Banco Master declara pagamento de R$ 1,3 milhão a empresa ligada a ex-chefe do BC

O Banco Master declarou à Receita Federal pagamentos de R$ 1,3 milhão à Varajo Consultoria, empresa investigada por intermediar contratos suspeitos.

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Última atualização:  13 de abr, 2026 às 14:52
Logotipo do Banco Master fixado em uma parede metálica texturizada. Imagem: Reuters/Amanda Perobelli

O caso envolvendo o Banco Master pagamento Varajo ganhou novos desdobramentos após documentos enviados à Receita Federal revelarem repasses milionários a uma empresa investigada por intermediar contratos suspeitos. As informações, obtidas pelo jornal O Globo, colocam no centro da apuração o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central do Brasil, Belline Santana.

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De acordo com os documentos, o Banco Master declarou pagamentos que somam R$ 1,3 milhão à Varajo Consultoria Empresarial entre 2024 e 2025.

Os valores foram registrados oficialmente e enviados à Receita Federal, o que indica que os repasses saíram diretamente do caixa da instituição financeira. Em 2025, o montante foi de cerca de R$ 1 milhão, enquanto em 2024 ficou em R$ 309,8 mil.

Segundo as investigações, esses pagamentos fazem parte de uma estrutura mais ampla que levantou suspeitas de irregularidades.

Suspeita de contratos simulados e “serviços informais”

A Polícia Federal aponta que a Varajo teria sido utilizada como uma espécie de empresa intermediária para operacionalizar pagamentos informais.

Na prática, o modelo funcionaria por meio da criação de contratos de consultoria considerados fictícios, usados para dar aparência legal a repasses financeiros.

Esse tipo de mecanismo, segundo investigadores, pode ser utilizado para ocultar a real finalidade dos pagamentos, dificultando a rastreabilidade dos recursos.

Envolvimento de ex-dirigente do Banco Central

Um dos pontos mais sensíveis do caso é a participação de Belline Santana, que ocupava uma posição estratégica na supervisão do sistema financeiro nacional.

De acordo com a apuração:

  • Ele teria sido contratado por meio da Varajo;
  • Os pagamentos estariam ligados a serviços prestados ao grupo de Vorcaro;
  • O total recebido pode chegar a R$ 4 milhões, conforme investigações internas.

A relação chama atenção por envolver um ex-integrante de alto escalão do Banco Central do Brasil, órgão responsável justamente pela fiscalização de instituições financeiras.

Decisão do STF reforça suspeitas

O caso avançou no âmbito judicial após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Na decisão, Mendonça destacou que há indícios de que:

  • A empresa foi estruturada para justificar pagamentos indevidos;
  • Os contratos eram usados como instrumento para formalizar repasses;
  • Havia uma relação direta entre os serviços prestados e os pagamentos realizados.

O ministro chegou a autorizar medidas mais duras contra Vorcaro, incluindo sua prisão no mês anterior.

Estrutura operacional do esquema

As investigações também detalham como funcionaria a dinâmica interna do grupo.

Segundo a Polícia Federal:

  • A Varajo recebia orientações de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro;
  • Zettel atuava sob comando direto do banqueiro;
  • Mensagens indicam preocupação com a execução e posterior reembolso de pagamentos.

Esse conjunto de evidências reforça a hipótese de uma estrutura organizada para operacionalizar transferências financeiras.

Novas revelações ampliam o caso

Uma apuração interna do Banco Central, revelada anteriormente, indica que os valores recebidos por Santana podem ser ainda maiores do que os inicialmente identificados.

O levantamento aponta que:

  • Os contratos firmados tinham características de simulação;
  • Os pagamentos estariam vinculados ao grupo de Vorcaro;
  • O total pode alcançar R$ 4 milhões.

Essas informações ampliam o escopo da investigação e aumentam a pressão sobre os envolvidos.

Defesas negam irregularidades

A defesa de Belline Santana afirma que:

  • Todas as atividades foram realizadas de forma técnica e dentro da legalidade;
  • Não houve favorecimento a qualquer instituição financeira;
  • Não existiu desvio de finalidade ou ganho indevido.

Já a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o momento.