Moraes repreende general Freire Gomes em audiência no STF sobre trama golpista

Durante audiência no STF, o ministro Alexandre de Moraes repreendeu o general Marco Antônio Freire Gomes por contradições em seu depoimento sobre a trama golpista que teria o objetivo de impedir a posse de Lula.

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20 de maio, 2025 às 06:30
Moraes repreende general Freire Gomes em audiência no STF sobre trama golpista Moraes repreende general Freire Gomes em audiência no STF sobre trama golpista

Durante depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (19), o ministro Alexandre de Moraes confrontou o general da reserva Marco Antônio Freire Gomes sobre supostas omissões em seu testemunho relacionado à trama golpista que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O militar foi convocado como testemunha no processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do chamado núcleo duro da tentativa de ruptura institucional.

A audiência faz parte do inquérito que apura o envolvimento de autoridades civis e militares na elaboração de estratégias ilegais para manter Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota nas eleições de 2022. O caso ganhou notoriedade pela gravidade das acusações e pelo possível envolvimento de altos comandos das Forças Armadas.

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Trama golpista: Moraes questiona veracidade de depoimento sobre apoio da Marinha

O ponto mais tenso da audiência ocorreu quando Alexandre de Moraes questionou Freire Gomes sobre uma declaração dada anteriormente à Polícia Federal, na qual o general teria afirmado que o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, manifestou apoio direto ao ex-presidente durante uma reunião estratégica. No STF, no entanto, o general evitou repetir esse trecho do depoimento.

“O senhor falseou a verdade na polícia ou está falseando aqui?”, indagou Moraes, visivelmente irritado com a aparente contradição. O general respondeu de forma enfática: “Em 50 anos de Exército, jamais mentiria”.

Ele acrescentou que Garnier teria dito apenas que “estava com o presidente”, mas se recusou a interpretar o significado dessa afirmação, alegando que não poderia especular sobre a intenção por trás das palavras do almirante. Essa declaração é relevante no contexto da trama golpista, pois indica uma possível articulação institucional para sustentar medidas antidemocráticas.

General nega ter dado voz de prisão a Bolsonaro

Outro ponto sensível abordado foi a suposta tentativa de dissuadir o então presidente Jair Bolsonaro durante uma reunião em que foram apresentados estudos jurídicos com propostas para instaurar um Estado de Sítio e acionar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — mecanismos legais que poderiam ser usados de forma indevida para impedir a posse do presidente eleito.

Questionado sobre esse episódio, Freire Gomes negou categoricamente que tenha dado voz de prisão a Bolsonaro: “Não aconteceu isso, de forma alguma. Eu alertei ao presidente que, se ele saísse dos aspectos jurídicos, além de não concordarmos com isso, ele seria implicado juridicamente”, afirmou.

A afirmação reforça a linha de defesa de que, embora tenham sido apresentados cenários de ruptura institucional, os principais comandantes não teriam concordado com a execução do plano. Ainda assim, a simples apresentação de tais ideias e a presença de autoridades militares nas discussões estão sendo tratadas como elementos centrais da investigação sobre a trama golpista.

Clima tenso marca audiência no STF com críticas à defesa de Torres

Além do embate entre Moraes e Freire Gomes, a audiência foi marcada por outro momento de tensão, desta vez envolvendo o advogado Eumar Novak, defensor do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Moraes se irritou com a insistência do advogado em repetir diversas vezes a mesma pergunta relacionada à participação de Torres nas reuniões militares.

“Não estamos aqui para fazer circo. Não vou permitir que Vossa Excelência faça circo no meu tribunal. Não adianta ficar repetindo seis vezes a mesma pergunta”, afirmou Moraes, interrompendo a fala do defensor.

Esse episódio evidenciou o clima de pressão e a tentativa da defesa de descredibilizar os relatos que possam implicar diretamente seus clientes. Anderson Torres, inclusive, é apontado como um dos articuladores da minuta golpista apreendida em sua residência durante operação da PF.

Investigação sobre trama golpista expõe bastidores de reunião no Planalto

A audiência desta segunda-feira revelou novos detalhes sobre os bastidores da reunião no Palácio do Planalto em que foram discutidas propostas para a manutenção de Bolsonaro no poder. Segundo relatos já anexados ao inquérito, participaram do encontro integrantes do alto escalão do governo, além de representantes das Forças Armadas.

A linha de investigação da PGR busca comprovar que houve não apenas conhecimento, mas também envolvimento ativo de autoridades civis e militares na trama golpista, o que pode configurar crime contra o Estado democrático de Direito.