Sai hoje: Banco do Brasil (BBAS3) chega ao 4T25 sob pressão do crédito agro
Exposição elevada ao agronegócio e aumento da inadimplência elevam cautela do mercado antes do balanço do BB, que será divulgado hoje (11) após o fechamento do mercado.
Foto: Fernando Bizerra/Agência Senado/Reprodução.
O Banco do Brasil (BBAS3), último entre os grandes bancos a divulgar os números do quarto trimestre de 2025, apresenta seu balanço nesta quarta-feira (11) cercado por expectativas moderadas e cautela do mercado.
Após um ano marcado pela deterioração da qualidade da carteira de crédito, analistas avaliam que o resultado ainda deve refletir um ambiente desafiador, especialmente pela forte exposição ao agronegócio.
Cerca de um terço da carteira do banco está concentrada no setor rural — característica estrutural que impulsiona resultados em ciclos favoráveis, mas pesa quando o cenário se deteriora.
Acompanhe a cotação ao vivo:
XP vê crescimento mais fraco e pressão no crédito
A XP Investimentos projeta um trimestre pressionado. Segundo a casa, o crescimento das carteiras Corporate e Agro deve desacelerar novamente, possivelmente se aproximando da parte inferior do guidance do banco, à medida que a qualidade de crédito segue aquém do ideal.
Nesse contexto, o segmento de pessoa física tende a ser o principal motor de expansão da carteira. No consolidado, a XP estima crescimento de cerca de 3% ano contra ano, influenciado também por uma base de comparação mais exigente.
A casa mantém recomendação neutra para o papel, citando uma combinação de recuperação ainda incerta, rentabilidade (ROE) baixa, dividend yield modesto e múltiplos de preço sobre lucro acima da média histórica.
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Goldman Sachs projeta provisões no teto do guidance
O Goldman Sachs também vê pressão relevante nas provisões. O banco projeta despesas com perdas de crédito entre R$ 59 bilhões e R$ 62 bilhões, no limite superior do guidance da própria instituição, com leve alta na comparação trimestral e forte avanço frente ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o Goldman, a receita líquida de juros deve crescer de forma moderada, acompanhando o aumento da carteira de crédito, enquanto a receita com tarifas tende a apresentar leve alta na comparação trimestral.
Por outro lado, a instituição projeta deterioração do índice de eficiência, com avanço das despesas operacionais. Ainda assim, o lucro recorrente pode subir na comparação com o trimestre anterior, beneficiado por incentivos fiscais.
Mesmo com essa melhora, o retorno sobre o patrimônio (ROE) deve permanecer em patamar baixo, distante do nível observado um ano antes.
Nord e analistas veem desafio estrutural
Para Victor Bueno, da Nord Investimentos, não há expectativa de mudanças estruturais relevantes na carteira no curto prazo. Conforme divulgado pelo Money Times, ele avalia que o Banco do Brasil foi beneficiado entre 2022 e 2024 por um ciclo favorável no agronegócio, mas agora enfrenta um ambiente menos benigno.
Leitura semelhante tem Tiago Veloso, que destaca o caráter estrutural da exposição ao agro. Segundo ele, o setor funciona como alavanca quando está aquecido, mas amplia riscos em momentos de estresse. O principal desafio, na sua visão, é reduzir a inadimplência acima de 90 dias e administrar a rolagem das dívidas sem comprometer a rentabilidade futura.
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Terra Investimentos vê continuidade da pressão
A Régis Chinchila, da Terra Investimentos, também não vê sinais claros de reversão no curto prazo. Após a inadimplência acima de 90 dias ter avançado para perto de 5% no terceiro trimestre e as provisões terem crescido de forma expressiva, a expectativa é de continuidade da pressão no quarto trimestre.
Medidas de apoio ao agronegócio podem trazer algum alívio ao longo de 2026, mas, por ora, o consenso é que o balanço do 4T25 deve reforçar o momento de transição do Banco do Brasil, ainda em busca de estabilizar a carteira e recuperar gradualmente a rentabilidade.
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