Banco Master declara pagamento de R$ 1,3 milhão a empresa ligada a ex-chefe do BC
O Banco Master declarou à Receita Federal pagamentos de R$ 1,3 milhão à Varajo Consultoria, empresa investigada por intermediar contratos suspeitos.
Imagem: Reuters/Amanda Perobelli
O caso envolvendo o Banco Master pagamento Varajo ganhou novos desdobramentos após documentos enviados à Receita Federal revelarem repasses milionários a uma empresa investigada por intermediar contratos suspeitos. As informações, obtidas pelo jornal O Globo, colocam no centro da apuração o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central do Brasil, Belline Santana.
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De acordo com os documentos, o Banco Master declarou pagamentos que somam R$ 1,3 milhão à Varajo Consultoria Empresarial entre 2024 e 2025.
Os valores foram registrados oficialmente e enviados à Receita Federal, o que indica que os repasses saíram diretamente do caixa da instituição financeira. Em 2025, o montante foi de cerca de R$ 1 milhão, enquanto em 2024 ficou em R$ 309,8 mil.
Segundo as investigações, esses pagamentos fazem parte de uma estrutura mais ampla que levantou suspeitas de irregularidades.
Suspeita de contratos simulados e “serviços informais”
A Polícia Federal aponta que a Varajo teria sido utilizada como uma espécie de empresa intermediária para operacionalizar pagamentos informais.
Na prática, o modelo funcionaria por meio da criação de contratos de consultoria considerados fictícios, usados para dar aparência legal a repasses financeiros.
Esse tipo de mecanismo, segundo investigadores, pode ser utilizado para ocultar a real finalidade dos pagamentos, dificultando a rastreabilidade dos recursos.
Envolvimento de ex-dirigente do Banco Central
Um dos pontos mais sensíveis do caso é a participação de Belline Santana, que ocupava uma posição estratégica na supervisão do sistema financeiro nacional.
De acordo com a apuração:
- Ele teria sido contratado por meio da Varajo;
- Os pagamentos estariam ligados a serviços prestados ao grupo de Vorcaro;
- O total recebido pode chegar a R$ 4 milhões, conforme investigações internas.
A relação chama atenção por envolver um ex-integrante de alto escalão do Banco Central do Brasil, órgão responsável justamente pela fiscalização de instituições financeiras.
Decisão do STF reforça suspeitas
O caso avançou no âmbito judicial após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na decisão, Mendonça destacou que há indícios de que:
- A empresa foi estruturada para justificar pagamentos indevidos;
- Os contratos eram usados como instrumento para formalizar repasses;
- Havia uma relação direta entre os serviços prestados e os pagamentos realizados.
O ministro chegou a autorizar medidas mais duras contra Vorcaro, incluindo sua prisão no mês anterior.
Estrutura operacional do esquema
As investigações também detalham como funcionaria a dinâmica interna do grupo.
Segundo a Polícia Federal:
- A Varajo recebia orientações de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro;
- Zettel atuava sob comando direto do banqueiro;
- Mensagens indicam preocupação com a execução e posterior reembolso de pagamentos.
Esse conjunto de evidências reforça a hipótese de uma estrutura organizada para operacionalizar transferências financeiras.
Novas revelações ampliam o caso
Uma apuração interna do Banco Central, revelada anteriormente, indica que os valores recebidos por Santana podem ser ainda maiores do que os inicialmente identificados.
O levantamento aponta que:
- Os contratos firmados tinham características de simulação;
- Os pagamentos estariam vinculados ao grupo de Vorcaro;
- O total pode alcançar R$ 4 milhões.
Essas informações ampliam o escopo da investigação e aumentam a pressão sobre os envolvidos.
Defesas negam irregularidades
A defesa de Belline Santana afirma que:
- Todas as atividades foram realizadas de forma técnica e dentro da legalidade;
- Não houve favorecimento a qualquer instituição financeira;
- Não existiu desvio de finalidade ou ganho indevido.
Já a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o momento.