Ações da CVC (CVCB3) caem mais de 20% após anúncio de novo presidente-executivo
Troca no comando gera forte reação do mercado, apesar de avaliação neutra de analistas
Foto: Divulgação
As ações da CVC (CVCB3) registraram forte queda nesta sexta-feira (16), um dia após a companhia anunciar a troca no comando da presidência-executiva. O conselho de administração aprovou a indicação de Fabio Mader como novo CEO, em substituição a Fabio Godinho, decisão que provocou reação negativa imediata do mercado financeiro.
Por volta das 14h30, os papéis da empresa caíam cerca de 14%, cotados próximo de R$ 2,30, após terem atingido perdas superiores a 20% durante o pregão. O movimento ocorreu na B3, em um dia também marcado por desempenho negativo do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira.
A mudança na liderança acontece em um momento sensível para a companhia, que vinha passando por um processo de reestruturação operacional e financeira desde 2023, período em que Fabio Godinho assumiu o comando com a missão de conduzir um turnaround.
Troca no comando da companhia
Em comunicado ao mercado divulgado na noite de quinta-feira (15), a CVC informou que o conselho aprovou a nomeação de Fabio Mader como presidente-executivo. O novo CEO possui mais de duas décadas de experiência no setor de turismo, sendo cerca de 15 anos na própria empresa.
Antes da nomeação, Mader ocupava o cargo de vice-presidente executivo de Produtos e Revenue Management e também já atuou como responsável pelas operações da CVC na Argentina.
Segundo a companhia, o executivo esteve diretamente envolvido em iniciativas estratégicas recentes, o que motivou sua escolha para liderar a nova fase da empresa.
O mandato do novo presidente-executivo vai até a primeira reunião do conselho após a Assembleia Geral Ordinária, quando os acionistas avaliam os resultados financeiros referentes a 2025.
Reação do mercado e dos investidores
Apesar de a CVC afirmar que a transição faz parte do planejamento estratégico, o mercado reagiu com cautela. Investidores demonstraram preocupação com o impacto da mudança no curto prazo, especialmente em um cenário de endividamento elevado e margens ainda pressionadas no setor de turismo.
A forte volatilidade dos papéis ao longo do pregão refletiu a incerteza dos agentes financeiros, com a ação chegando a registrar quedas próximas de 25% na mínima intradiária, antes de reduzir parte das perdas.
O que dizem os analistas
Analistas de grandes instituições financeiras avaliaram a troca no comando como neutra do ponto de vista estrutural. Para o Santander, a mudança representa um passo natural dentro da estratégia já adotada pela empresa, sem indicar alteração relevante de rumo.
O Citi também considera a decisão neutra e potencialmente positiva no médio prazo. Em relatório, o banco destacou que Fabio Godinho liderou um período intenso de reorganização, incluindo renegociação de dívidas e fortalecimento de parcerias estratégicas, especialmente com companhias aéreas.
Segundo os analistas, a entrada de Mader ocorre em uma fase mais estável da empresa, o que pode favorecer avanços em áreas como precificação, rentabilidade e crescimento sustentável. Ainda assim, o elevado nível de alavancagem financeira segue como um fator de risco relevante.
Panorama do setor de turismo
A reação negativa do mercado também ocorre em meio a um cenário desafiador para o setor de turismo, que enfrenta oscilações na demanda, custos elevados e maior sensibilidade ao ambiente macroeconômico. Juros ainda altos e consumo mais cauteloso tendem a impactar empresas do segmento, especialmente aquelas com balanços mais pressionados.
No caso da CVC, a expectativa de investidores agora se volta para os próximos passos da nova gestão e para os resultados financeiros ao longo de 2026, que devem indicar se a companhia conseguirá consolidar o processo de recuperação iniciado nos últimos anos.
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