Queda das ações abre oportunidade na Petrobras, diz JPMorgan

Banco eleva preço-alvo e destaca geração de caixa como suporte para os papéis

imagem do autor
Última atualização:  09 de abr, 2026 às 11:36
Ações da Petrobras sobem após recomendação de compra e projeções positivas para o petróleo. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O JPMorgan reforçou sua recomendação de compra para as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) nesta quinta-feira (9), ao avaliar que a recente queda dos papéis abre uma oportunidade para investidores.

A análise foi divulgada em relatório internacional e considera a forte geração de caixa da companhia como um dos principais fatores de sustentação do valor das ações, mesmo diante da volatilidade no mercado de petróleo.

Segundo o banco, o cenário atual, marcado por oscilações nos preços da commodity e mudanças no ambiente geopolítico, não compromete a capacidade da estatal de gerar resultados consistentes.

Pelo contrário: a avaliação é de que a Petrobras continua bem posicionada para atravessar períodos de instabilidade e manter retorno atrativo aos acionistas.

A recomendação equivalente à compra (overweight) foi mantida, enquanto o preço-alvo dos ADRs, recibos negociados na Bolsa de Nova York, foi elevado de US$ 16,5 para US$ 24.

Geração de caixa sustenta visão positiva

Na visão dos analistas do JPMorgan, a Petrobras apresenta hoje um perfil financeiro mais sólido, com menor risco associado ao fluxo de caixa. Esse ponto é considerado central para justificar a recomendação positiva, especialmente em um ambiente de incertezas no setor de energia.

O banco destaca que, mesmo com possíveis oscilações no preço do petróleo, a companhia segue operando acima do seu ponto de equilíbrio. Isso significa que continua gerando caixa mesmo em cenários mais conservadores para a commodity.

Entre os principais fatores que sustentam essa leitura estão:

  • Forte geração de caixa operacional;
  • Preços do petróleo ainda em patamar elevado;
  • Disciplina financeira nos investimentos;
  • Política de remuneração aos acionistas mais previsível.

Além disso, o JPMorgan revisou para cima suas projeções financeiras para a empresa. A estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2026 foi elevada, refletindo expectativas mais otimistas para o desempenho da companhia nos próximos anos.

Novo cenário para o petróleo

A revisão das projeções também considera mudanças recentes no cenário global do petróleo. O banco passou a trabalhar com um preço médio do Brent de US$ 85 por barril em 2026 e US$ 75 em 2027, indicando uma expectativa de normalização gradual após períodos de maior volatilidade.

Esse movimento está ligado a fatores como ajustes nas rotas de transporte marítimo, redução de tensões geopolíticas recentes e manutenção de um prêmio de risco no mercado internacional.

Mesmo com a queda recente do petróleo em alguns momentos, os preços ainda se mantêm acima dos níveis considerados críticos para a operação da Petrobras, o que reforça a tese de investimento do banco.

Valuation ainda atrativo

Outro ponto destacado no relatório é o nível de valuation da Petrobras. Para o JPMorgan, as ações continuam sendo negociadas a múltiplos considerados baixos quando comparados a outras empresas do setor.

A análise indica que, aos preços atuais, a companhia apresenta indicadores que reforçam sua atratividade, como:

  • Múltiplo EV/Ebitda em torno de 3,3 vezes;
  • Forte geração de fluxo de caixa livre;
  • Dividend yield relevante projetado para os próximos anos.

Esses fatores sugerem que o mercado ainda não precifica totalmente o potencial de retorno da empresa, especialmente em um cenário de estabilização do petróleo.

Visão de outros bancos

Além do JPMorgan, o Citi também revisou suas estimativas para a Petrobras, elevando o preço-alvo das ações. No entanto, diferentemente do primeiro banco, a instituição manteve uma recomendação neutra para os papéis.

A leitura do Citi é de que a companhia pode se beneficiar de preços mais altos do petróleo, mas com limitações. Isso porque parte da produção da Petrobras é destinada ao mercado interno, onde os preços dos combustíveis podem não acompanhar totalmente as variações internacionais.

Esse fator tende a reduzir o impacto positivo de altas mais fortes do petróleo nos resultados da empresa.

Riscos no radar

Apesar do cenário considerado favorável, os analistas apontam alguns riscos que podem influenciar o desempenho da Petrobras nos próximos anos.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Venda de combustíveis abaixo da paridade internacional;
  • Aumento de investimentos acima do esperado;
  • Atrasos na entrada de novas plataformas de produção;
  • Mudanças no ambiente regulatório.

Ainda assim, o JPMorgan avalia que houve avanços relevantes na governança da companhia, com regras mais claras para política de preços, investimentos e distribuição de dividendos. Isso contribui para reduzir incertezas e aumentar a previsibilidade para investidores.

Queda recente abre espaço para entrada

A recente desvalorização das ações, observada em meio à volatilidade do petróleo, é vista pelo JPMorgan como um ponto de entrada atrativo. Na avaliação do banco, o movimento não reflete uma deterioração estrutural da empresa, mas sim ajustes de curto prazo ligados ao cenário externo.

Com isso, a Petrobras segue sendo considerada uma das principais opções dentro do setor de energia, especialmente para investidores que buscam exposição a empresas com forte geração de caixa e pagamento de dividendos.

O cenário à frente ainda depende da evolução dos preços do petróleo, do ambiente macroeconômico e de decisões estratégicas da companhia.

Mesmo assim, a leitura predominante entre os analistas é de que a empresa mantém fundamentos sólidos para atravessar diferentes ciclos do mercado.

Quer entender melhor os movimentos da bolsa e o que está por trás das principais altas e quedas do mercado? Continue acompanhando a editoria de Mercado no Melhor Investimento e fique por dentro das análises, tendências e oportunidades que podem impactar suas decisões.

Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.