtivo do que o observado nos últimos meses de 2025.

Se os fluxos institucionais se consolidarem e a regulação avançar, o Bitcoin pode iniciar 2026 sob uma nova lógica de preço, abrindo espaço para um ciclo diferente dos anteriores e, possivelmente, para novos recordes históricos.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.