XP reduz preço-alvo do Banco do Brasil para R$ 21 e mantém cautela com as ações da BBAS3
A XP reduziu o preço-alvo das ações do Banco do Brasil para R$ 21 até 2026 e manteve recomendação neutra.
Foto: Divulgação
A revisão da XP sobre o Banco do Brasil reforça uma visão mais conservadora para as ações da instituição financeira. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (6), a corretora reduziu sua estimativa para os papéis BBAS3, cortando o preço-alvo de R$ 25 para R$ 21 ao fim de 2026 e mantendo a recomendação neutra. A mudança reflete a avaliação de que a qualidade da carteira de crédito do banco continua pressionada, principalmente pelos desafios enfrentados pelo agronegócio e pelo aumento das preocupações com a carteira de pessoas físicas. A decisão foi tomada após uma revisão das perspectivas para o setor bancário brasileiro e ocorre em um momento de atenção dos investidores ao desempenho das instituições financeiras na Bolsa.
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XP reduz preço-alvo do Banco do Brasil após revisar perspectivas para o crédito
Segundo a XP, o principal fator para a revisão no Banco do Brasil é a deterioração mais prolongada da carteira de crédito ligada ao agronegócio. Embora o Banco do Brasil tenha reforçado sua política de concessão de empréstimos, adotando critérios mais rígidos e ampliando o uso de garantias nas operações mais recentes, parte da carteira formada durante o período de maior estresse do setor ainda continua impactando os indicadores de qualidade dos ativos.
Na avaliação da corretora, a recuperação do agronegócio deverá acontecer em ritmo mais lento do que o esperado anteriormente. Os produtores rurais continuam enfrentando margens reduzidas em razão da queda dos preços das commodities agrícolas, da valorização do real frente ao dólar, das taxas de juros elevadas e dos custos de produção que permanecem altos.
Recuperações judiciais reforçam preocupação com o agronegócio
Outro ponto destacado no relatório é o avanço dos pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais.
Após um início de ano que indicava certa estabilização, os dados referentes ao mês de abril mostraram uma nova aceleração dos valores envolvidos nesses processos, indicando que parte do setor ainda enfrenta dificuldades financeiras relevantes.
Para os analistas da XP, esse cenário demonstra que os impactos da crise enfrentada pelo agronegócio ainda não foram totalmente absorvidos pelo sistema financeiro, especialmente por instituições com maior exposição ao segmento, como o Banco do Brasil.
Carteira de pessoas físicas também entra no radar
Além das operações voltadas ao agronegócio, a XP passou a demonstrar maior preocupação com a carteira de pessoas físicas do Banco do Brasil.
Segundo o relatório, clientes que possuem ligação direta com atividades rurais vêm apresentando uma piora mais significativa na capacidade de pagamento, principalmente em modalidades de crédito sem garantia, como cartão de crédito e cheque especial.
Os analistas acreditam que parte da inadimplência atualmente classificada como inicial poderá migrar para atrasos mais longos ao longo dos próximos trimestres, exigindo maiores provisões para perdas.
Esse movimento amplia a cautela em relação ao desempenho do banco nos próximos anos.
XP reduz estimativas de lucro e rentabilidade
Como consequência desse ambiente mais desafiador, a corretora revisou suas projeções financeiras para o Banco do Brasil.
A estimativa de lucro líquido para 2026 caiu de R$ 23,3 bilhões para R$ 18,3 bilhões, uma redução de aproximadamente 22%.
Além disso, a expectativa para o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) foi reduzida de 12% para 9,4%, refletindo uma perspectiva de rentabilidade mais limitada diante da necessidade de manter elevados níveis de provisões para perdas com crédito.
A XP acredita que o custo de risco permanecerá elevado durante 2026 e 2027, com uma melhora mais consistente apenas a partir de 2028.
Banco ainda conta com fatores positivos
Apesar da visão mais conservadora, a XP ressalta que o Banco do Brasil continua apresentando pontos positivos que ajudam a compensar parte dos riscos.
Entre eles estão as receitas provenientes das operações de tesouraria, que seguem beneficiadas pelo atual ambiente de juros elevados, além do controle de despesas administrativas, considerado disciplinado pelos analistas.
No segmento corporativo, a corretora também observa sinais de estabilização na qualidade dos ativos, uma vez que parte das perdas relacionadas a grandes empresas já teria sido reconhecida anteriormente.
Ainda assim, pequenas e médias empresas continuam inseridas em um ambiente econômico considerado desafiador.
Avaliação das ações continua neutra
Mesmo após a revisão do preço-alvo, a XP optou por manter recomendação neutra para as ações BBAS3.
Na avaliação da corretora, o novo preço-alvo de R$ 21 por ação representa um potencial de valorização próximo de 5% em relação aos níveis atuais de mercado, percentual considerado insuficiente para justificar uma recomendação de compra.
Outro fator citado é que o Banco do Brasil negocia atualmente a cerca de 6,3 vezes o lucro projetado para 2026, patamar superior à média histórica próxima de 4,5 vezes.
Segundo os analistas, esse múltiplo mais elevado não indica uma melhora dos fundamentos operacionais, mas sim uma consequência da redução das estimativas de lucro.