Eduardo Saverin, é um empreendedor e investidor, mais conhecido por ser o brasileiro que, ao lado de Mark Zuckerberg, deu vida ao que viria a ser a maior rede social do mundo, o Facebook. 

De São Paulo a Singapura, das disputas judiciais com Zuckerberg à sua fortuna bilionária, Saverin representa uma figura interessante no cenário de negócios globais. Ainda mais se considerarmos que, em um salto impressionante, sua fortuna praticamente triplicou de 2023 para 2024, o que o colocou entre os homens mais ricos do planeta. 

Interessado em saber mais sobre o brasileiro que foi peça fundamental no surgimento do Facebook? Neste artigo, o Melhor Investimento explora os principais detalhes sobre a trajetória de Saverin, incluindo suas origens, formação e carreira após a saída da gigante das mídias. 

Nascimento e origens de saverin

Nascido em 1982, na cidade de São Paulo, Eduardo Luiz Saverin, foi criado em um lar já familiarizado com o mundo dos negócios. Seu pai, Roberto Saverin, era um empresário industrial, enquanto sua mãe, Sandra Saverin, atuava como psicóloga. 

Contudo, suas raízes empreendedoras são devidamente aprofundadas com seu avô, Eugênio Saverin, conhecido por ser fundador da empresa de roupas infantis Tip Top. Desde cedo, Eduardo esteve imerso em um ambiente com poder aquisitivo que valorizava a iniciativa e a criatividade.

Essa herança, combinada com sua própria inteligência e perspicácia, o moldaria para se tornar um nome de influência no mundo dos negócios. Aos 13 anos, o jovem já demonstrava indícios de um grande estrategista, alcançando até mesmo a vitória sobre um mestre respeitado no xadrez, conquista que lhe rendeu destaque em uma revista da Associação Internacional de Xadrez. 

Saverin passou sua primeira década no Brasil, mas ainda muito jovem, se mudou para os Estados Unidos. Em 1993, aos 11 anos, sua família se estabeleceu em Miami, na Flórida (estado norte-americano). 

Na época, surgiram rumores de que a família corria perigo por supostamente serem potenciais alvos de sequestradores. Contudo, a falácia foi desmentida por seu pai Roberto, que em entrevista a Veja, disse que a mudança foi motivada pelo seu sonho de morar nos EUA, e impulsionada pelo momento fragilizado da economia brasileira. “O Collor tinha congelado a poupança, não estava nada fácil”, declarou. 

Em solo brasileiro, Eduardo cursou parte do ensino fundamental antes de completar o High School – equivalente ao ensino médio brasileiro – na Gulliver Preparatory School, em Miami. Atualmente, mora Singapura com sua esposa Elaine Andriejanssen.

Educação em Harvard

A trajetória acadêmica de Saverin se desenvolveu na renomada Harvard University, a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos e uma das mais prestigiadas em todo o mundo.

Por lá, ele colecionou um currículo notável, chegando até mesmo a presidir a Associação de Investimento de Harvard. Neste âmbito, muito se fala de um suposto investimento, no qual Saverin teria explorado lacunas regulatórias sobre insider trading no Brasil, resultando em um lucro de US$ 300 mil por meio de aportes no setor petrolífero.

Embora essa história nunca tenha sido confirmada, é fato inegável que Saverin se graduou-se em Economia em Harvard com “grandes honras”, ou magna cum laude – título de reconhecimento concedido aos estudantes que obtêm alta qualificação acadêmica. 

Apesar de seu desempenho excepcional, o destaque mais intrigante da vida de Eduardo durante seu tempo em Harvard foi, sem dúvida, sua parceria com Zuckerberg na fundação do mundialmente conhecido Facebook. Afinal, esse período inspirou um filme, inclusive indicado ao Oscar.

Cofundação do Facebook

Antes mesmo de conquistar sua graduação, em 2004, Saverin co-fundou o Facebook, ao lado de Mark Zuckerberg, Andrew McCollum, Chris Hughes e Dustin Moskovitz, em. Sua participação no lançamento do projeto, inicialmente, chamado de Thefacebook, é evidenciado como de grande relevância. 

Aos 21 anos, o brasileiro fez um investimento inicial de R$ 1.000 para adquirir servidores, com a finalidade de potencializar o alcance e a rentabilidade da plataforma. Aliás, a casa de seus pais em Miami serviu durante um tempo como o endereço comercial do Facebook. 

A princípio, o alcance da rede social se limitava à interação entre os estudantes de Harvard. Pouco tempo depois, foi expandida para outros campus de universidades da chamada Ivy League – grupo composto por 8 instituições renomadas de ensino superior dos Estados Unidos.

Não demorou muito para que o Facebook rompesse com a fronteira interna acadêmica, registrando um crescimento exponencial logo nos primeiros anos. Ainda em 2006, a plataforma estava acessível para qualquer pessoa com 13 anos ou mais. 

Em geral, Saverin teve um papel ímpar na construção do Facebook, o que inclui captação de recursos e a implementação de estratégias que impulsionaram a lucratividade da plataforma.

Quando o Facebook foi criado, a divisão inicial da participação no negócio foi de 70% para Zuckerberg e 30% para Saverin. Entretanto, conforme a empresa expandiu e surgiram discordâncias entre os sócios, essa alocação inicial passou por alterações.

Desavenças Eduardo Saverin x Mark Zuckerberg

Ainda nos primeiros anos de operação do Facebook, surgiram conflitos entre Saverin e o sócio majoritário da empresa, Mark Zuckerberg, em função de divergências sobre o direcionamento futuro da rede social. 

Em meio a série de desavenças que vinham sendo formadas, Saverin chegou a acusar Zuckerberg de utilizar o seu dinheiro para gastos pessoais e festas. Logo no primeiro ano do empreendimento, Zuckerberg realizou uma manobra societária que resultou na redução da participação de Saverin na empresa. 

Adicionalmente, por meio de alterações no estatuto, o nome de Saverin foi removido por Zuckerberg do rol de fundadores da empresa. Em resposta, Saverin teria congelado as contas do Facebook. 

Conversas entre Mark e seu advogado, divulgadas pelo “Business Insider” em maio de 2012, revelaram que a intenção do sócio majoritário era reduzir a participação de Eduardo para 10%, de modo que a manobra não se tornasse “dolorosamente evidente”. A relação entre os dois se deteriorou à medida que os desentendimentos se intensificaram e foram levados para o meio judicial. 

Disputas legais e acordo

O conflito nos tribunais norte-americanos, eventualmente, resultou em um acordo extrajudicial entre as partes. Em suma, ficou decidido que Saverin manteria uma participação minoritária no Facebook e teria seu nome restabelecido entre os fundadores.

De acordo com informações de processos legais que envolvem a Saverin, estima-se que o brasileiro atualmente possui um pouco menos de 5% das ações da empresa. Hoje, ele é amplamente reconhecido como cofundador do Facebook, além de ser descrito como o primeiro investidor pelo site da B Capital – empreendimento de capital risco fundado por ele.  

Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, sorri ao lado de sua esposa Elaine Andriejanssen
Foto: Getty Image/ Divulgação Forbes

Saverin é o brasileiro mais rico do mundo?

Até pouco tempo atrás, se escutava que os sócios da 3G Capital, liderados pelo empresário carioca Jorge Paulo Lemann, eram considerados as pessoas mais ricas do Brasil. E com razão, não trata-se de um mero achar do imaginário coletivo. 

Conforme o ranking da Forbes do início de 2023, Eduardo Saverin superava apenas um dos principais sócios da empresa de private equity. Em síntese, Saverin ocupava a terceira posição como brasileiro mais rico do mundo, ficando à frente de Carlos Alberto Sicupira, mas atrás de Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles.

Contudo, o topo agora é do cofundador do Facebook, que assume liderança recorrente nas listas divulgadas pela Forbes. Com uma primeira aparição no ranking em 2011, hoje Saverin é o 60º homem mais rico do planeta, e 1º no grupo de bilionários brasileiros. 

Fortuna Estimada de Eduardo Saverin

Ascensão do patrimônio de Saverin do último ano para 2024, é atribuída em grande parte a sua participação nas ações da Meta, empresa de seu antigo sócio Mark Zuckerberg, detentora de grandes marcas como Instagram, WhatsApp e, claro, o Facebook. 

Conforme o apurado, as ações da Meta tiveram um desempenho acima dos 300% em 2023. Esse crescimento quase triplicou a fortuna de Saverin. Atualmente, estima-se que o patrimônio do investidor brasileiro esteja em torno de US$ 28 bilhões (R$ 141,4 bilhões), segundo dados da Forbes de abril de 2024

Carreira de Eduardo Saverin pós-Facebook

Os negócios de Eduardo Saverin, não se resumem à sua participação no Facebook, permanecendo um investidor ativo até hoje. Dentre seus empreendimentos, certamente, o destaque vai para sua atuação na B Capital Group Management LP. 

A empresa de capital de risco foi fundada pelo brasileiro em 2015, em parceria com o empresário Rajarshi Ganguly, um ex-colega seu de Harvard. A B capital representou um investimento de mais de US$ 150 milhões em negócios no Sudeste Asiático e na Índia. 

Veja um resumo dos projetos frutos do empreendimento até então:

  • Em 2022, a B Capital captou US$ 250 milhões para impulsionar startups em estágio inicial. Conforme as diretrizes da empresa, seus investimentos são concentrados em empresas inovadoras nos setores de saúde, logística e comércio exterior, especialmente aquelas que ainda não receberam atenção do Vale do Silício.
  • O portfólio da B Capital atualmente abrange cerca de 25 investimentos. Um destaque recente é a participação na rodada que aplicou US$ 320 milhões na Lambda, empresa da área de tecnologia e inovação.
  • A equipe da B Capital se fortaleceu com a adição de sócias de peso. Rashmi Gopinath, ex-gestora do fundo M12 da Microsoft, e Karen Page, ex-diretora da Apple, passaram a compor o quadro acionário da empresa. 

Além dos empreendimentos com a B Capital, em 2020, o investidor brasileiro também fez aportes na Antler, fundo de capital de risco fundado por outros ex-colegas de faculdade. Em suma, o objetivo do fundo é justamente apostar no desenvolvimento de startups

Quanto ao futuro, Eduardo Saverin traça um panorama de mudança. A busca se concentra em ideias inovadoras com potencial para gerar impacto global, não se tratando de um monopólio por parte de dez empresas, “mas da capacitação de todas as empresas do mundo com tecnologia em inovação colaborativa”, disse o bilionário em entrevista para a Forbes. 

Filantropia de Eduardo Saverin

Eduardo Saverin não só alcançou sucesso nos negócios, mas também é reconhecido por seu comprometimento com a filantropia e as atividades sociais. Além de suas realizações como investidor, ele direciona parte de sua fortuna para apoiar iniciativas educacionais e projetos de impacto social em todo o mundo.

Controversa mudança de cidadania de Saverin

Em 2009, Eduardo Saverin embarcou em uma jornada rumo a novos horizontes ao imigrar para Singapura. Sua decisão foi motivada, em parte, pelo desejo de explorar oportunidades de negócios no setor tecnológico, supostamente para poder apoiar um amigo empreendedor.

Foi lá que ele reencontrou Elaine Andriejanssen, uma ex-colega de faculdade e influente executiva de uma empresa de investimentos local. Conforme a história oficial, sua paixão pela amiga indonésia de ascendência chinesa, o fez ficar de vez no país. Desde 2015, Saverin é casado com Elaine, com quem teve um filho em 2011. 

Contudo, em 2011, poucos meses antes do Facebook realizar sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de valores, Saverin tomou uma decisão que capturou a atenção da mídia, a controversa renúncia de sua cidadania americana.

Essa ação desencadeou uma série de especulações, principalmente em relação aos motivos por trás da mudança de cidadania. Em geral, os grandes portais de notícias da época reforçaram a possibilidade de Saverin estar buscando benefícios fiscais ao fazer essa transição.

Embora Saverin tenha negado publicamente que a renúncia à cidadania americana estivesse relacionada a questões fiscais, a coincidência temporal com o IPO do Facebook alimentou fortemente a narrativa da época. Conforme estimativa do The Wall Street Journal, a decisão teria poupado cerca de US$ 700 milhões, que seriam cobrados em impostos sobre a oferta inicial da empresa. 

Conforme seu pai, Roberto Saverin, a decisão do filho também mostrou-se difícil para a família, mas nada tinha a ver com as acusações de sonegação fiscal. Segundo ele, Eduardo não tinha alternativa, devido à burocracia mais restrita associada às movimentações financeiras para aqueles que possuem passaporte dos Estados Unidos.

Obras que ilustram e dramatizam sua história

Embora não existam obras específicas dedicadas exclusivamente à vida de Saverin, uma parte intrigante de sua história pode ser apreciada no famoso filme “A Rede Social” de 2010. 

A trama retrata os primórdios do Facebook, incluindo a relação entre Saverin e Mark Zuckerberg. A narrativa destaca os desafios, conflitos e rivalidades que culminaram na expansão fenomenal da rede social. 

Ao longo da obra, observamos a disputa entre os dois personagens mencionados anteriormente. No filme, Saverin é interpretado por Andrew Garfield, conhecido por seu papel como uma das encarnações do Homem-Aranha no cinema.

Além disso, existem alguns livros que fazem menções significativas e oferecem descrições do investidor brasileiro, como “Bilionários por Acaso”, escrito por Ben Mezrich, e “O Efeito Facebook“, de autoria de David Kirkpatrick.

Lucas Machado

Redator do Melhor Investimento e estudante de Psicologia, com mais de dois anos de experiência em redação de artigos relacionados aos mais variados assuntos e campos do saber.