As bolsas asiáticas estão ganhando cada vez mais importância no cenário global, e a Bolsa de Valores de Xangai / Shanghai Stock Exchange (SSE) se destaca como a maior bolsa de valores da China e a quarta maior do mundo em capitalização de mercado (US$ 6,7 trilhões em 2023, segundo a World Federation of Exchanges).

Em 2019, a SSE lançou a sua plataforma de negociação STAR Market, índice voltado para empresas relacionadas à tecnologia, semelhante a Nasdaq, visando explorar a importância da tecnologia no mercado financeiro da China.

Neste artigo, iremos compreender o mercado Star, sua participação dentro da maior bolsa de valores da Ásia e quais são as oportunidades de investimento no mercado asiático.

O que é o STAR Market?

O STAR Market é uma iniciativa da Bolsa de Valores de Xangai (SSE) para impulsionar o setor de tecnologia na China através de um índice de negociação voltado especificamente para empresas de alto potencial. Criado com o objetivo explícito de rivalizar com a Nasdaq dos Estados Unidos, este mercado tem chamado a atenção tanto de investidores quanto de empresas em busca de capital para impulsionar seu crescimento, principalmente.

No final de Junho de 2023, o mercado contava com 542 empresas cotadas com um valor total de 6,72 biliões de yuans (937,77 mil milhões de dólares), segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia da China.

Uma das características distintivas do Mercado STAR é sua abertura para empresas não lucrativas e empresas com estruturas de direitos de voto desiguais. Essa política contrasta com as restrições encontradas em outras bolsas chinesas, oferecendo uma oportunidade única para empresas que, de outra forma, teriam dificuldades em acessar o mercado de capitais.

Desde o seu lançamento, o STAR Market aparece como um ponto focal para investidores interessados em tecnologia na China. Empresas emergentes no campo da inteligência artificial, startups, biotecnologia, semicondutores e outras áreas de vanguarda encontraram no Mercado STAR uma plataforma para atrair investimentos e expandir suas operações.

Como funciona a bolsa de valores de Xangai

A Bolsa de Valores de Xangai (SSE), também conhecida como Shanghai Stock Exchange, destaca-se como a maior bolsa de valores não apenas da China, mas de todo o continente asiático. Fundada em 1866 e sediada na maior cidade chinesa, Xangai, reconhecida como um importante centro financeiro global, a SSE pausou suas atividades de 1950 a 1990 durante a revolução chinesa, mas desde então tem mantido um crescimento constante.

Além da SSE, a China abriga outras duas instituições financeiras semelhantes, localizadas em cidades estratégicas para a economia do país: Shenzen (Shenzhen Stock Exchange – SZSE) e Hong Kong (Hong Kong Stock Exchange – SEHK).

A SSE opera sob a supervisão da China Securities Regulatory Commission (CSRC) e é responsável pela negociação de ações, fundos, títulos e derivativos. Cada empresa listada na bolsa tem duas classes principais de ações: A-shares e B-shares. As ações B são cotadas em dólares americanos e geralmente estão abertas para investidores estrangeiros, enquanto as ações A são cotadas em yuan e só podem ser acessadas por meio de um programa de qualificação chamado QFII (Qualified Foreign Institutional Investor).

Principal índice da bolsa de Xangai

As bolsas de valores pelo mundo geralmente possuem índices de referência que ajudam a conhecer o mercado. Na Bolsa de Valores de Xangai, o SSE 50 é o principal índice. Ele ajuda a analisar o desempenho da bolsa de Xangai reunindo as maiores companhias por capitalização.

No Brasil, o Ibovespa é o principal índice de referência da bolsa. Ele acompanha o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de valores brasileira, a B3. Assim, é possível ter um termômetro do mercado e entender o que tem acontecido de modo geral.

Dessa maneira, esses índices podem ser um monitor das oscilações do mercado. Isso serve de referência para que os investidores saibam se as ações apresentam queda ou elevação, por exemplo.

Conheça outros índices do mercado asiático:

  • TÓQUIO: índice Nikkei
  • HONG KONG: índice HANG SENG
  • SEUL: índice KOSPI 
  • TAIWAN: índice TAIEX
  • CINGAPURA: STRAITS TIMES 
  • SYDNEY: índice S&P/ASX 200

Como investir no mercado Asiático?

Diferentemente da Bolsa de Valores de Hong Kong, que está aberta a investidores estrangeiros, a Bolsa de Valores de Xangai ainda não é tão acessível. Em alguns momentos influenciada pelas decisões do governo central, devido aos controles de conta de capital mantidos pelas autoridades da China continental.

Quando pensamos sobre onde investir, Brasil e exterior são opções comuns. Mas, é possível investir na China estando no Brasil? A resposta é sim!


As principais opções de como investir no mercado asiático incluem:

  • Fundos de Investimento: buscar por fundos de investimento internacionais que aplicam em ações ou outros ativos chineses é uma alternativa inicial.
  • ETF’s: Outra opção é investir em ETFs (Exchange Traded Funds) que acompanham índices de ações chinesas.
  • BDRs (Brazilian Depositary Receipts): recibos de ações emitidos no Brasil que representam ações de empresas estrangeiras, disponíveis para compra na B3 (Bolsa de Valores do Brasil).
  • ADRs (American Depositary Receipts): Recibos de ações emitidos nos EUA que representam ações de empresas estrangeiras.

Esses instrumentos possibilitam que investidores brasileiros adquiram ações estrangeiras ou tenham exposição a um grupo diversificado de ativos estrangeiros. Além disso, não é necessário a abertura de contas no exterior para a maior parte dos ativos que possibilitam a exposição ao mercado chinês.

Qual a importância da tecnologia no mercado financeiro da China?

No posto de segunda maior economia global de acordo com o FMI, a China teve um crescimento anual de 5,2% do PIB em 2023, contribuindo com 32% do crescimento econômico mundial. A tecnologia no mercado da China se junta ao impulso econômico relacionado à indústria e ao comércio em geral, contribuindo para competitividade global do país.

Por fim, com o crescimento exponencial de setores como inteligência artificial, tecnologia espacial e outros da inovação, a China apresenta compromisso firme com o desenvolvimento tecnológico, visando impulsionar sua economia e garantir posição entre os líderes globais.

Pedro Gomes

Jornalista e Redator do Melhor Investimento.