Tesouro recompra R$ 5,4 bilhões em títulos e atua pelo terceiro dia para conter juros

Governo intensifica intervenções no mercado de renda fixa para reduzir distorções na curva de juros em meio à volatilidade global.

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Última atualização:  18 de mar, 2026 às 15:18
Notas de R$ 100 e R$ 200 sobrepostas. Imagem: Envato Elements.

O Tesouro Nacional realizou, nesta quarta-feira (18), novos leilões extraordinários de recompra de títulos públicos, movimentando R$ 5,41 bilhões. A operação marca o terceiro dia consecutivo de intervenção no mercado diante da forte pressão sobre a curva de juros.

Foram recomprados papéis prefixados, incluindo Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F).

No caso das LTNs, o Tesouro adquiriu 3,15 milhões de títulos, com vencimentos em 2030 e 2032. Já nas NTN-F, a recompra somou 4,42 milhões de papéis, com vencimentos em 2033 e 2035.

Apesar de ter ofertado títulos para venda nos mesmos leilões, o governo optou por não aceitar propostas.

Intervenção para conter a alta dos juros

A atuação do Tesouro ocorre em meio a um ambiente de forte aversão ao risco nos mercados globais, intensificado pelo conflito no Oriente Médio. O movimento levou investidores a se desfazerem de títulos públicos brasileiros, pressionando as taxas de juros.

Nos últimos dias, os rendimentos atingiram níveis elevados. O Tesouro Prefixado 2029 chegou a pagar cerca de 14,25% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ 2032 encostou em juros reais próximos de 7,9%.

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Estratégia para reduzir distorções

Com as recompras, o governo busca reduzir distorções na curva de juros e melhorar as condições de liquidez do mercado.

Ao atuar como comprador, o Tesouro aumenta a demanda pelos títulos, o que sustenta os preços e, consequentemente, reduz as taxas exigidas pelos investidores — diminuindo o prêmio de risco.

Nos dias anteriores, as intervenções já haviam sido relevantes:

  • segunda-feira (16): cerca de R$ 12,1 bilhões recomprados
  • terça-feira (17): mais R$ 9,05 bilhões

Além disso, o Tesouro chegou a cancelar leilões tradicionais de venda de títulos, substituindo-os por operações extraordinárias focadas na recompra.

A sequência de ações sinaliza uma tentativa do governo de estabilizar o mercado de renda fixa diante da volatilidade recente e evitar uma deterioração mais acentuada nas condições financeiras.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.