Wall Street inicia semana sob pressão com guerra no Oriente Médio
Mercado acompanha avanço dos juros globais, risco inflacionário e resultados de gigantes americanas nesta semana.
Imagem: Envato Elements.
Os índices futuros de Wall Street abriram a semana em queda na noite deste domingo (17), enquanto investidores acompanham a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e aguardam os resultados trimestrais da Nvidia e das principais varejistas americanas.
Os contratos futuros do Dow Jones caíam cerca de 0,2%, enquanto S&P 500 e Nasdaq operavam em baixa próxima de 0,1%.
Petróleo dispara com temor sobre Estreito de Ormuz
O mercado de petróleo voltou a subir fortemente diante das preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.
Os contratos do petróleo WTI avançavam cerca de 1,8%, negociados acima de US$ 107 por barril. Já o Brent, referência internacional, subia aproximadamente 1,5%, operando acima de US$ 110.
A continuidade das tensões militares e o risco de interrupções no fornecimento global de energia aumentaram a cautela entre investidores.
Nvidia e varejistas podem mexer com mercado
Além da geopolítica, o mercado acompanha uma semana importante de balanços corporativos nos Estados Unidos. A Nvidia divulgará seus resultados trimestrais na quarta-feira, enquanto Target e Walmart também apresentam números nos próximos dias.
As divulgações acontecem após uma sequência de recordes recentes nos índices americanos. Na semana passada, S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas, enquanto o Dow Jones chegou a superar momentaneamente os 50 mil pontos.
Juros globais entram novamente no radar
Apesar do bom desempenho recente das bolsas, investidores passaram a demonstrar maior preocupação com o avanço das taxas de juros globais.
Na sexta-feira, o S&P 500 registrou sua maior queda desde março após forte pressão no mercado de títulos públicos. Os rendimentos dos Treasuries americanos de 10 anos superaram 4,5%, enquanto juros de longo prazo também avançaram no Japão e no Reino Unido.
Analistas avaliam que a alta do petróleo pode reforçar pressões inflacionárias e dificultar cortes de juros pelo Federal Reserve.
Trump volta a pressionar Irã
O presidente Donald Trump voltou a endurecer o discurso contra o Irã durante o fim de semana. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o tempo para um acordo estaria acabando e alertou Teerã sobre possíveis consequências caso as negociações não avancem rapidamente.
Ao mesmo tempo, veículos ligados ao governo iraniano indicaram que as conversas seguem travadas e distantes de uma solução diplomática definitiva.
Mercado teme novo choque inflacionário
O receio de investidores é que um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz provoque um novo choque nos preços da energia. Analistas alertam que isso poderia pressionar ainda mais a inflação global, afetando crescimento econômico, confiança do consumidor e desempenho das bolsas.
Segundo estrategistas internacionais, o avanço dos preços do petróleo também pode levar fabricantes ao redor do mundo a acelerar estoques e produção antes de possíveis restrições mais severas no fornecimento energético.
Fed deve manter postura cautelosa
O ambiente de inflação persistente também fortaleceu apostas de que o Federal Reserve manterá juros elevados por mais tempo. Dados recentes de inflação nos Estados Unidos aumentaram a percepção de que cortes de juros podem demorar mais do que o esperado pelo mercado.
O gestor Jeffrey Gundlach afirmou no fim de semana que considera improvável qualquer redução de juros na próxima reunião do Fed diante da pressão inflacionária e da alta dos rendimentos dos títulos públicos.
Investidores agora acompanham os próximos desdobramentos da crise no Oriente Médio e os balanços corporativos em busca de sinais sobre o rumo da economia global e dos mercados financeiros.