Tarifa zero no transporte pode injetar bilhões na economia
Um estudo da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que a tarifa zero no transporte público nas capitais brasileiras pode injetar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia.
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A implementação da tarifa zero no transporte nas 27 capitais brasileiras poderia gerar uma injeção de até R$ 60,3 bilhões por ano na economia, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (5). A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O levantamento considerou dados recentes sobre mobilidade urbana e o funcionamento dos sistemas de transporte coletivo, incluindo ônibus e redes metroferroviárias. Após descontar gratuidades já existentes — como as concedidas a idosos, estudantes e pessoas com deficiência — o impacto econômico líquido estimado chega a R$ 45,6 bilhões anuais.
Na prática, isso significa que a tarifa zero no transporte transformaria um gasto obrigatório das famílias em renda disponível, estimulando o consumo e ampliando a circulação de dinheiro na economia.
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Os pesquisadores destacam que a tarifa zero no transporte pode ter um efeito comparável ao do Bolsa Família, especialmente por atuar diretamente na renda das famílias de baixa renda.
Ao eliminar o custo das passagens, o modelo funciona como uma espécie de transferência indireta de renda. Esse mecanismo aumenta o poder de compra das famílias e pode gerar efeitos multiplicadores na economia, como maior consumo e arrecadação de tributos.
Além disso, o estudo ressalta que o impacto é imediato. Diferentemente de outras políticas que dependem de longo prazo, a redução de despesas com transporte gera alívio financeiro instantâneo para milhões de brasileiros.
Liquidez imediata e estímulo ao consumo
Outro ponto central do estudo é o conceito de “liquidez imediata”. A tarifa zero no transporte libera recursos que antes eram destinados ao deslocamento diário, permitindo que esse dinheiro seja direcionado para outras necessidades, como alimentação, moradia e serviços.
Esse aumento no consumo tende a beneficiar diversos setores da economia, criando um ciclo positivo. Com mais dinheiro circulando, empresas vendem mais, geram empregos e ampliam investimentos, fortalecendo a atividade econômica como um todo.
Redução de desigualdades sociais e raciais
A pesquisa também destaca o papel da tarifa zero no transporte na redução das desigualdades sociais. O benefício impactaria principalmente:
- pessoas de baixa renda
- população negra
- moradores de periferias urbanas
Esses grupos são os que mais comprometem parte significativa da renda com transporte. Ao eliminar esse custo, a política amplia o acesso a oportunidades, como emprego, educação e serviços públicos.
O estudo ainda aponta que a medida pode contribuir para diminuir desigualdades raciais históricas, ao facilitar a mobilidade de grupos que enfrentam maiores barreiras socioeconômicas.
Tarifa zero como “salário indireto”
Os pesquisadores classificam a tarifa zero no transporte como uma forma de “salário indireto”. Isso porque, mesmo sem aumentar a renda formal, a política reduz despesas fixas, elevando o poder de compra real das famílias.
Esse conceito reforça a ideia de que o transporte público gratuito pode ter impacto semelhante ao de políticas de transferência de renda, ao melhorar as condições de vida da população sem necessariamente elevar salários.
Possível reconhecimento como direito social
Outro ponto levantado no estudo é a possibilidade de a tarifa zero no transporte ser tratada como um direito social, assim como saúde e educação públicas.
Nesse cenário, o acesso ao transporte deixaria de ser condicionado à capacidade de pagamento e passaria a ser garantido pelo Estado, ampliando a inclusão social e a mobilidade urbana.
Propostas de financiamento
Um dos principais desafios para a implementação da tarifa zero no transporte é o financiamento. O estudo sugere alternativas como:
- substituição do modelo atual de vale-transporte
- contribuição de empresas com mais de 10 funcionários
- isenção para cerca de 81,5% dos estabelecimentos
A proposta indica que seria possível estruturar o sistema sem aumentar diretamente os gastos da União, redistribuindo custos e criando novas formas de financiamento.