Investir em ações da Oi (OIBR3) é uma boa opção em 2024? O artigo de hoje vai te responder!

Tradicionalmente, tendemos a associar as grandes e populares empresas a bons investimentos, trazendo segurança e rentabilidade recorrente. Porém, na prática, isso não é uma unanimidade.

Todo investidor deve estar atento às movimentações do dinâmico mercado de investimentos e, nesse sentido, o portal Melhor Investimento é seu aliado, com notícias e artigos diários sobre os principais assuntos, ações, empresas e fundos do mercado financeiro.

Hoje, veremos em detalhes o histórico da Oi no mercado acionário, desde a sua origem até os dividendos recentes e a cotação atual. Acompanhe!

O que é OIBR3?

A Oi S.A., popularmente conhecida como Oi, é uma das principais empresas do Brasil no setor de comunicação, com destaque no segmento de telecomunicação. Como uma sociedade anônima de capital aberto, suas ações são negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, a B3, sob os códigos OIBR3 e OIBR4.

Criada no início dos anos 2000, a Oi tornou-se uma das maiores empresas privadas de telecomunicação no país, presente em todos os estados do território nacional.

A principal atividade da Oi é fornecer serviços de telecomunicação móvel e telefonia fixa, sendo a maior empresa deste setor no Brasil e uma das maiores da América Latina. Além disso, a Oi oferece serviços de internet de banda larga e televisão a cabo.

Com presença em 25 estados e no Distrito Federal, a Oi é uma das empresas com maior abrangência no país. A empresa também se destaca por sua atuação internacional, tendo tido atividades em Portugal e em países como Angola, Moçambique, Timor-Leste e Hungria, entre outros.

Distribuição de Capital da Oi (Data Base: 27/03/2023)

  • Investidores Totais: 1.568.837
  • Institucional:
    • Quantidade: 1.001
    • Percentual: 0,064%
  • Pessoa Jurídica:
    • Quantidade: 213.002
    • Percentual: 13,577%
  • Pessoa Física:
    • Quantidade: 1.354.834
    • Percentual: 86,359%

Histórico da Oi – da antiga Telemar até aqui

Antes de vermos os desdobramentos e a cotações recentes, é importante contextualizar a atuação de mais de duas décadas, entendendo a história da empresa.

Em 1998, quando houve a privatização da Telebrás e, no processo, foi criada a Tele Norte Leste, companhia que rapidamente teve sua razão social alterada para Telemar.

O grande destaque da Telemar, na época, eram suas atividades no campo de telefonia fixa, sendo considerada a principal do segmento no país. Visando atender às novas demandas do período, a Telemar passou a investir de forma agressiva no setor de telefonia móvel no início do milênio. Para isso, em 2002, a companhia criou a Oi, frente que seria responsável pelo setor de telefonia móvel do grupo.

Ao longo dos primeiros anos, a companhia atuava em alguns estados das regiões Norte, Nordeste e Sudeste. No final da década, em 2007, todas as atividades da Telemar foram unidas na Oi e, com isso, a companhia passou a atuar também nos segmentos de internet e telefonia fixa, entre outros.

Com o objetivo de aumentar sua atuação no mercado nacional, a Oi adquiriu a Brasil Telecom no ano de 2009, em uma negociação de valor superior a R$5,8 bilhões. Tal negócio possibilitou à companhia oferecer e prestar serviços em todo território nacional.

Em 2010, a empresa também intensificou a internacionalização de sua marca, especialmente ao comprar parte da Portugal Telecom, ativo que permaneceu dentro do grupo até 2015. Também no início da década, as ações da Telemar e Brasil Telecom deixaram de ser negociadas na Bolsa de Valores, concentrando-se apenas nos tickers da Oi. O grupo também fortaleceu seus serviços de internet banda larga ao longo dos anos seguintes.

Contudo, a empresa passou por graves problemas financeiros na época, e em 2016 o grupo entrou com pedido de recuperação judicial. Em 2020, os ativos móveis da Oi foram adquiridos pelo consórcio formado por TIM, Claro e Vivo, por um valor superior a R$16,5 bilhões.

Entenda os Processos de Recuperação Judicial da OiLinha do Tempo

A Oi S.A. (OIBR3) tem no seu histórico dois processos de recuperação judicial. O primeiro, iniciado em 2016 devido a uma dívida de R$65 bilhões, marcado como o maior da história do Brasil e envolveu a reestruturação da dívida e a venda de ativos.

Em 2023, a Oi entrou em recuperação judicial pela segunda vez, com uma dívida de R$44,3 bilhões, causada em parte por atrasos na aprovação de venda de ativos.

Confira a linha do tempo e os acontecimentos envolvendo a recuperação judicial da empresa de 2016 até aqui:

  • 2016
    • Oi entrou com pedido de recuperação judicial devido a uma dívida de cerca de R$65 bilhões, a maior da história do Brasil até então.
  • 2017
    • Justiça brasileira aprovou o plano de recuperação judicial, incluindo a reestruturação da dívida e a venda de ativos não essenciais.
  • 2018
    • Aprovação de um aumento de capital de R$4 bilhões para manter operações.
    • Início da venda de ativos, como imóveis e torres de telecomunicação, para reduzir a dívida.
  • 2020
    • Venda dos ativos móveis da Oi para o consórcio formado por TIM, Claro e Vivo por mais de R$16,5 bilhões.
    • Foco da Oi em serviços de fibra óptica e internet de banda larga.
  • 2022
    • Cumprimento dos principais requisitos do plano de recuperação.
    • Aprovação para encerrar o processo de recuperação judicial, marcando o início de uma nova fase na trajetória da empresa.

2023

  • Em março, a Oi entrou em recuperação judicial pela segunda vez, agora com R$44,3 bilhões em dívidas.
  • Entre os fatores que contribuíram para a nova crise, destaca-se o atraso na aprovação pelos órgãos reguladores e de defesa da concorrência das operações de venda dos ativos móveis e da InfraCo.
  • Credores aprovaram o plano de segunda recuperação judicial, após ajustes negociados entre a empresa e um grupo relevante de credores.

2024

  • Plano de recuperação aprovado será submetido à homologação do Juízo da 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.
  • O plano visa assegurar a viabilidade operacional e a sustentabilidade do grupo.
  • Em 17 de junho, a Corte de Falência dos Estados Unidos do Distrito Sul de Nova York deferiu medida para conferir plenos efeitos e eficácia ao plano de recuperação judicial da Oi nos EUA.
  • A decisão também autoriza a realização das etapas necessárias para a consumação do plano e enquadra o processo no Chapter 15, que trata de companhias devedoras em solo norte-americano, atingindo também subsidiárias como Portugal Telecom Finance BV e Oi Brasil Holdings Coöperatief.

Vantagens de Investir em OIBR3

  1. Potencial de recuperação: Com a implementação dos planos de recuperação judicial, há potencial para a empresa reestruturar suas finanças e operações, o que pode levar a uma valorização das ações.
  2. Expansão de serviços: A Oi está focando em expandir seus serviços de fibra óptica, um segmento em crescimento que pode gerar receita significativa.
  3. Presença nacional: A Oi tem uma ampla cobertura nacional, presente em todos os estados do Brasil, o que pode ser uma vantagem competitiva no mercado de telecomunicações.
  4. Diversificação: A Oi oferece uma gama de serviços, incluindo telefonia móvel, fixa, internet de banda larga e TV a cabo, o que pode atrair uma base de clientes diversificada.

Desvantagens de Investir em OIBR3

  1. Histórico financeiro: A empresa passou por dois processos de recuperação judicial devido a graves problemas financeiros, o que pode indicar riscos contínuos.
  2. Dívida: Mesmo com os planos de recuperação, a Oi ainda possui uma dívida significativa que pode impactar negativamente seu desempenho financeiro.
  3. Concorrência: O setor de telecomunicações no Brasil é altamente competitivo, com grandes players como TIM, Claro e Vivo, o que pode dificultar a recuperação e crescimento da Oi.
  4. Incertezas regulatórias: A empresa enfrenta riscos regulatórios que podem afetar suas operações e planos de reestruturação, como visto nos atrasos na aprovação da venda de ativos.
  5. Volatilidade das ações: As ações da Oi têm mostrado alta volatilidade devido às incertezas em torno de sua recuperação financeira, o que pode ser arriscado para investidores.

Como está a Cotação das ações da Oi em 2024?

Atualmente, até o fechamento deste artigo, a cotação da Oi (OIBR3) estava em R$ 6,21, representando uma queda de 0,48%. Nos últimos 12 meses, o valor mínimo registrado foi de R$ 4,34, enquanto o máximo chegou a R$ 14,20, com uma queda significativa de 39,02% no valor das ações. No entanto, no mês atual, houve uma recuperação de 4,36%. Em junho de 2024, a mínima foi de R$ 5,96 e a máxima de R$ 6,41.

Dividendos de OIBR3

A OIBR3 não tem distribuição de dividendos registrada desde 11/10/2014, quando pagou R$30,49 por cota aos acionistas.

Veja, a seguir, a tabela com informações das últimas distribuições de dividendos Oi.

TipoData ComPagamentoValor
DIVIDENDO27/09/201311/10/201330,4872910
DIVIDENDO21/03/201328/03/201351,0688584
DIVIDENDO17/08/201227/08/201230,95774740
DIVIDENDO30/04/201208/05/2012121,94870945
DIVIDENDO27/04/201109/05/201129,92286678
JCP21/12/201009/05/201143,59604002
JCP17/11/201021/01/201117,98000000
JCP29/12/200810/08/200914,48404770
JCP08/04/200810/08/200944,75885120
DIVIDENDO18/03/200816/04/200874,37302890
JCP26/12/200716/04/200819,25915520
JCP09/02/200716/04/200844,76748580
Os valores a serem distribuídos foram alterados devido a eventos de agrupamento de ações. Os quais, datalharemos a seguir:

Histórico de Grupamentos de Ações da Oi (OIBR3)

GrupamentoData do AnúncioData ComFator
110/05/202414/06/202410,0000 para 1,0000
201/12/202206/01/202310,0000 para 1,0000
318/11/201419/12/201410,0000 para 1,0000

Como investir em ações Oi (OIBR3)

Para adquirir ações da Oi, o investidor deve acessar o site ou aplicativo de sua corretora e buscar pelo código OIBR3. Em todo caso, é fundamental contar com o apoio de um assessor de investimentos qualificado, somente este profissional está regulamentado para fornecer indicação de compra/venda de ativos.

Afinal, vale a pena investir em ações OIBR3?

Contudo, vimos que investir em ações da Oi (OIBR3) apresenta tanto oportunidades quanto riscos significativos. Por um lado, a empresa está implementando planos de recuperação judicial que visam reestruturar suas finanças e operações, o que pode resultar em uma valorização das ações. A expansão de seus serviços de fibra óptica e sua ampla presença nacional também são pontos positivos que podem gerar receita e aumentar a competitividade da empresa. Além disso, a diversificação de seus serviços, incluindo telefonia móvel, fixa, internet de banda larga e TV a cabo, pode atrair uma base de clientes variada e estabilizar a receita.

Por outro lado, o histórico financeiro da Oi é marcado por dois processos de recuperação judicial, indicando riscos contínuos. A empresa ainda possui uma dívida significativa que pode impactar negativamente seu desempenho financeiro. A alta concorrência no setor de telecomunicações e as incertezas regulatórias também representam desafios substanciais. Além disso, a volatilidade das ações da Oi pode ser arriscada para investidores, especialmente considerando a queda significativa de 39,02% no valor das ações nos últimos 12 meses, apesar da recuperação recente de 4,36%.

Portanto, antes de decidir investir em OIBR3, é crucial que o investidor avalie cuidadosamente tanto os potenciais benefícios quanto os riscos associados. Uma análise detalhada do histórico da empresa, suas estratégias de recuperação e o cenário competitivo atual são essenciais para tomar uma decisão informada.

Pedro Gomes

Jornalista e Redator do Melhor Investimento.