Brasil capta US$ 4,5 bilhões no mercado internacional com forte demanda por títulos soberanos

O Brasil realizou sua primeira emissão de títulos soberanos no mercado internacional em 2026, captando US$ 4,5 bilhões em operação nos Estados Unidos.

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10 de fev, 2026 às 14:00
Gemini said Uma imagem de uma prensa industrial imprimindo folhas de notas de 100 dólares americanos. Imagem: iStockphoto... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/economia/brasil-capta-us-45-bilhoes-em-titulos-no-mercado-internacional/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos

O Brasil capta US$ 4,5 bilhões no mercado internacional em sua primeira emissão de títulos soberanos em 2026, reforçando a presença do país entre emissores globais e sinalizando confiança dos investidores estrangeiros na dívida pública brasileira. A operação foi anunciada pelo Tesouro Nacional na última segunda-feira (9) e realizada nos Estados Unidos, envolvendo papéis de dez e 30 anos de prazo.

A captação ocorreu por meio da emissão de um novo título de dez anos, o Global 2036, e da reabertura do Global 2056, com vencimento em 30 anos. Segundo o Tesouro, o volume elevado e a forte demanda demonstram uma percepção favorável do mercado internacional em relação à credibilidade fiscal do país e à atratividade dos ativos brasileiros.

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Do total captado, US$ 3,5 bilhões vieram da emissão do Global 2036, configurando o maior volume já registrado pelo Brasil em títulos soberanos internacionais com prazo de dez anos. O papel tem vencimento em 22 de maio de 2036 e foi emitido com juros de 6,4% ao ano.

Além disso, o título prevê o pagamento de cupom de 6,25% ao ano, distribuído semestralmente, nos meses de maio e novembro. O spread ficou em 220 pontos-base acima dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, indicador utilizado para medir o risco percebido pelos investidores em relação ao país emissor.

Juros e spread refletem cenário externo e percepção de risco

Na comparação com a emissão anterior de títulos de dez anos, realizada em novembro do ano passado, os juros e o spread foram mais elevados. Na ocasião, o Tesouro havia conseguido captar recursos com juros de 6,2% ao ano e spread de 210,9 pontos-base.

De acordo com analistas, essa diferença reflete tanto as condições do mercado internacional quanto as expectativas em relação à política monetária global. Ainda assim, o elevado volume emitido indica que o Brasil capta US$ 4,5 bilhões no mercado internacional mesmo em um ambiente de custos mais altos, sustentado pela confiança dos investidores.

Reabertura do Global 2056 reforça interesse de longo prazo

Além do título de dez anos, o Tesouro Nacional captou US$ 1 bilhão com a reabertura do Global 2056, papel com vencimento em 12 de janeiro de 2056. O título de 30 anos pagará juros de 7,3% ao ano, com cupom de 7,25% ao ano.

O spread ficou em 245 pontos-base acima dos títulos equivalentes do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo o Tesouro, esse foi o menor spread para um título brasileiro de 30 anos desde julho de 2014, quando a diferença era de 187,5 pontos-base.

Na comparação com a última emissão do Global 2056, realizada em setembro do ano passado, houve queda tanto nos juros quanto no spread, sinalizando melhora na percepção de risco de longo prazo do Brasil.

Demanda supera oferta e livro de ordens chega a US$ 12 bilhões

A operação teve forte procura por parte de investidores internacionais. O livro de ordens alcançou aproximadamente US$ 12 bilhões, o que representa uma demanda 2,7 vezes superior ao volume ofertado pelo Tesouro Nacional.

Segundo o órgão, no caso do Global 2036, o montante captado foi o maior já registrado para títulos internacionais de dez anos desde o início das emissões externas do governo brasileiro.

“O elevado volume, aliado aos spreads competitivos, evidencia a confiança dos investidores na robustez da dívida soberana brasileira”, destacou o Tesouro em nota oficial.

Operação foi coordenada por grandes bancos globais

A emissão dos títulos foi coordenada por um grupo de instituições financeiras internacionais, incluindo HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo, que atuaram na estruturação e distribuição dos papéis no mercado externo.

Os recursos captados, segundo o Tesouro Nacional, serão incorporados às reservas internacionais do Brasil no dia 19 de fevereiro, fortalecendo o colchão de liquidez do país.

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