Ações da Petrobras (PETR3; PETR4) caem após petróleo despencar 15% e pressionam Ibovespa

Trégua entre EUA e Irã reduz risco global e derruba commodity

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Última atualização:  09 de abr, 2026 às 11:10
Fachada da Petrobras com logotipo, após queda das ações com recuo de 15% do petróleo no mercado global. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Flickr

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) registraram forte queda nesta quarta-feira (8), na B3, acompanhando o recuo do petróleo no mercado internacional após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorreu durante o pregão, com impacto direto no Ibovespa, já que a estatal tem grande peso na composição do índice.

Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis preferenciais (PETR4) recuavam mais de 7%, enquanto as ações ordinárias (PETR3) caíam acima de 8%. Na mínima do dia, os ativos chegaram a registrar perdas ainda maiores, refletindo a volatilidade do mercado diante das mudanças no cenário externo.

A queda acompanha o tombo do petróleo Brent, que chegou a recuar cerca de 15% no mercado internacional, com os contratos sendo negociados próximos de US$ 93 por barril no mesmo período.

A movimentação foi impulsionada pela redução das tensões no Oriente Médio e pela reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Por que o petróleo caiu

A desvalorização da commodity está ligada principalmente ao alívio geopolítico. O acordo temporário entre Estados Unidos e Irã trouxe a expectativa de normalização no fluxo de petróleo, reduzindo o risco de interrupções no fornecimento global.

Entre os principais fatores:

  • cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã;
  • reabertura do Estreito de Ormuz para navios petroleiros;
  • expectativa de aumento da oferta global de petróleo;
  • redução do prêmio de risco geopolítico nos preços.

Com mais oferta disponível e menor incerteza, os preços tendem a cair, o que impacta diretamente empresas do setor de energia, como a Petrobras.

“Parte do mercado interpretou o movimento como um sinal de pressão diplomática com potencial de reduzir o risco de interrupção na oferta. Quando a chance de bloqueio diminui, cresce a percepção de maior disponibilidade futura de petróleo, e os preços recuam”, explica Rafael Bellas, Head de alocação da InvestSmart XP.

Impacto nas ações da Petrobras

A Petrobras é diretamente influenciada pelas oscilações do petróleo, já que a commodity representa sua principal fonte de receita. Quando os preços caem, o mercado costuma ajustar as expectativas de lucro da companhia, pressionando as ações.

Além disso, o volume de negociações chamou atenção durante o pregão. Os papéis da estatal figuraram entre os mais negociados da bolsa, com forte saída de recursos por parte de investidores.

Esse tipo de movimento também pode indicar realização de lucros, especialmente após um período recente de forte valorização.

Alta recente e realização de lucros

Apesar da queda no dia, a Petrobras vinha de um ciclo positivo. Em março, a companhia foi um dos principais destaques do Ibovespa, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional. No período:

  • PETR3 acumulou alta superior a 26%;
  • PETR4 avançou cerca de 23%;
  • empresa registrou sucessivos recordes de valor de mercado;
  • ganho total chegou a mais de R$ 130 bilhões no mês.

Esse desempenho recente ajuda a explicar parte da correção observada agora, já que investidores podem aproveitar momentos de mudança de cenário para ajustar posições.

Efeitos para o Brasil e a economia

A queda do petróleo, apesar de negativa para empresas do setor, pode trazer efeitos positivos para a economia brasileira. Combustíveis mais baratos tendem a aliviar pressões inflacionárias, especialmente em itens como transporte e alimentos.

Além disso, o cenário pode influenciar políticas públicas voltadas ao preço do diesel e de outros combustíveis, que têm impacto direto na cadeia produtiva e no custo logístico do país.

Por outro lado, ainda há incertezas sobre a duração do cessar-fogo e seus efeitos no médio prazo. Especialistas apontam que a normalização completa da produção e da logística de petróleo pode levar tempo, dependendo da evolução do cenário geopolítico.

“Ainda assim, é cedo para concluir que essa queda já representa uma tendência consolidada. Não podemos esquecer que no Brasil, a Selic em 14,75% ao ano segue impondo um custo de capital elevado, o que reduz a capacidade de absorção diante de novos choques externos”, comenta Rafael.

O que o investidor deve acompanhar

Nos próximos dias, o mercado deve seguir atento a fatores externos que influenciam o petróleo e, consequentemente, as ações da Petrobras.

“A leitura mais equilibrada, neste momento, é que o mercado ainda opera em ambiente de incerteza real. Se o prazo dado por Trump ao Irã terminar sem acordo, a volatilidade no setor de energia pode voltar com força. Por outro lado, se houver avanço diplomático, a queda do petróleo pode ganhar consistência e gerar alívio inflacionário relevante para países importadores, como o Brasil”, explica Rafael.

Entre os pontos de atenção:

  • desdobramentos do acordo entre EUA e Irã;
  • comportamento dos preços do petróleo Brent;
  • fluxo de investidores estrangeiros na bolsa brasileira;
  • possíveis impactos na inflação e nos combustíveis.

A combinação desses fatores deve continuar guiando o desempenho da estatal e o humor do mercado no curto prazo.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.