Bolsa brasileira pode chegar a 235 mil pontos em 2026, projeta XP

XP eleva projeção do Ibovespa para 190 mil pontos em 2026 e vê potencial de alta até 235 mil, impulsionado por fluxo estrangeiro.

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Última atualização:  02 de fev, 2026 às 13:12
Prédio da B3, a Bolsa de Valores do Brasil. (Foto: Divulgação/B3)

A XP Investimentos revisou para cima sua projeção para o Ibovespa ao fim de 2026, elevando o cenário-base de 185 mil para 190 mil pontos, após um início de ano marcado por forte entrada de capital estrangeiro e desempenho acima da média global da Bolsa brasileira.

Em relatório divulgado nesta semana, a casa também apresentou um cenário otimista, no qual o principal índice da B3 pode atingir 235 mil pontos, caso haja expansão de múltiplos, queda dos juros reais de longo prazo e surpresas positivas nos lucros das empresas.

Fluxo estrangeiro impulsiona Bolsa brasileira em 2026

Segundo a XP, o Brasil foi um dos principais beneficiários da rotação global para fora dos ativos dos Estados Unidos, movimento que ganhou força em janeiro. No período, o Ibovespa subiu 12,6% em reais e 17,4% em dólares, desempenho superior ao do MSCI Mercados Emergentes e do MSCI ACWI. Apenas em janeiro, os fluxos estrangeiros líquidos somaram R$ 23,1 bilhões, praticamente igualando todo o volume registrado ao longo de 2025.

Os estrategistas destacam que, no momento, o mercado acionário brasileiro segue totalmente dependente do capital externo, já que investidores institucionais locais e pessoas físicas continuam, em geral, como vendedores líquidos.

Valuation ainda atrativo sustenta projeção da XP

Mesmo após o forte rali recente, a XP avalia que as ações brasileiras continuam negociando a preços atrativos quando comparadas a outros mercados emergentes e desenvolvidos. A análise de valuation considera três frentes:

  • comparação do Brasil com outros mercados globais, onde o desconto permanece relevante;
  • relação com a média histórica, com o Ibovespa negociando em torno de 11 vezes o preço sobre lucro (P/L) projetado;
  • comparação com os juros reais, que ainda se mantêm elevados, mas com expectativa de queda ao longo do ciclo monetário.

Para a casa, a perspectiva de afrouxamento monetário nos próximos trimestres reforça a atratividade do mercado acionário brasileiro, mesmo com o calendário eleitoral de 2026 no radar.

Cenário otimista vê Ibovespa a 235 mil pontos

No cenário mais favorável, a XP projeta um Ibovespa a 235 mil pontos, o que representaria potencial de valorização de cerca de 30% em relação aos níveis atuais. Essa projeção assume lucros e Ebitda 10% acima do cenário-base, juros reais em torno de 5,5% e expansão dos múltiplos para aproximadamente 13 vezes o P/L projetado e 6,5 vezes EV/Ebitda.

Já no cenário pessimista, a casa considera lucros 10% menores, juros reais mais altos, em 8,5%, e compressão de múltiplos, o que levaria o índice para cerca de 144 mil pontos, indicando risco de queda de aproximadamente 20%.

Mercado mais sensível a fluxos

Outro ponto destacado no relatório é a redução estrutural do mercado acionário brasileiro nos últimos anos. O volume médio diário negociado caiu cerca de 30% desde 2021, enquanto o número de empresas listadas diminuiu no período, tornando o Ibovespa mais sensível a variações marginais de fluxo. Esse fator, segundo a XP, amplifica tanto movimentos de alta quanto de correção.

Apesar disso, a leitura da casa segue construtiva para 2026, sustentada por valuations ainda descontados, maior interesse estrangeiro e expectativa de melhora no ambiente macroeconômico.

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Pedro Gomes

Jornalista formado pela UniCarioca, com experiência em esportes, mercado imobiliário e edtechs. Desde 2023, integra a equipe do Melhor Investimento.