Os ativos brasileiros enfrentaram uma significativa queda nesta quinta-feira (9), impulsionados por receios no mercado em relação às possíveis mudanças no perfil do Banco Central em 2025, após uma decisão dividida sobre o ritmo de corte dos juros. No entanto, a medida, anunciada na noite de quarta-feira (7), interrompeu uma sequência de seis reduções consecutivas na taxa Selic, com a redução de 0,25 ponto percentual, para 10,50% ao ano.

A decisão do Banco Central foi tomada por cinco votos a quatro, com todos os diretores indicados pelo ex-presidente Lula defendendo um corte maior. Esse cenário gerou preocupações nos mercados, refletindo-se em um salto de 1,45% no dólar e uma queda de 1,41% no Ibovespa. Além disso, no mercado de juros futuros, as taxas dos principais DIs dispararam na curva até janeiro de 2029.

Perspectivas futuras após decisão do Banco Central

Os preços dos ativos indicam uma antecipação dos riscos futuros e uma reação à possível mudança no perfil da diretoria do BC. Há a perspectiva de um colegiado mais expansionista em detrimento do controle da inflação e estabilidade macroeconômica. 

A transição para uma diretoria mais influenciada pelo governo Lula representa um novo desafio para a independência do Banco Central. Antes de 2021, o presidente da República indicava o chefe da autoridade monetária a cada nova gestão do Executivo. No entanto, a perspectiva de uma mudança significativa na diretoria do BC aumenta a incerteza sobre a política monetária e a independência da instituição.

Julia Peres

Redatora do Melhor Investimento.